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14/08/20
Wellington Lima/JC Imagem
Wellington Lima/JC Imagem

IBGE estima que mais de 3 milhões de trabalhadores no Nordeste estão sem ocupação formal

14 / ago
Publicado por jamildo em Notícias às 17:10

Os dados compõem a edição semanal da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Covid-19, divulgada nesta sexta-feira (14.08) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos últimos quatro meses, em que o país passa pela pandemia de covid-19, cerca de 3 milhões de pessoas ficaram sem trabalho. Na quarta semana de julho, a taxa de desocupação chegou a 13,7%, o que corresponde a 12,9 milhões de pessoas, sendo 3,1 milhões apenas na região Nordeste.

Quando a pesquisa teve início, na primeira semana de maio, eram 2,3 milhões de desocupados em território nordestino. Na comparação com a terceira semana de julho, 806 mil pessoas passaram a engrossar a massa de quem perdeu um emprego com carteira assinada em toda a região.

“O aumento do número de desempregados é mais uma faceta trágica causada pela pandemia. Esse cenário difícil exigirá um plano de retomada da economia em bases consistentes, para além dos necessários e fundamentais auxílios de socorro às famílias brasileiras”, comentou Marina Silva, da Rede.

“O primeiro semestre foi marcado por demissões, suspensão dos contratos de trabalho e ao de redução de salários. Com o coronavírus paralisando a economia e trazendo incertezas, muita gente tem aproveitado o momento de escassez para empreender. E não necessariamente abrindo um negócio, mas colocando na prateleira o maior ativo que temos: nossas habilidades e conhecimentos como profissional”, avalia o consultor Felipe Mançano, sócio do Grow Consulting Group, empresa especializada em recrutamento profissional com sede no Recife e filiais em outros estados do Brasil, além de Chile e Argentina.

Para Mançano, que já entrevistou mais de 20 mil pessoas para processos seletivos em mais de uma década, ter uma atuação empreendedora não se limita a abrir uma empresa.

Ele explica que ser freelancer e agregar ações de autopromoção têm sido um movimento importante nesta época, de vagas em baixa.

“Que tipo de valor posso agregar a uma empresa e ajudá-la a crescer? Como posso ser útil prestando meus serviços para sanar a dor de um cliente? Tentar comunicar seu valor é uma boa mensagem inicial para dar um start nas negociações, sem se desvalorizar como capital humano. Explorar as redes sociais para comunicar suas habilidades pode ser um bom começo”, destaca.

De acordo com o IBGE, o grupo de pessoas que gostaria de trabalhar, mas não procurou emprego por causa da pandemia ou por falta de trabalho perto de casa, somou 18,5 milhões em todo o país. A informalidade atinge 27,2 milhões de pessoas, 2,7 milhões a menos do que no início de maio. A taxa está em 33,5%, 1 ponto percentual acima do registrado na terceira semana de julho.

Neste rol estão os empregados do setor privado e trabalhadores domésticos sem carteira assinada; empregadores e trabalhadores por conta própria que não contribuem para o INSS; e trabalhadores não remunerados que ajudam morador do domicílio ou parente.

OPORTUNIDADES EM TECNOLOGIA E SAÚDE

Embora a crise tenha impactado de forma contundente o mercado de trabalho, setores como tecnologia e saúde continuam despontando como gerador de vagas de emprego formais.

Levantamento do Business Insider, que considerou dados do Bureau of Labor dos Estados Unidos para detectar quais são as novas tendências de emprego por conta do novo panorama mundial, mostrou que esses dois setores dominaram a lista dos 30 primeiros lugares em geração de vagas, com metade das profissões.

Trazendo essa tendência para a realidade local, percebe-se que o mesmo movimento se mantém em Pernambuco, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado mensalmente pelo Ministério da Economia.

Num grupo de 40 profissões de nível superior cujo o estoque de vagas com carteira assinada apresentou crescimento nos últimos 18 meses encerrados em junho, pelo menos 15 eram referentes às áreas de saúde e tecnologia. Posições ligadas à área de educação e aviação civil, por conta da atração de novas rotas e companhias aéreas, também obtiveram destaque.

A realidade entre os trabalhadores de nível médio não é diferente.

Oito posições, num grupo de 40 profissões relacionadas pelo Caged, tinham vínculo com o segmento de saúde.

“Pernambuco sempre foi um polo médico de referência para o Norte e o Nordeste. Com a pandemia, a demanda só se intensificou. E o investimento em tecnologia, com o ecossistema local que temos no estado e essa transição imposta pelo coronavírus em todo o mundo, só vai crescer daqui para frente. As empresas que não tinham priorizado a transformação digital em seu planejamento estão correndo atrás do prejuízo”, avalia Mançano.


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