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26/09/19
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Não há nenhuma chance de apoiar João Campos, diz presidente do PSOL

26 / set
Publicado por Douglas Fernandes em Notícias às 15:35

Em meio a críticas internas de que o PSOL “transparece ser um puxadinho” do PSB no seu relacionamento com as gestões socialistas na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e na Câmara do Recife, o presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, diz que o partido é de oposição aos governos Paulo Câmara (PSB) e Geraldo Julio (PSB), além de descartar um apoio ao deputado federal João Campos (PSB) na disputa pela prefeitura da capital.

“Se o PSOL não fosse oposição, o PSOL gozaria dos benefícios de ser situação. O PSOL não tem secretaria no governo municipal, não tem secretaria no governo estadual, não tem indicação de nenhum filiado seu a compor qualquer governo. O PSOL não é base dos governos do PSB nem em nível municipal e nem em nível estadual e é um partido de oposição. Faz críticas aos problemas que existem na saúde aqui. Já fez enfrentamentos muito importantes em relação ao governo do PSB nas questões ambientais, por exemplo. Tem defendido uma agenda própria”, disse.

Em visita ao Jornal do Commercio, nesta quinta-feira (26), na sua passagem pelo Recife, o dirigente psolista elogiou o filho do ex-governador Eduardo Campos, mas ressaltou que ele e os deputados Túlio Gadêlha (PDT) e Marília Arraes (PT) “nem de longe” representam  o “projeto de esquerda” da legenda para a sucessão de Geraldo Julio. Apesar de reforçar a articulação de uma frente de partidos de esquerda a nível nacional na oposição ao governo Jair Bolsonaro (PSL), o presidente do PSOL disse que “há realidades que devem ser respeitadas em cada cidade, em cada estado”.

“Naturalmente, que a polarização que o PSB, o PDT e o PT e o próprio PSOL vão buscar fazer mais fortemente é com o bolsonarismo. Isso pode, eventualmente, esmaecer um pouco as diferenças, mas elas existem. Nós fazemos questão de deixá-las evidentes. Não há nenhuma chance do PSOL apoiar o João Campos ou PSB aqui pelo histórico de relação crítica que nós temos com os governos do PSB na cidade”, afirma.

“Embora, respeitamos o João e outros nomes que estão sendo apresentados como o do Túlio Gadêlha, como a da própria Marília Arraes. São nomes que de alguma forma ajudam a arejar o debate público na cidade do Recife. São nomes jovens e novos ao mesmo tempo, mas nem de longe hoje podemos dizer que esses nomes representam o nosso projeto de esquerda”, emenda.

Ele afirma que hoje a “tendência principal” na sigla é de apresentar mais uma vez candidatura própria à Prefeitura do Recife como vem ocorrendo desde que o partido teve seu registro definitivo na Justiça Eleitoral, em 2005. Perguntado sobre nomes que poderiam encabeçar a chapa do PSOL, Juliano Medeiros disse que a sigla ainda não está discutindo nomes, mas citou quadros do partido como a ex-candidata ao governo do Estado Dani Portela, as codeputadas estaduais das Juntas, o vereador do Recife Ivan Moraes e o ex-deputado federal Paulo Rubem Santiago como possibilidades para o pleito.

“O partido ainda não abriu essa discussão, formalmente, sobre a tática eleitoral para 2020. Está começando a organizar esse debate. A gente diferente de outros partidos não intervém de cima para baixo nessas discussões. A gente dá muita autonomia para que os diretórios municipais e os diretórios estaduais debatam a tática eleitoral, mas claro precisamos nos informar como o partido está travando essa discussão”, disse.

Acompanhando Medeiros em sua agenda no Recife, o presidente estadual do PSOL, Severino Alves, disse que o diretório da sigla vai se reunir no dia 5 de outubro para discutir um programa de governo para a cidade, mas fez a ressalva de que do encontro ainda não será batido martelo sobre nomes. O programa – chamado de “Recife Arretado” – é uma iniciativa liderada por Ivan Moraes, que está em seu primeiro mandato na Câmara de Vereadores. Citado por Medeiros como possibilidade para liderar a 2020, o nome de Moraes é destacado pelo dirigente estadual. Segundo Severino Alves, o vereador tem muita disposição para entrar na disputa pela sucessão na PCR.

Juntas

Na conversa no Jornal do Commercio, o presidente nacional do PSOL saiu em defesa do mandato coletivo das Juntas na troca de acusações com o deputado estadual Alberto Feitosa (Solidariedade) sobre as prerrogativas das codeputadas na Alepe.

No Twitter, Medeiros disse que o mandato coletivo da sigla “foi intimidado pelos deputados bolsonaristas” na Alepe.

“Que haja desconforto, certo estranhamento é até certo ponto compreensível, mas o que não é compreensível, tolerado é o preconceito, a discriminação, a violência. Que é o que nós temos vivido não só com os mandatos coletivos, mas com outros mandatos que fogem do padrão hegemônico dos representantes parlamentares – de homens brancos, ricos, heterossexuais, velhos”, disse.

O dirigente do PSOL afirmou ainda que o partido dará todo o amparo para as codeputadas e outros mandatos coletivos da sigla, assim como os demais parlamentares.


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