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07/09/19
Silvio Costa Filho e Antônio Lavareda (Foto: Reprodução)
Silvio Costa Filho e Antônio Lavareda (Foto: Reprodução)

No 20 Minutos, Silvio Costa Filho diz que Bolsonaro deve falar menos

07 / set
Publicado por Fillipe Vilar em Notícias às 19:41

O deputado federal Silvio Costa (Republicanos-PE, ex-PRB) foi o entrevistado deste sábado (7) no programa 20 Minutos, com o cientista político Antônio Lavareda. Eles conversaram sobre reforma da Previdência, a posição de Costa em relação ao governo Bolsonaro, além dos planos do parlamentar e do seu partido para as eleições municipais de 2020.

Costa é vice-líder do Republicanos na Câmara Federal. Ele afirmou na entrevista que é um político de centro-direita, que apoia as reformas do governo Bolsonaro, mas critica as declarações polêmicas do presidente. O deputado, que votou a favor da aprovação da lei contra abuso de autoridade, também disse que, caso seja escolhido para ser candidato a prefeito do Recife, vai debater as desigualdades da cidade.

Veja os principais temas da entrevista

Reforma da Previdência

“Para mim e para o congresso nacional, sobretudo para a câmara, foi um desafio muito grande. Apoiar uma reforma da Previdência com apoio de mais de 370 parlamentares. Uma reforma de um trilhão de reais. Não é uma reforma do Rodrigo Maia (DEM-RJ, presidente da Câmara dos Deputados) ou do Bolsonaro (PSL). A Reforma da Previdência foi uma das mais importantes da minha geração. É o Plano Real da minha geração. Ela terá um impacto muito importante para a economia do nosso país nos próximos anos. Muitas vezes setores da oposição fizeram discursos que não condizem com a realidade. Acho que um dos grandes desafios da reforma foi mostrar que de fato ela é importante para o Brasil. Naturalmente, haverá prejuízos, mas é natural da democracia. Mas a verdade sempre vence. Quem votou favorável à reforma da Previdência eu não tenho dúvida que estará ao lado da verdade”

Tramitação da Previdência no Senado

“Acho que a reforma não será distorcida no senado. Todo o espírito no senado é de aprovar integralmente a reforma.
Só dois pontos devem ser revistos, que é a volta dos estados e municípios. Existe a possibilidade da reforma ser aprovada e esses dois pontos voltarem à câmara para gente poder deliberar sobre a inclusão.

PEC paralela

“Eu defendo que os estados e municípios possam voltar para serem debatidos na Câmara. Mas é importante que os governadores do NE possam se debruçar de forma responsável sobre essa matéria. Os governadores têm que pensar menos nas próximas eleições e mais nas próximas gerações.Não adiante chegar para o ministro Paulo Guedes dizendo que defendem a reforma, que é importante para o Brasil e depois chegarem nos estados fazendo discurso contra. A gente sabe que é importante que os aliados dos governadores possam votar a favor da inclusão de estados e municípios. E é importante que as assembleias legislativas possam validar, porque o governador  poderá fazer um melhor debate com os seus servidores. Aqui em Pernambuco nós temos um déficit na ordem de R$ 2.6 bilhões. Infelizmente Pernambuco hoje tem um déficit considerável na Previdência. Hoje temos 102 mil servidores ativos e 96 mil inativos. Daqui a três anos teremos mais servidores inativos que ativos, ou seja, a conta não não fechar.

Votei a favor da reforma porque acredito que os aposentados e servidores não teriam condições de receber sua aposentadoria num futuro próximo”.

Exclusão dos estados e municípios foi demanda do centrão

“O sentimento que nos reuniu para tirar os estados e municípios num primeiro momento é que nós queríamos aprovar a reforma de forma célere. Existiu uma resistência. Muitos parlamentares defenderam que cada governador tendo em vista a própria radiografia econômica deveria fazer. Foi por isso que não incluímos naquele momento”.

“Sou favorável à aprovação da PEC paralela desde que possamos jogar para as assembleias legislativas a oportunidade de também debater esse tema”.

