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12/09/19
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Foto: Guga Matos/JC Imagem

Bolsonaro tem medo do Nordeste, diz Guilherme Boulos no Recife

12 / set
Publicado por Fillipe Vilar em Notícias às 19:51

O professor e ativista Guilherme Boulos, candidato derrotado a presidente pelo PSOL nas eleições de 2018, visitou a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), no Recife, nesta quinta-feira (12). Ao lado dele estiveram Jô Cavalcanti e Carol Vergolino, codeputadas estaduais pelas Juntas (PSOL), além do vereador do Recife Ivan Moraes Filho (PSOL).

Boulos discursou para estudantes universitários. Em sua fala, criticou o presidente Jair Bolsonaro (PSL). “Ele sempre fala do Nordeste com ódio, mas é uma postura medrosa. Ele tem medo porque sabe que não ganhou aqui”, disse o psolista.

Guilherme também exaltou um projeto de lei das Juntas, aprovado na Assembleia Legislativa de Pernambuco, proibindo nomear praças e ruas com nomes de ditadores e torturadores.

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O ex-candidato citou a tentativa de Coronel Meira de articular a escolha do reitor da UFPE fora da lista tríplice. Em seu discurso, Boulos tocou principalmente no tema dos cortes da educação superior. “Para o autoritarismo vencer, eles precisam atacar a educação pública”, afirmou.

“Weintraub é o pior ministro da história do MEC (Ministério da Educação)”, criticou Boulos. Ele também falou da tentativa de despejo sofrida pelo centro Paulo Freire, no assentamento Normandia, em Caruaru.

“O maior educador da história desse país, o pernambucano Paulo Freire, ensinou que educação se faz a partir da vida do povo. Ensinou que educação se faz a partir do espírito crítico. É essa história que eles querem apagar”, disse.

Do Recife, Guilherme segue para Petrolina, no Sertão, onde deve participar de mais eventos da caravana.

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Veja o discurso completo

Despejo

Mais cedo, Guilherme Boulos visitou o Centro Paulo Freire, em Caruaru. O ativista é uma liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e foi recebido pelo líder  do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Jaime Amorim, que administra o centro.

O psolista também foi à Câmara de Vereadores de Caruaru, em um evento que também contou com a presença de Jô Cavalcanti e Carol Vergolino, codeputadas estaduais pelas Juntas (PSOL), e Ivan Moraes Filho (PSOL).

Na próxima sexta (13), a Alepe vai sediar uma reunião do coletivo parlamentar em defesa do assentamento Normandia e Centro de Formação Paulo Freire de Caruaru. O evento ocorre às 10h, no auditório Sérgio Guerra.

O grupo repudia a tentativa de despejo solicitado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). No coletivo estão Isaltino Nascimento (PSB), Juntas (PSOL) João Paulo (PCdoB) e os petistas Teresa Leitão e Doriel Barros.

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“Vamos prestar nossa solidariedade e nos unir para impedir que essa reintegração de posse aconteça. Destruir o que foi construído até agora pelo Centro de Formação Paulo Freire significa um retrocesso gigante para toda a população de Pernambuco”, afirmou Isaltino.

“É o momento de todos os segmentos sociais estarem mobilizados, e os parlamentares terão um papel fundamental nesse processo de resistência e mediação”, disse Paulo Mansan, da coordenação estadual do MST.

“A ação do INCRA é mais um passo na criminalização dos movimentos sociais. O Centro é um espaço fundamental de formação e apoio social, um verdadeiro patrimônio do estado”, ressaltou Jô Cavalcanti, codeputada das Juntas.

O centro de formação Paulo Freire pertence ao assentamento Normandia, em Caruaru, e foi criado em 1999. O espaço possui casa, auditório para 800 pessoas, cozinha, refeitório, telecentro, casa da juventude, academia da cidade, academia do campo, quadra esportiva e creche. Hoje o centro realiza parceria na área da educação com a prefeitura de Caruaru, por exemplo, para a realização de duas turmas de ensino fundamental.

O Centro Paulo Freire tem parceria com o Governo do Estado para a realização do curso “Pé no chão”, em agroecologia. O espaço conta ainda com a formação de professores das escolas dos assentamentos e do Programa de Ensino de Jovens e Adultos (EJA). No local também funcionam indústrias de produção de alimentos, carnes, pães e bolos.

Justiça Federal explica reintegração

Mais cedo, nesta quinta (12), a Justiça Federal em Pernambuco (JFPE) enviou uma nota afirmando que a decisão proferida no último dia 21 de agosto de 2019, refere-se ao cumprimento da sentença transitada em julgado, em 6 de dezembro de 2017, no processo de Reintegração de Posse n. º 0012422-79.2008.4.05.8300, proposto em 1º de julho de 2008, e confirmado pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, com inadmissão dos recursos especiais e extraordinários ao STJ e STF.

Segundo a JFPE, o processo limita-se a reintegração, em favor do Incra, de área de 15 hectares do Projeto de Assentamento da Reforma Agrária Normandia, onde funciona o Centro de Formação Paulo Freire.

De acordo com a autora, foram construídas diversas benfeitorias, sem autorização da autarquia, contendo inúmeras irregularidades.

Já o espaço total do assentamento possui cerca de 700 hectares.

Na petição inicial, o Incra afirma, ainda, que “o Movimento dos Sem Terra (MST), após a imissão da posse e criação do assentamento, construiu um Centro de Formação Política na área comunitária do assentamento, contra a vontade dos assentados do Projeto”.

Na decisão do último dia 21, dada pela 24ª Vara Federal em Caruaru, é estabelecido o prazo de 30 dias, a contar da data da intimação, para que seja realizada a desocupação espontânea da área de aproximadamente 15 hectares, onde se encontra a Associação do Centro de Capacitação Paulo Freire.

O cumprimento da sentença da reintegração foi proposto em 13 de agosto de 2019 e tem o número 0803895-16.2019.4.05.8302.


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