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10/10/19
Foto: AFP
Foto: AFP

Trump descumpre promessa a Bolsonaro e EUA não apoiam Brasil na OCDE

10 / out
Publicado por Fillipe Vilar em Notícias às 16:39

Atualizada às 18h

O governo dos Estados Unidos negou a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A decisão pode ser vista como um descumprimento de uma promessa de Trump ao presidente Jair Bolsonaro (PSL).

A informação é do portal de notícias UOL.

O secretário de Estado dos EUA, Michael Pompeo, rejeitou um pedido para debater a entrada de novos países no “clube dos países mais ricos”. A informação foi obtida a partir da cópia de uma carta enviada ao secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, em 28 de agosto. 

Segundo o governo norte-americano, a prioridade de entrada na OCDE é da Argentina e da Romênia, que contam com o apoio do governo de Washington.

“Os EUA continuam a preferir o alargamento a um ritmo lento que leva em consideração a necessidade de pressionar pelo planejamento de governança e sucessão”, disse o governo americano na carta.

Em março, o presidente Donald Trump declarou, em conferência com o presidente Jair Bolsonaro, na Casa Branca, que apoiaria o Brasil na tentativa de entrar no grupo, que conta com 36 países.

Em julho, o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, reafirmou o apoio ao Brasil. O país apresentou seu pedido de adesão à OCDE em maio de 2017, no governo de Michel Temer. Os EUA querem uma ampliação comedida da OCDE.

No mesmo mês, Bolsonaro chegou a afirmar, em uma live nas redes sociais, que a negociação estava “bastante avançada”. “Todos os países concordam com a nossa entrada”, disse o presidente.

Nesta quinta-feira (10), a Embaixada dos Estados Unidos reiterou o apoio à intenção de entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O texto foi publicado no site do órgão. Segue a íntegra abaixo.

A declaração conjunta de 19 de março do presidente Trump e do presidente Bolsonaro afirmou claramente o apoio ao Brasil para iniciar o processo para se tornar um membro pleno da OCDE e saudou os esforços contínuos do Brasil em relação às reformas econômicas, melhores práticas e conformidade com as normas da OCDE. Continuamos mantendo essa declaração.

Apoiamos a expansão da OCDE a um ritmo controlado que leve em conta a necessidade de pressionar as reformas de governança e o planejamento de sucessão. Continuaremos a trabalhar com outros membros da OCDE para encontrar um caminho para a expansão da instituição. Todos os 36 países membros da OCDE devem concordar, por consenso, com o calendário e a ordem dos convites para iniciar o processo de adesão à OCDE”.

Ao site O Antagonista, o ministro da Economia Paulo Guedes disse já saber que os EUA não indicariam o Brasil para ao OCDE “nesta oportunidade”.

“Eles nos disseram que, por questão estratégica, não poderiam indicar o Brasil neste momento, mas não é uma rejeição no mérito. É uma questão de timing, porque há outros países na frente, como a Argentina”, afirmou o ministro.

“Abrir para o Brasil agora significaria ceder à pressão dos europeus, que também querem indicar mais países para o grupo”, continuou.

Convite

Um eventual convite para o Brasil é possível para os norte-americanos, mas eles estão priorizando as entradas de Argentina e Romênia levando em consideração os esforços de reforma econômica e o compromisso com o livre mercado desses países.

Ainda nesta quinta, o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, havia dito durante o Fórum de Investimentos Brasil 2019, em São Paulo, que o Brasil estava “pronto” para entrar na OCDE. “Estamos vivendo uma extraordinária abertura econômica. Estamos prontos para integrar a OCDE. Nós e o setor privado acreditamos que isso será chave para o desenvolvimento do Brasil”, alegou.

“A abertura do Brasil para cadeia global de valor exige parcerias com todos investidores. Para isso, estamos com uma agenda dinâmica que pode criar oportunidade de desenvolvimento para todos”, continuou Araújo.

“Estamos convencidos de que o eixo do patriotismo é o que vai levar realmente o país para frente”, disse o chanceler.

A entrada na OCDE era vista como a principal vitória do governo Bolsonaro após uma viagem a Washington, em março.

 


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