publicidade
16/02/20
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, que investiga a divulgação de notícias falsas nas redes sociais e assédio virtual, raliza oitiva decorrente do requerimento nº 214/2019.rrMesa:rrelatora da CPMI das Fake News, deputada Lídice da Mata (PSB-BA);rpresidente da CPMI das Fake News, senador Angelo Coronel (PSD-BA);rdepoente Hans River do Rio Nascimento.rrFoto: Jane de Araújo/Agência Senado
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, que investiga a divulgação de notícias falsas nas redes sociais e assédio virtual, raliza oitiva decorrente do requerimento nº 214/2019.rrMesa:rrelatora da CPMI das Fake News, deputada Lídice da Mata (PSB-BA);rpresidente da CPMI das Fake News, senador Angelo Coronel (PSD-BA);rdepoente Hans River do Rio Nascimento.rrFoto: Jane de Araújo/Agência Senado

CPI das Fake News. Narrativa bolsonarista consegue maior propagação diante do conteúdo da oposição

16 / fev
Publicado por jamildo em Notícias às 15:00

Por Manoel Fernandes, diretor da BITES, em São Paulo

Do início da tarde da última terça-feira, 11, até às 18h de sexta-feira, os deputados federais publicaram 9.644 posts em seus perfis oficiais no Facebook, Twitter, Instagram e Youtube. Nesse contato com seus fãs e seguidores, os parlamentares alcançaram 11,7 milhões de interações (curtir, retúites, comentários e compartilhamentos).

Os assuntos abordados foram difusos com uma concentração expressiva em três temas: a morte do miliciano Adriano Magalhães, as declarações de Paulo Guedes sobre viagens de domésticas à Disney e o imbróglio da CPMI das Fake News.

No caso do miliciano foram 122 posts que alcançaram 291.868 interações. Nos 372 posts sobre Guedes, a audiência gerou 460.533 que o deixou atrás do embate entre aliados do presidente Bolsonaro e integrantes da oposição no embate na CPMI das Fake News. Foram 187 posts totais que alcançaram 873.179 interações nas redes oficiais dos deputados, o equivalente 6% do volume total do período.

O Sistema Analítico BITES identificou 127 posts em defesa da jornalista Patricia Campos Melo. Foram publicados por 37 parlamentares e registaram 113.757 interações no período.

No campo dos apoiadores das declarações de Hans River contra a jornalista, as interações alcançaram 759.422, sete vezes mais que o movimento de defesa. Dentro desse contexto de 60 publicações de sete deputados, 23 partiram da conta de Eduardo Bolsonaro. Sozinho, o filho do presidente alcançou 50% das interações contrárias à jornalista.

A narrativa bolsonarista conseguiu maior propagação diante do conteúdo da oposição. Um fato ajudou bastante esse desempenho. Na sua maioria, os posts em defesa da jornalista e da Folha de S. Paulo foram produzidos por perfis de petistas e aliados que esbarram no sentimento antipetista que ainda impera nas redes sociais.

Com exceção da deputada Tabata Amaral, Rodrigo Maia, Rubens Bueno, Marcelo Calero e Alexandre Frota, a defesa direta veio majoritariamente de legendas próximas ao PT.

O embate entre bolsonaristas e petistas permitiu a realização de mais um fla-flu das torcidas virtuais.

Nessas partidas que se tornaram rotineiras desde a eleição de 2018, a verdade perde lugar para o desejo de cada lado em jogar a bola o mais distante possível do adversário.

É o que se refletiu, por exemplo, na propagação dos 1.459 artigos sobre o episódio por sites da mídia profissional e alternativos. O campeão com 117 mil interações no Facebook e Twitter foi publicado no O Antagonista com o título “Ex-funcionário da Yacows entrega campanhas de Haddad e Meirelles.” O segundo colocado da Folha de S. Paulo – Ex-funcionário de empresa de dísparo em massa mente a CPI e insulta repórter da Folha – alcançou 101 mil interações até hoje.

PS: o estudo foi publicado hoje na coluna da jornalista Flavia Lima, Ombudsman da Folha de S. Paulo. Sob o título “Às favas com a verdade”, ela analisou a repercussão da última sessão da CPMI das Fake News na qual a jornalista Patricia Campos Mello foi atacada por Hans River e uma sequência de perfis da rede bolsonarista.

Nota de repúdio aos insultos e insinuações desrespeitosas contra a jornalista Patrícia Campos Mello declarados na CPMI das Fake News

O movimento Livres manifesta-se em solidariedade à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo e repudia os ataques e insultos proferidos por Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da Yacows, durante a CPMI das Fake News.

Patrícia Campos Mello foi a responsável por revelar que empresas estariam enviando mensagens em massa pelo WhatsApp durante as eleições de 2018. Entre as empresas envolvidas na prática, que é ilegal, está justamente a Yacows.

O direito da jornalista de trabalhar e informar não pode sofrer tentativas de silêncio por ofensas e tentativas de censura. Não é um caso isolado.

Infelizmente, todos os índices internacionais que medem a liberdade de imprensa apontam o Brasil como um país hostil à mídia profissional. Na edição 2019 do levantamento da ONG Repórteres Sem Fronteiras, estamos na posição nº 105 entre 180 países, três posições abaixo em relação a 2018. O último relatório anual da Freedom House destaca que o Brasil registrou 150 ataques a jornalistas, incluindo 4 mortes. Já a ONG Artigo 19 classifica o Brasil como um país de alto risco para o exercício da liberdade de expressão, numa avaliação que leva em consideração 5 eixos: Imprensa, Transparência, Redes Sociais, Espaço Cívico e Instituições de Proteção.

A liberdade de imprensa é um pilar fundamental da democracia liberal. O jornalismo profissional exerce papel essencial para a limitação do poder, fornecendo à sociedade informações apuradas com independência que ajudam a ancorar o debate público com referências confiáveis. Populistas e autoritários desejam minar a credibilidade da imprensa porque o jornalismo sério ameaça seus projetos de poder.

O Livres repudia qualquer ataque à liberdade de imprensa e aos princípios constitucionais que sustentam a nossa democracia.


FECHAR