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11/09/19
David Miranda/Foto: Agência Câmara
David Miranda/Foto: Agência Câmara

Coaf vê R$ 2,5 milhões em movimentações atípicas em conta de David Miranda; deputado nega

11 / set
Publicado por Fillipe Vilar em Notícias às 19:34

O jornal O Globo divulgou nesta quarta (11) que um relatório enviado pelo antigo Coaf ao Ministério Público do Rio de Janeiro aponta que o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) fez “movimentações atípicas” de R$ 2,5 milhões em sua conta bancária entre 2 de abril de 2018 e 28 de março de 2019.

Miranda é casado com o jornalista Glenn Greenwald, editor do The Intercept. O relatório do Coaf foi entregue dois dias depois de o site The Intercept Brasil começar a divulgar mensagens atribuídas a autoridades da Lava-Jato.

O MP do Rio abriu uma investigação sobre as movimentações de Miranda a partir do documento. Na última terça-feira, a 16ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro, barrou a tentativa do MP de quebrar o sigilo fiscal e bancário do deputado.

Miranda afirmou ao jornal O Globo, através de sua equipe, que o cargo de deputado não é a sua única fonte de renda e, por isso, “as movimentações são compatíveis com sua renda familiar”. O deputado recebe R$ 33,7 mil de salário.

O parlamentar afirmou que depósitos fracionados detectados pelo Coaf vêm de outra fonte, uma empresa de turismo da qual é sócio com Glenn Greenwald. O socialista, porém, não informou os serviços prestados pela companhia. Ele afirmou que os demais esclarecimentos seriam prestados no Judiciário.

O relatório do Coaf sobre David Miranda foi feito em meio a uma investigação que apurava supostas ilegalidades em gráficas no município de Mangaratiba, na região metropolitana do Rio, sem relação direta com ele. Miranda  contratou os serviços de uma das empresas investigada. Por conta disso, teve as movimentações financeiras em sua conta enviadas pelo Coaf ao MP do Rio.

O Coaf afirma que R$ 1,3 milhão entrou na conta corrente do parlamentar no período analisado, registrada em uma agência do Banco do Brasil em Ipanema, na Zona Sul do Rio. As saídas da conta somaram R$ 1,2 milhão no mesmo período.

Essa movimentação, considerada atípica pelo órgão, não significa que tenha sido identificada uma ilegalidade. Miranda alega receber na conta o salário de parlamentar e valores oriundos de uma empresa na qual é sócio com Greenwald.

O Coaf informa no relatório que considera “suspeita de ocultação de origem” uma série de depósitos de valores que giravam entre R$ 2,5 mil e R$ 5 mil, feitos em espécie. De acordo com os analistas do órgão, foi identificado o fracionamento dos depósitos e também a existência de repasses de funcionários do gabinete ao deputado.

“Rachadinha”

Quatro assessores e ex-assessores de Miranda também tiveram a quebra do sigilo pedida pela 5ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Capital ao Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) na 16ª Vara de Fazenda Pública. O Coaf identificou depósitos deles na conta de Miranda.

Para os investigadores do caso existe a suspeita de um esquema de “rachadinha”, que é a devolução de parte dos salários ao parlamentar. Os pedidos do Ministério Público de quebra de sigilo bancário foram negados pela Justiça. Isso até que os depoimentos sejam tomados.

No pedido de quebra de sigilo estão Reginaldo Oliveira da Silva e Silvia Mundstock, que atualmente trabalham no gabinete de Miranda na Câmara dos Deputados, em Brasília. O trabalho os dois foi iniciado em fevereiro de 2019, quando Miranda assumiu o mandato após a desistência do colega de partido, Jean Wyllys.

O MP também pediu a quebra de sigilo fiscal e bancário de Camila Souza Menezes e Nagela Rithyele Pereira Dantas, que estão lotadas na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) desde o início deste ano nos gabinetes das deputadas estaduais Renata Souza e Mônica Francisco, ambas também do PSOL. A investigação apura a prática de improbidade administrativa.

Foi aberta, também, investigação sobre suposto crime de peculato e lavagem de dinheiro. Como David Miranda é deputado federal, esse procedimento foi enviado da 24ª Promotoria de Investigação Penal para a Procuradoria-Geral da República, em Brasília.

Miranda nega todas as supostas irregularidades.

Retaliação

O deputado disse ao Globo que “diante da ausência de provas e evidências sobre qualquer ilegalidade, não há dúvida de que (a investigação) é uma retaliação”. Para Miranda, “a suposição que motivou o pedido de quebra de sigilo não faz sentido” e “é óbvio que é uma resposta ao trabalho do The Intercept Brasil na cobertura da Vaza-Jato”.

O parlamentar vê as investigações como “uma perseguição via aparato estatal” e afirmou que está “providenciando os extratos da conta da empresa que originou os saques e correspondentes depósitos” . Ele também afirmou que está à disposição da Justiça.

Non dia 2 de setembro, em entrevista ao “Roda Viva”, da TV Cultura, o jornalista Glenn Greenwald foi questionado sobre o caso que envolve o marido. O norte-americano disse que não vão existir evidências contra Miranda porque ele não cometeu crimes.


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