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08/04/20
Foto: Carolina Antunes/Presidência da República
Foto: Carolina Antunes/Presidência da República

A batalha da cloroquina e o coronavírus

08 / abr
Publicado por jamildo em Notícias às 21:59

Bolsonaro recupera vantagem com a hidroxicloroquina

Por Manoel Fernandes, diretor BITES, em informe ao blog de Jamildo

Pode ser uma vantagem momentânea, mas depois de dias sob ataque nas redes sociais, a partir do crescimento do fluxo digital de oposição, o presidente Jair Bolsonaro vive uma nova realidade nas últimas horas.

O “remédio de Bolsonaro”, como seus apoiadores na Internet trabalham para propagar, permitiu ao presidente recuperar parte do controle sob narrativa na guerra contra a oposição.

Mesmo contra a opinião de especialistas e cientistas de diversas partes do planeta, ele está colhendo resultado da sua defesa da hidroxicloroquina e da cloroquina.

A rede de apoio ao presidente passou o dia disseminando no Twitter as hashtags bolsonarotemrazão, remediodobolsonaro, doriamentiroso, bolsonarotemrazaosim, bolsonarotemrazao e bolsonaroestavacerto na tentativa de reforçar a posição do Palácio do Planalto.

Até às 21h eram 249 mil menções associando a cloroquina a um desses termos.

Às 20h30, as palavras-chave hidroxicloroquina e cloroquina já tinham sido utilizadas 500 mil vezes no Twitter no Brasil, o equivalente a 66,5% do total de tweets publicados nos últimos sete dias sobre o “remédio de Bolsonaro.”

Como termo de comparação, os brasileiros produziram no mesmo intervalo 517 mil tweets sobre Coronavírus.

No campo dos artigos da mídia profissional e alternativa, entre 40 mil textos publicados no Brasil nas últimas 12 horas, o primeiro e o segundo em número de interações no Facebook (238.300 e 137.200, respectivamente) eram positivos para Bolsonaro e citavam as hashtags em sites da rede bolsonarista.

A necessidade por informação sobre o remédio explodiu nos últimos dias e ganhou escala quase exponencial nas últimas 48 horas quando Bolsonaro decidiu confrontar os médicos David Uip e Roberto Kalil, que utilizaram o produto na sua recuperação.

Bolsonaro citou o segundo em seu pronunciamento como exemplo de médico e Uip passou o dia sob ataque dos bolsonaristas.

As buscas para cloroquina no Google Brasil registraram uma expressiva alta. Na segunda-feira, dia 06, o nível de interesse na escala de 0 a 10 do serviço estava em 22 e hoje às 18h alcançou 100.

Entre os locais mais interessados em consultar informações do produto estão aqueles mais afetados pela pandemia: Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro.

Nesse cenário, os bolsonaristas iniciaram uma rápida ação para criar a percepção que o presidente estava certo desde o primeiro momento que defendeu a cloroquina no combate ao Covid-19.

BRASIL E EUA

O debate sobre o remédio não se faz presente de maneira uniforme na opinião pública digital do mundo. Brasil e Estados Unidos lideram essa discussão.

Há movimentos na Europa e Ásia, mas nada na dimensão dos países sob a administração de Donald Trump e Bolsonaro.

Nos EUA, hoje os americanos publicaram 116 mil posts no Twitter contra 50 mil na Índia com alguma referência ao tema, mas é no Brasil que o assunto está sob controle da rede de aliados do presidente Bolsonaro.


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