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28/01/20
Foto: reprodução do Twitter de Gleisi Hoffmann
Foto: reprodução do Twitter de Gleisi Hoffmann

Presidente do PT defende candidatura de Marília Arraes, em encontro com Lula. Decisão sai até abril

28 / jan
Publicado por jamildo em Notícias às 18:53

Nesta terça-feira (28), aconteceu em São Paulo uma reunião na sede do PT Nacional, para discutir a estratégia do partido nestas eleições deste ano e, em especial, a hipótese de candidatura à Prefeitura do Recife. O nome da deputada federal Marília Arraes está posto mais uma vez, depois de ter sido rifada da disputa pelo governo do Estado, há dois anos, em uma aliança do seu partido com o PSB.

Participaram do encontro, além do senador Humberto Costa, a deputada federal Marília Arraes, o presidente do PT no Recife, Cirilo Mota, e o presidente estadual do partido, deputado estadual Doriel Barros. O ex-presidente Lula participou do encontro. No final do encontro, todos fizeram uma foto oficial, em que Lula aparece entre Marília Arraes e o senador Humberto Costa, defensor da manutenção da aliança com o PSB local.

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Encerrado o encontro, que durou a tarde toda e começo da noite, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse que o PT Nacional abriu negociações com a direção municipal do partido para resolver até abril a definição do processo eleitoral no Recife. O comando local é controlado pelo senador Humberto Costa, contrário à candidatura própria.

A deputada federal Gleisi Hoffmann disse que, na reunião com Lula, ela defendeu que era importante a candidatura de Marília Arraes no Recife, nestas eleições. Depois de sua fala pelas redes sociais, Lula também chegou a replicar a mensagem, também nas redes sociais.

Já era esperado que uma decisão final não fosse tomada, considerando que as eleições estão apenas começando.

“A reunião de amanhã (hoje) é parte de um processo. Não vai sair a decisão definitiva. Certamente, o ex-presidente Lula vai manifestar sua opinião que não é novidade. Ele defende que haja candidatura nas cidades onde há propaganda de rádio e TV”, disse Humberto, antes do encontro.

O senador também já havia dito que o encontro não iria definir nomes e confirmação de candidatura nesta terça-feira (28).

“O processo está começando. Temos um calendário definido pelo PT nacional que vai ser cumprido. Teremos o debate no diretório municipal, o encontro municipal com todos os filiados para tomar essa decisão. E a última palavra será dada pelo diretório nacional. A opinião de Lula é importante vai ser levada em conta, mas está apenas começando essa discussão”.

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Na Rádio Jornal, na segunda, no programa Passando a Limpo, questionado se o partido poderia ir de encontro à orientação dada por Lula, Humberto citou duas oportunidades em que o PT teria contrariado a recomendação do ex-presidente.

“Na eleição de 1990, por exemplo, quando Paulo Rubem foi nosso candidato a governador. Naquela ocasião, o desejo de Lula era apoiar Jarbas. Em 2008, quando João da Costa foi candidato, Lula queria que fosse eu”, afirmou Humberto.

Humberto Costa na Rádio Jornal (Foto: Filipe Jordão/JC Imagem)

Humberto Costa ainda afirmou, na Rádio Jornal, que uma candidatura do PT deveria manter raízes com o PSB, visando a futuras eleições, inclusive 2022.

“Se, para o PSB, Pernambuco e Recife é muito importante e o PT não faz um gesto, como o PT quer esperar gestos do PSB em 2022?”, frisou.

“Se tiver uma candidatura, que ela não leve a um rompimento total com o PSB, local, estadualmente e nacionalmente”, indagou Humberto.

Candidatura de Marília Arraes ameaça cargos do PT nas gestões do PSB, diz Humberto Costa

O senador Humberto Costa (PT) disse que será difícil a manutenção de cargos do partido nas gestões do PSB em caso de lançamento de candidatura própria na disputa da Prefeitura do Recife.

“Eu acho muito difícil (a manutenção). Cargo na prefeitura, com certeza, o partido seria obrigado a sair do governo. No caso do estado, acho muito difícil de não acontecer também”, disse Humberto, em entrevista à Rádio Jornal, um dia depois do ex-presidente Lula afirmar ao UOL que o PT “não pode abrir mão” de ter candidatura própria no Recife.

Para o senador, a manutenção de cargos só seria possível se houvesse um clima amistoso entre os candidatos do PSB e do PT no Recife. “Até porque manter só seria viável se nós tivéssemos uma candidatura que não procurasse fazer uma polarização do PSB, mas a deputada Marília, por tudo que ela tem dito, quer fazer uma campanha contra o PSB estadual e municipal”, afirmou Humberto.

Na avaliação de Humberto Costa, haveria uma reunião com o governador Paulo Câmara para definir sobre os rumos dos integrantes das gestões socialistas. “Mas acho que fica uma situação insustentável num momento como esse”, disse o petista.

“Será que vale a pena essa decisão em ter tantas implicações assim?”, indagou o senador.


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