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30/06/20
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem

‘Decisão submissa e mesquinha’, dizem aliados de Marília Arraes sobre PT do Recife manifestar apoio ao PSB nas eleições municipais

30 / jun
Publicado por José Matheus Santos em Notícias às 13:16

Após o diretório municipal do PT do Recife manifestar apoio à aliança com o PSB nas eleições municipais do Recife, aliados da pré-candidata a prefeita Marília Arraes divulgaram um manifesto em defesa da postulação da deputada federal na disputa. O PSB vai lançar o deputado federal João Campos para disputar a sucessão do prefeito Geraldo Julio.

Em manifesto, os aliados de Marília classificam a decisão do diretório municipal como “inócua”, diante da orientação da direção nacional do PT pela candidatura de Marília, bem como pelo lançamentos de candidatos próprios em cidades com mais de 200 mil eleitores. Assinam a nota, entre outros, a deputada estadual Teresa Leitão, o ex-deputado federal Fernando Ferro e o ex-presidente do PT Pernambuco Glaucus Lima.

> PT do Recife manifesta apoio ao PSB nas eleições para prefeito. Direção nacional vai decidir se Marília Arraes será candidata

“Cumprir decisões nacionais não é novidade para o PT de Pernambuco e do Recife, a despeito de contrariedades locais. Recentemente foi assim nas eleições municipais de 2012 e nas eleições estaduais de 2018. Por isto, também, nos estranha a resolução aprovada, que além de tudo é inacabada, submissa e mesquinha”, diz trecho do manifesto.

No último domingo (28), o PT do Recife confirmou a decisão de manifestar apoio ao PSB nas eleições 2020 do Recife. A maioria dos dirigentes petistas locais refutaram a candidatura de Marília Arraes a prefeita.

Glaucus Lima; a deputada federal Marília Arraes; e a deputada estadual Teresa Leitão (Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem)

Em tom crítico, os aliados de Marília Arraes insinuam que os defensores da aliança com o PSB não apresentaram proposta para o Recife e prioridades que o PT apresenta a seus aliados. Além disso, o grupo critica o fato da diretriz do PT do Recife não ter citado a estratégia da legenda para a composição da chapa de vereadores e vereadoras.

Outro momento duro do manifesto feito pela ala pró-Marília é de que a decisão de aliança seria uma “submissão” do PT ao PSB. “É (uma decisão) submissa, porque se oferece para uma pretensa aliança sem valorizar o tamanho do PT e a importância que tem o nosso partido no combate a Bolsonaro e seu governo, tema certamente presente nas eleições municipais”, afirma trecho do manifesto.

A nota oficial divulgada no domingo (28) pelo PT do Recife cita a ausência de Marília Arraes e de sete delegados aliados dela no encontro. Sobre a questão, o setor a favor da candidatura da deputada na disputa pela Prefeitura do Recife afirma que foi uma citação das ausências na divulgação da resolução foi “mesquinha”.

“(A nota de comunicado da decisão) É mesquinha, ao citar a ausência da pré-candidata Marília Arraes e dos nossos delegados e delegadas, omitindo que a posição política de não participar foi fruto de seguidas negativas de diálogo por parte do grupo majoritário, buscada por nós e pela Direção Nacional”, dizem os aliados de Marília.

Veja a íntegra do manifesto pró-Marília

“Nota de Esclarecimento Aos petistas e à sociedade recifense

O Diretório Municipal do PT-Recife realizou nos últimos dias 27 e 28 de junho seu encontro municipal, para discutir e deliberar sobre as eleições 2020.

Para o Recife e todas as capitais, além de cidades com mais de 200 mil eleitores, a decisão sobre tática eleitoral precisa ser acompanhada e homologada pela Direção Nacional, tendo em vista as estratégias de um partido orgânico e com abrangência nacional como é o PT.

Para o Recife e outras capitais, por considerações e análises feitas, a definição foi tomada pelo Diretório Nacional, em março de 2020, optando-se por candidaturas próprias e na nossa cidade, pelo nome de Marília Arraes.

Indiferente às instâncias partidárias superiores, o DM-Recife convocou o seu encontro municipal com a pauta de tática eleitoral. Foi advertido, a tempo, pelo Grupo de Trabalho Eleitoral do PT Nacional, que esta seria uma decisão absolutamente inócua, por ferir deliberações superiores e que a Direção Nacional já havia definido por candidatura própria, sendo a deputada Marília Arraes aprovada como candidata.

