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07/08/20
Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados
Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados

Os jogos políticos, os laços e interesses do PSB e do PT em Pernambuco. Por Paulo Rubem Santiago

07 / ago
Publicado por José Matheus Santos em Opinião às 9:40

Por Paulo Rubem Santiago, em artigo enviado ao blog

Um olhar pela esquerda. Política é vale-tudo? É conveniência? É a supremacia do interesse privado travestido de interesse público?

Política é pêndulo, ora de um lado, ora do lado oposto?

Ou política é necessidade vital do ser humano para construir bem-estar e dignidade na vida em sociedade e para isso exige coerência, diagnóstico apurado da realidade e propostas para transformá-la? Se essa é a opção, nenhuma das anteriores pode prosperar.

A verdade de um projeto político está na sua prática a partir de seu diagnóstico, nas suas propostas e não nos seus jogos e movimentos pelo poder.

Observando a cena política em Pernambuco e no Recife, nos últimos anos e dias, temos um excelente material didático para uma bela Dissertação em História ou em Ciência Política. Acompanhem.

Depois do último mandato de Miguel Arraes de Alencar, que findou em 1998, em 2006 o PSB chegou ao governo de Pernambuco no segundo turno, disputando contra o PFL e com o apoio do PT.

Em 2010, já aliado ao PT e contra o PMDB, o PSB manteve o governo de Pernambuco. Em 2014 rompeu com Lula e o governo Dilma, lançou Eduardo Campos e depois de sua morte o substituiu por Marina Silva, contra Dilma Rousseff no 1o. turno. Manteve-se também no governo do Estado. No segundo turno apoiou Aécio Neves (PSDB) contra Dilma Rousseff, contra o PT portanto. Em 2016 apoiou o golpe contra a ex-presidente Dilma.

Em 2018 faz nova aliança com o PT, ganhou e se mantem no governo do estado por mais quatro anos. O PT reelege seu Senador nessa campanha, aliado ao PSB. Antes, porém, em 2016, da bancada “socialista” de 32 deputados federais, 22 votaram a favor da Emenda Constitucional 95, a PEC da Morte, proposta por Michel Temer, que congela por 20 anos investimentos sociais no país, mas libera o pagamento de juros da dívida pública aos bancos e fundos financeiros.

Agora em 2020 o PSB é beneficiado por decisão do PT. O PT decide lançar uma candidata a Prefeitura do Recife, mas para quem imaginou que essa candidatura será de oposição ao PSB, a realidade é outra. O Senador do PT já disse que não quer campanha com ataques ao PSB (JC,05/08/2020). Nessa linha a Resolução do Diretório Municipal do PT no Recife, publicada nesse Blog de Jamildo, aprovada em 05 de agosto passado, afirma que a candidatura fará oposição a Bolsonaro, defenderá o legado de Lula, mas não aparece qualquer atitude de oposição ao PSB.

Conveniência? Com isso os petistas que ocupam cargos nos governos do PSB no estado e na Prefeitura do Recife ficam com um pé em cada canoa. Caso o candidato do PSB venha a ganhar as eleições para a Prefeitura do Recife, ficam onde estão. Caso a candidata do PT ganhe, não saem de onde estão.

Onde está o interesse público e a mudança da realidade desigual, do desemprego, da população que vive na linha de pobreza, dos que mais morrem na COVID-19 nas periferias da capital? Esse jogo combinado entre PSB e PT interessa a outros partidos de esquerda?

O que ganham outras legendas de esquerda que entrarem nesse jogo em apoio ao PT se o PT não fará oposição ao PSB? E o que dirão aos eleitores sofridos do Recife depois de 20 anos de governos do PT/PC do B, PT/PSB e PSB/PC do B e PT(desde 2019)?

Quem fará a oposição de esquerda aos governos do PSB, dos quais o PT, hoje, é aliado? Quem vai por o dedo na ferida das raquíticas execuções orçamentárias da atual gestão do PSB do Recife em habitação, saneamento e atenção básica no SUS para a população? Quem vai levantar e combater as graves suspeitas de corrupção na Prefeitura do Recife nas compras em saúde para o combate ao Coronavírus, com tantas investigações do TCE e da Polícia Federal em curso? O DEM e demais partidos de direita, que apoiaram o golpe de 2016 como o PSB e os projetos anti-povo de Temer e Bolsonaro?

Política , meus caros internautas, não é vale-tudo, nem o jogo das conveniências ou dos interesses privados como se públicos fossem. Quem assim age busca apenas seus próprios interesses e se perpetua de todas as maneiras no poder, para ter sempre seus interesses privados atendidos, assim como faz o capitalismo. Diferença nenhuma disso ai para os interesses do sistema capitalista, contra os sonhos da liberdade, bem-estar e autonomia da maioria do povo brasileiro.

O caminho do PSOL deve ser outro e está sendo construído nacionalmente. Já são 23 candidaturas próprias nas capitais, de oposição aos governos locais, à direita e ao (des)governo de Bolsonaro, buscando frentes de esquerda para construir um projeto alternativo aos governos da cidade e do país.Os caminhos do socialismo libertário não combinam com o vale-tudo da política. São antagônicos.

*Paulo Rubem Santiago é ex-deputado federal.


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