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07/03/20
Foto: Reprodução/Instagram
Foto: Reprodução/Instagram

Aliada de Túlio Gadêlha e ativista LGBT, Maria do Céu desiste de pré-candidatura a vereadora em meio a impasse no PDT

07 / mar
Publicado por José Matheus Santos em Notícias às 15:00

Em meio a impasse sobre a pré-candidatura de Túlio Gadêlha (PDT) a prefeito do Recife, uma aliada do deputado disse que desistiu da pré-candidatura a vereadora. Trata-se da produtora cultural e psicóloga Maria do Céu, ativista LGBT, que chegou ao PDT no final de 2018 pelos braços de Túlio.

Nesta segunda-feira (9), o deputado federal Túlio Gadêlha se posiciona sobre a sua pré-candidatura a prefeito do Recife pelo PDT em entrevista coletiva à imprensa. 

Dois dias antes do pronunciamento, a produtora cultural Maria do Céu disse ao blog que retira sua pré-candidatura a vereadora do Recife em meio ao que classificou como “traições e rasteiras”.

“Estou retirando minha candidatura a vereadora do Recife por tudo o que vem acontecendo. Essa situação (de conflitos no PDT) me traz mais decepção. Mas não desisto da política, pois através dela a gente tem acesso a um mundo melhor. Vou ficar atenta e colaborando no que estiver ao meu alcance sempre”, disse Maria do Céu em entrevista ao blog.

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“É muita traição, muita rasteira”, disse Maria do Céu, sem citar nomes de envolvidos em disputas internas no PDT.

Nos bastidores, sabe-se que a ala de Túlio Gadêlha defende candidatura própria na disputa pela Prefeitura do Recife, enquanto o grupo ligado ao deputado Wolney Queiroz, presidente do PDT em Pernambuco e líder da bancada na Câmara Federal, defende a manutenção da aliança com o PSB e apoio à candidatura de João Campos no Recife.

Sem citar nomes, a ativista Maria do Céu disse que os partidos no Brasil “têm donos”.

“Existem acordos e coisas maiores que a gente como filiado não sabe muitas vezes. Os partidos têm donos. As pessoas falam tanto em democracia, mas quando é internamente há donos nos partidos”, disse Maria do Céu em entrevista ao repórter José Matheus Santos, do Blog.

O PDT tem como presidente nacional Carlos Lupi, que está à frente da legenda desde 2004, quando morreu Leonel Brizola. Nos estados, o partido tem comissões provisórias, que podem ser destituídas a qualquer momento a depender de uma decisão do presidente do partido.

O deputado Túlio Gadêlha tem trabalhado na contramão desse cenário e já defendeu a aliados que o PDT fortaleça as direções locais dos partidos com mais autonomia.

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Apesar do imbróglio e das dúvidas sobre a saída ou não de Túlio da disputa pela Prefeitura do Recife, Maria do Céu afirma que o deputado enfrenta adversidades internamente no PDT, mas que ainda não teria saído da disputa.

“Acredito que ele não saiu da disputa, mas acho que ele enfrenta essas adversidades”, afirmou a produtora cultural.

Túlio Gadêlha chegou a dizer em reunião na semana passada que retiraria a candidatura a prefeito após ter pedido a disputa pela liderança da minoria na Câmara dos Deputados. Em postagem no Instagram na última sexta-feira (6), Túlio Gadêlha criticou colegas da bancada federal do PDT.

‘Ditadura socialista’

Aliada de Túlio Gadêlha, a psicóloga Maria do Céu disse que vê uma “ditadura socialista” querendo minar outras possibilidades de candidaturas no Recife, sem citar explicitamente o PSB. 

Eventuais candidaturas de PT e PDT seriam baixas na coligação da Frente Popular de Pernambuco, liderada pelo PSB, que pretende lançar o deputado federal João Campos como candidato a prefeito.

“Há uma espécie de ditadura socialista. Defendo Marília Arraes como alternativa, Túlio como alternativa, e tantos outros. Aliás, acho que diversos partidos deveriam apresentar candidatos, pois essa é a ideia do 1º turno”, disse.

“Recife está fazendo o mesmo caminho errado de polarizar direita com esquerda”, completou.

Candidatura a prefeito do Recife

Na entrevista coletiva desta segunda-feira (9), Túlio Gadêlha estará com aliados do seu grupo no PDT de Pernambuco.

Trata-se de um momento instável no PDT, que já organizava a vinda do ex-ministro Ciro Gomes ao Recife daqui a duas semanas para um evento ligado à pré-candidatura de Túlio Gadêlha no Recife. 

Túlio Gadêlha foi lançado como pré-candidato a prefeito do Recife pela cúpula nacional do PDT. Em passagem pelo Recife semanas antes do Carnaval, o presidente nacional do partido, Carlos Lupi, defendeu alternância de poder na idade ao lançar o nome do deputado federal para a disputa majoritária.

Entenda a disputa pela liderança da minoria

Por acordo, cabe ao PDT liderar a minoria na Câmara Federal em 2020. O nome indicado é de André Figueiredo. Ele deverá substituir a atual líder Jandira Feghali (PCdoB) nesta semana. 

O PT chegou a indicar o deputado José Guimarães (CE) para o cargo, derrubando acordo feito com o PDT e demais partidos da oposição, mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vetou a indicação petista.

Após a determinação de Maia, a bancada do PDT se reuniu. Túlio Gadêlha se articulou para o cargo, mas teve o nome vetado pelos colegas pedetistas em votação.

Recado

Túlio Gadêlha aproveitou o pronunciamento no Instagram na última sexta-feira (6) sobre o impasse e aproveitou para alfinetar a direção nacional do PDT e também a legislação eleitoral.

“Entendo e sei que isso aconteceu porque o núcleo nacional do meu partido – as pessoas que definem a destinação de fundo eleitoral, de fundo partidário, a consolidação das alianças e definição das direções partidárias nos estados – escolheu outro nome, que aceitou disputar contra mim, naquele mesmo dia”, afirmou o deputado.

Na última quarta-feira (4), o pernambucano e deputado Wolney Queiroz (PDT-PE) foi eleito para a liderança da bancada do PDT. Cabe a ele liderar a bancada pedetista em 2020.

 

 

 


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