Esta decisão encheu de ânimo a militância em nosso Estado e no Recife. Marília desponta como uma das pré-candidatas mais competitivas e se coloca em condições de disputa para levar o PT a governar a nossa cidade.
Cumprir decisões nacionais não é novidade para o PT de Pernambuco e do Recife, a despeito de contrariedades locais. Recentemente foi assim nas eleições municipais de 2012 e nas eleições estaduais de 2018.

Por isto, também, nos estranha a resolução aprovada, que além de tudo é inacabada, submissa e mesquinha.

É inacabada, porque não se refere, em um parágrafo sequer, a propostas para o Recife e a prioridades municipais que o PT formula para si ou para apresentar a seus aliados. É inacabada, também, porque o encontro não dedicou uma linha da resolução à chapa de vereadores e vereadoras, estratégia fundamental para o PT.

É submissa, porque se oferece para uma pretensa aliança sem valorizar o tamanho do PT e a importância que tem o nosso partido no combate a Bolsonaro e seu governo, tema certamente presente nas eleições municipais.

É mesquinha, ao citar a ausência da pré-candidata Marília Arraes e dos nossos delegados e delegadas, omitindo que a posição política de não participar foi fruto de seguidas negativas de diálogo por parte do grupo majoritário, buscada por nós e pela Direção Nacional.

Os delegados identificados com a defesa da candidatura própria, de Marília Arraes, aprovada no dia 13 de março de 2020, estavam prontos para participar do encontro, se as condições de respeito às deliberações superiores do PT, estivessem garantidas como foi proposto e explicitado.

Ir a um encontro, cujo único objetivo seria a demarcação de posição política já sobejamente externada pela imprensa, se constituiria para nós, na legitimação de uma afronta ao PT, às suas decisões e as instâncias.
Seguimos firmes na defesa do nosso partido e desejando que as próximas etapas do processo eleitoral sejam cumpridas com rigor partidário, reafirmando a decisão do Diretório Nacional.

Fora Bolsonaro e seu governo, Marília Prefeita do Recife, 28 de junho de 2020″

Assinam:
Teresa Leitão – membro do DN/PT
Sheila Oliveira – membro do DN/PT
Múcio Magalhães – GTE Nacional
Carmem Dolores – Delegada ao Encontro Municipal
Felipe Cury – Delegado ao Encontro Municipal do Recife Sephora Freitas – Delegada ao Encontro Municipal do Recife Sheila Samico – Delegada ao Encontro Municipal do Recife Renato Santos – Delegado ao Encontro Municipal do Recife Ygor Lima – Delegado ao Encontro Municipal do Recife Joelson Souza – Delegado ao Encontro Municipal do Recife Raissa Rabelo – membro da Executiva Estadual
Glaucus Lima – membro da Executiva Estadual
Edmilson Menezes – membro da Executiva Estadual
Cristina Costa – membro da Executiva Estadual
Victor Fialho – membro da Executiva Estadual
Fernando Ferro – ex deputado federal

Fotos: Divugação

Entenda 

No domingo (28), o PT do Recife confirmou a decisão de manifestar apoio ao PSB nas eleições 2020 do Recife. A maioria dos dirigentes petistas locais refutaram a candidatura de Marília Arraes a prefeita. O PSB vai lançar João Campos para a disputa municipal.

No entanto, apesar da decisão dos dirigentes locais, a decisão final se Marília será candidata cabe à direção nacional do PT, que tem orientação pela candidatura da deputada no Recife.

37 dos 44 delegados do PT do Recife votaram pela aliança com o PSB, que já ocorreu nas eleições de 2018. Os sete delegados pró-candidatura de Marília estiveram ausentes. A deputada também esteve ausente. Procurada pela reportagem sobre o motivo da ausência no encontro, Marília Arraes não quis se manifestar.

Foto: Divulgação

A manutenção da aliança com o PSB é defendida pelo senador Humberto Costa, que é aliado do prefeito Geraldo Julio e do governador Paulo Câmara e tem aliados que ocupam cargos nas gestões do PSB no Recife e no Governo de Pernambuco.

Humberto Costa na Rádio Jornal (Foto: Filipe Jordão/JC Imagem)

Em 2018, o cenário foi diferente: Marília Arraes recebeu aval do diretório local, mas foi impedida pelo PT Nacional de disputar a eleição para governadora. A manobra abriu alas para o PT se aliar ao governador Paulo Câmara, que tentava a reeleição, em acordo para minar possível apoio do PSB à candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência.

Assim, o senador Humberto Costa foi para a chapa majoritária de Paulo Câmara, quando obteve a reeleição, e o PT Nacional, que teve Fernando Haddad como candidato a presidente, conseguiu isolar Ciro Gomes.


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