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24/01/20
Marília Arraes (Foto: Sérgio Bernardo/Acervo JC Imagem)
Marília Arraes (Foto: Sérgio Bernardo/Acervo JC Imagem)

Especialista diz que, sem Marília Arraes candidata, dificilmente PT faz os cinco vereadores que planeja ter

24 / jan
Publicado por jamildo em Notícias às 10:35

Por Maurício Costa Romão, em artigo enviado ao blog

A propósito do post de ontem, 23, intitulado “Com ou sem Marília Arraes o PT definiu eleger cinco vereadores no Recife em 2020”, é possível fazer algumas observações.

O PT já havia tido uma boa votação em 2016 no Recife, de 50.489 votos, a 6ª maior votação individual daquele pleito. Em coligação com PTB, PRB, PTN e PTdoB, elegeu dois vereadores dos cinco conquistados pela aliança, cuja votação total foi de 89.575 votos.

Mas, mesmo que o partido tivesse alçado vôo solo naquela ocasião, sem se coligar, somente elegeria os mesmos dois edis. Neste caso, a aliança, sem o PT, conquistaria só duas vagas, ao invés de três. A adesão do PT contribuiu com uma vaga adicional para o conjunto.

Não resta dúvida de que a meta almejada pela executiva do PT- Recife para 2020, de eleger cinco vereadores, é estrategicamente meritória, mas de difícil consecução. Por quê?

Imagine-se que o quociente eleitoral de 2020 gravite nas imediações daquele registrado no pleito passado, que foi de 22.063 votos, o que é uma expectativa bastante razoável em face do histórico recente dessa variável.

Saindo sozinha em 2020, o que será obrigatório para todas as agremiações, a sigla teria que obter uma votação de, no mínimo, 90 mil votos para garantir quatro vagas pelo quociente partidário e lutar por mais uma por sobras de votos.

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Para não ter surpresas negativas nas rodadas de cálculo das vagas por sobra, e fazer cinco vereadores diretamente pelo quociente partidário, o PT precisaria de algo como 110 mil votos.

Em síntese, para cumprir a meta traçada o partido teria que sair de 50 mil votos para algo entre 90 mil e 110 mil votos. Embora não seja impossível, este salto é improvável, dadas as circunstâncias do momento.

De fato, em 2008, o PT vivia sua fase áurea, com Lula na presidência, o partido gerindo o Recife, e ainda lançando um candidato (considerado previamente como vencedor do pleito) para disputar novo mandato, embalando, por conseqüência, a eleição proporcional.

Nesse ambiente extremamente favorável, a sigla ultrapassou individualmente a casa dos 100 mil votos e teve 124.732 votos para vereador do Recife (um terço dos quais de voto de legenda!), marca só batida desde então pelo PSB em 2016, nominal e relativamente.

Há que se reconhecer, todavia, que os dois PT, o de 2008 e o de 2020, são muito distintos, o de hoje uma pálida lembrança do de outrora, principalmente no Recife.

Com efeito, nas eleições proporcionais da capital, a votação do partido caiu dos 125 mil votos de 2008 para 89 mil em 2012 e chegou em 2016 com os 50 mil votos já aludidos. O que aconteceu de 2016 para cá, a ponto de a executiva da sigla projetar tamanha reversão de tendência?

Por fim, a evidência empírica tem mostrado que uma candidatura majoritária pode catapultar a proporcional de um mesmo partido, tanto mais fortemente quanto mais competitiva for aquela. Daí se segue que “Com ou sem Marília Arraes…” o resultado não será o mesmo. “Com” tem mais poder de alavancagem.


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