Capitalização

“Eu acho que o governo errou quando encaminhou a capitalização num primeiro momento. Muita vezes o importante não é o que se diz, mas o que as pessoas entendem. Ficou na cabeça da população que a Previdência seria capitalizada. Nem o próprio governo encaminhou o mérito da discussão da capitalização. Acho que é um tema muito sério que a gente (os deputados) precisa debater. Existe a possibilidade dessas discussão agora no mês de outubro. Mas o governo precisa apresentar algo de concreto e quais são as vantagens e desvantagens do Brasil implementar um modelo de capitalização ou um modelo misto de capitalização. Acho que nesse segundo semestre a gente
terá a oportunidade de debater esse tema”.

Modelo Chileno como referência (a crise do modelo naquele país causou debates na Câmara)

“Isso contaminou. O governo não encaminhou um mérito mais objetivo sobre a proposta da capitalização. É um modelo que deu certo em alguns lugares no mundo e outros não. A Previdência tem que ser vista como seguridade social, até porque ela tem um papel institucional importante para a sociedade. Agora no segundo semestre a gente vai poder fazer um debate mais equilibrado sobre essa proposta”.

Lei de abuso de autoridade

“Votei a favor. Existe muito excesso. Quantas pessoas no Brasil não foram vítimas de abuso de autoridade? Não digo apenas da Polícia Militar, do Ministério Público, da Polícia Federal, até porque são instituições que merecem o nosso respeito. Mas muitas vezes a gente vê pessoas sendo denunciadas sem fundamentos materiais. Ao final, a pessoa é absolvida porque não tem materialidade de fato. Com isso, a pessoa foi exposta e fica o dano de imagem. Eu acho a lei devia valer para todos os poderes. Quantas pessoas não foram vítimas da carteirada? Acho que isso devia ser revisto. Essa lei não colide com o combate à corrupção. Ela vai aprimorar o processo da investigação”.

Eleições municipais de 2020

“O Republicanos tem uma postura independente no âmbito nacional. O partido tem ajudado o Brasil nas reformas que o Brasil precisa. O país precisa da reforma da Previdência, da tributária, de um novo pacto federativo, de uma agenda da retomada do crescimento, do desenvolvimento. Estamos unidos com essa agenda. Em relação ao armamento da população, estimular um debate mais setorizado, nós temos muitas divergências em relação ao próprio comportamento do presidente Bolsonaro. Ele tem errado muito. Tem transformado o seu governo em uma indústria de crises. Ele é bem intencionado, mas a forma como ele vem conduzindo o país, se comunicando, acho que está sendo inoportuno. Assim ele não ajuda o Brasil. O presidente tem falado muito. Ele deve falar menos. Isso causa insegurança institucional. O Brasil está vivendo, de certa forma, uma crise do microfone”.

Vai ser candidato a prefeito do Recife ou apoiar outros nomes no campo da centro-direita em Pernambuco?

“Nossa expectativa é que o partido tenha cerca de 40 a 50 candidaturas a prefeito em todas as regiões do estado. Aqui no Recife não deve ser um projeto pessoal, deve ser um projeto coletivo. Se eu tiver a oportunidade de ser convocado por esse conjunto de forças, dependendo da estratégia que a oposição defina, eu quero ter esse privilégio de debater o Recife. Nós temos duas cidades: a da desesperança e a da oportunidade. A última do Porto Digital, do centro tecnológico, do Institutuo Ricardo Brennand.Porém a gente sabe que o Recife tem muitas marcas de desigualdade. Enquanto o desemprego no Brasil é 12,5%, no Recife já está em 16%. A gente tem um conjunto de obras paralisadas. Temos mais de 420 favelas. A gente tem um conjunto de ações
que precisam ser discutidas e debatidas na cidade. Se eu for convocado, vou fazer esse trabalho com muita dedicação”.

Suas divergências com o pai, Silvio Costa (Avante-PE), mais alinhado à esquerda

“Se eu pudesse escolher um único amigo para o meu filho, escolheria o deputado Silvio Costa. Ele é uma pessoa muito correta que procura ter lado. Naturalmente, temos diferenças. Eu sou um homem de centro. Defendo o Bolsa Família, o ProUni, Pronatec, Minha CasaMinha Vida… Todos são importantes. Mas o programa social mais importante é o emprego e a renda. Tenho a plena convicção de que Silvio Costa estivesse exercendo o mandato ele teria responsabilidade com o Brasil e estaria votando a favor das reformas. Acho que o povo de Recife, Pernambuco, sabe que temos estilos diferentes, opiniões diferentes. Mas temos a marca da lealdade em comum, e sobretudo defender aquilo que acreditamos”.


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