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30/08/19
Foto: Tato Rocha/Acervo JC Imagem
Foto: Tato Rocha/Acervo JC Imagem

PSB decide não expulsar Carreras

30 / ago
Publicado por Fillipe Vilar em Notícias às 18:24

O Diretório Nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB) decidiu nesta sexta-feira (30) as punições do deputado federal Felipe Carreras. Ele sofreu sanções por 12 meses, onde não pode fazer encaminhamentos em nome do partido, além de não poder ser líder da legenda na Câmara.

Ele também perde todos os cargos nas comissões partidárias na Câmara, além de não ter direito a voto nas decisões dentro do partido.

Outros nove deputados sofreram punições equivalentes às de Carreras. deputado Átila Lira, do Piauí, foi expulso do PSB na votação que abriu as deliberações. 

A assessoria de Felipe Carreras afirmou ao Blog de Jamildo que o deputado só vai se pronunciar sobre a decisão na próxima segunda-feira (2).

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O voto da relatoria, acompanhado pela maioria, foi pela suspensão por 12 meses de Carreras de todas as funções ocupadas nos órgãos diretivos do partido.

Também pela suspensão de direito a voto nas reuniões partidárias. Carreras está suspenso de todos os cargos decorrentes da representação partidária na Câmara.

Carreras ocupava a terceira vice-presidência e membro titular da Comissão de Código de Defesa do Consumidor. Também é membro titular das Comissões Permanente de Esportes, Permanente de Turismo, da Subcomissão Permanente de Futebol, da Subcomissão Especial de Indústria e dos Portos, da Comissão Temporária para a MP 883/2019, da Comissão Especial para o PL 3453/08.

Ele também era suplente da CPI do BNDES e da Comissão de Viação e Transporte. 

Dos representantes presentes, 84 votaram a favor das sanções propostas pela relatoria. Sete votaram contra, pois queriam outras punições. Houve uma abstenção.

Avaliação

Em seis meses haverá uma avaliação do partido para averiguar a situação e suspender ou não as punições.

A punição foi pelo voto a favor da Reforma da Previdência, indo contra a orientação do PSB. Nos últimos dias, Carreras vem dando declarações de insatisfação com a legenda.

Na terça (27), Felipe Carreras adiantou o seu voto sobre o aumento de R$ 2 bilhões nos recursos para as campanhas eleitorais. O socialista ainda cobrou um posicionamento do partido sobre a questão. “Essa decisão precisa ser urgente. O Brasil tem demandas mais importantes”, disse.

Em entrevista ao Resenha Política, o deputado afirmou que estava insatisfeito com o partido e que não tinha problemas em aplaudir o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Outros punidos

O deputado Átila Lira (PI), primeiro caso a ser votado, foi expulso do PSB. A decisão foi comemorada na reunião.

Emidinho Madeira (PSB-MG) e Felipe Rigoni (PSB-ES),  Jefferson Campos (SP), Liziane Bayer (RS), Rodrigo Agostinho (SP), Rodrigo Coelho (SC), Rosana Valle (SP) e Ted Conti (ES) sofreram punições equivalentes às de Felipe Carreras.

O grupo era maior, mas o deputado Luiz Flávio Gomes (SP) – que havia votado favorável à proposta no primeiro turno – seguiu a orientação do partido no segundo turno e votou contra. Com esse movimento, o socialista se livrou de uma punição no processo disciplinar que é movido contra os socialistas pró-reforma no Conselho de Ética da sigla.

O nome de Gomes foi elencado, inclusive, entre os que “orgulham” a legenda por terem votado contra a reforma em uma nota do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira. A manifestação causou forte reação de Felipe Carreras, que rebateu ao dizer que Siqueira não teria “estatura política” para continuar no comando da sigla.

Foto: Humberto Pradera/Divulgação

Carreras criticou, em entrevista ao JC, o “suspense” sobre a decisão do conselho. “Fica parecendo que tem gente querendo transformar isso numa novela. O nosso voto (na reforma da Previdência) foi transparente, não foi escondido”, disse o deputado, que não poderá participar da reunião do diretório assim como os outros alvos do processo disciplinar. A informação foi dada por Carlos Siqueira ao jornal. 

Autorreforma do PSB

Também na reunião, o partido decidiu sair do Foro de São Paulo, organizaão de partidos de esquerda da América Latina. A saída já havia sido aprovada na última reunião de sua executiva nacional, em junho.

O PSB preside a Coordenação Socialista Latinoamericana, que rivaliza com o Foro a representação de esquerda na região.

O processo de saída faz parte da chamada “autorreforma” do partido. 

Na resolução, o PSB afirma que repudia as violações de direitos humanos na Venezuela e descritas no relatório da Alta Comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, como “típicas de regimes autoritários”.

O PSB também lembrou que não participa dos encontros do Foro de S. Paulo há anos. O partido pediu à coordenação do Foro que exclua o nome do partido da lista oficial de siglas integrantes.


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