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22/07/20
Foto: Divulgação
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Plano Diretor do Recife não pode sofrer retrocesso. Por Felipe Cury

22 / jul
Publicado por José Matheus Santos em Opinião às 9:24

Por Felipe Cury*, em artigo enviado ao blog

O debate sobre o Plano Diretor vem sendo realizado há muito tempo, antes mesmo do início do processo de formulação do Plano de Ordenamento Territorial. Estivemos sempre juntos aos demais movimentos que discutem essa pauta.

Reivindicamos a ampliação do processo de participação popular, acreditando que seria necessário o envolvimento do maior número de setores sociais, principalmente dos setores populares.

Participamos das reuniões temáticas, das plenárias regionais, reuniões do Conselho da Cidade e de audiência pública na Câmara de Vereadores.

O projeto de lei, que espelha o que foi aprovado na Conferência do Plano Diretor, começou a ser debatido e sofrer alterações na Câmara de Vereadores. Estamos acompanhando com muita preocupação as mudanças que vem sendo propostas por alguns vereadores, configurando um verdadeiro retrocesso para os que vivem nas Zonas Especiais de Interesse Social. O que está em jogo é a possibilidade ou não da permanência de milhares de recifenses nessas áreas.

Levamos proposta e levantamos o debate para necessidade de ampliação das áreas ZEIS, criação de ZEIS 2 em espaços urbanos que podem ser implantado uma política habitacional de interesse social. A importância de um coeficiente construtivo único para cidade, entre outros temas.

Felipe Cury. Foto: Divulgação

É necessário um planejamento urbano que dialogue e crie as condições para uma mobilidade e incorporação entre a cidade formal e a cidade real, dos morros e alagados, no acesso as políticas públicas do município.

Recife tem mais de 30% do seu território composto por Comunidades de Interesse Social (CIS), são mais de 500 comunidades registradas pêlo Mapeamento das Áreas Críticas do Recife, realizado em 2014. Desta áreas, 114 foram indicadas como prioritárias, estas comunidades carecem de infraestrutura necessária para diminuição das desigualdades sociais tão marcantes no Recife.

A Câmara, mais uma vez, parece se aliar aos interesses dos que lucram com a produção imobiliária, deixando de se preocupar com a luta de milhares de recifenses que conquistaram por meio da organização popular o direito de viver nesses territórios da cidade.

Estamos atentos ao que vem acontecendo e prontos para se somar aos que lutam em favor desta população.

*Felipe Cury é gestor público e ativista.


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