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14/06/19
Foto: Brenda Alcântara/JC Imagem
Foto: Brenda Alcântara/JC Imagem

Oposição vê avanço em retirada do BPC da reforma, mas cobra mais

14 / jun
Publicado por Amanda Miranda em Notícias às 20:29

Políticos de oposição ao governo Jair Bolsonaro (PSL) que participaram nesta sexta-feira (14) do protesto no Recife contra a reforma da Previdência afirmaram que viram como avanço a retirada de mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e na aposentadoria de trabalhadores rurais no relatório apresentado nessa quinta-feira (13). Apesar disso, mantiveram críticas à proposta.

Integrante da comissão especial da reforma da Previdência, o deputado federal Carlos Veras (PT-PE) atribuiu às manifestações de estudantes realizadas nos dias 15 e 30 de maio às alterações no projeto. “É um avanço importante, mas ainda muito pequeno para o tamanho da crueldade que é essa proposta de reforma para cima dos trabalhadores, por isso, essa greve é essencial, para que a gente possa avançar cada vez mais no caminho de derrotar essa retirada de direitos”, disse. “Ela não combate privilégios essa proposta de reforma, ela acaba com o direito das pessoas se aposentarem, ela penaliza os mais pobres”.

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O líder do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Isaltino Nascimento (PSB), também fez a ponderação. “Mesmo com o que saiu da proposta da reforma, ainda é muito ruim, por exemplo, acaba com a possibilidade de ter aposentadoria integral em que você poderia ter 80% da sua média salarial para se aposentar”, exemplificou o deputado estadual.

“O que foi apresentado pelo relator não supre nossas necessidades, não retira o eixo estruturante da reforma e os prejuízos que são causados na negação de direitos já consolidados”, reclamou a deputada estadual Teresa Leitão (PT).

O vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL) considerou saída do BPC uma vitória. Além do benefício, o relator Samuel Moreira (PSDB-SP) retirou a adoção do sistema de capitalização e a desconstitucionalização da Previdência. “Mesmo assim, a gente não pode descansar, porque essa reforma já começa com a informação falseada de que a Previdência está quebrada. É preciso cuidar da previdência, mas é preciso colocá-la na seguridade como um todo, que envolve a saúde, a assistência social, tudo faz parte do mesmo conjunto”, disse. 

“É importante destacar que essa retirada não é apenas a da reforma, mas também os cortes da educação, o armamento da população e outros diversos fatores que excluem os direitos da população. Então, estamos na luta contra a reforma e para além dela, contra essa onda conservadora”, afirmou a advogada Robeyoncé Lima, também do PSOL, que esteve no protesto representando as Juntas.

O vereador do Recife Rinaldo Júnior (PRB), presidente estadual da Força Sindical, afirmou que intenção é de intensificar manifestações contrárias à reforma da Previdência. “A gente não quer negociar, a gente quer distribuir a renda. Primeiramente, a gente tem que entender que o trabalhador não pode pagar essa conta. Esse movimento hoje é justamente para informar ao trabalhador. E o que está aqui se ecoe e vá para as periferias”, disse.

A expectativa do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é de que o substitutivo da reforma da Previdência seja votado na comissão especial até o fim de junho e, no plenário, até a segunda semana de julho.

Estados e municípios

A retirada de estados e municípios foi outro ponto criticado pelos parlamentares de oposição. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), descartou a possibilidade de a reforma da Previdência receber apoio da oposição para que estados e municípios sejam reinseridos na proposta. Governadores, principalmente os do Nordeste, têm sido cobrados. 

“Não faz sentido querer jogar para estados e municípios fazer essa discussão sozinhos. Não vejo como nós aprovarmos esse tipo de coisa, não vamos votar favoravelmente a essa reforma”, enfatizou o senador.

Isaltino Nascimento fez a mesma crítica sobre a reforma da Previdência. “A Câmara Federal está tentando terceirizar a responsabilidade para municípios e estados”, afirmou o socialista. “Vamos ter, além de 27 estados, mais de dois mil municípios modelos diferentes da reforma, quando deveria ser tratada pela Câmara”.

‘Vaza Jato’

Fora do tema da Previdência, políticos também lembraram o vazamento de conversas entre o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, quando era juiz da Lava Jato, e o chefe da força-tarefa da operação no Ministério Público Federal (MPF). O site The Intercept sugeriu que o então magistrado estaria supostamente favorecendo uma das partes dos processos, o que ele nega.

Teresa Leitão criticou Moro. “Sobretudo é um momento que vem se mostrando a farsa da Lava Jato, as denúncias que estão sendo feitas precisam ser firmemente investigadas, tudo que está sendo feito perde a legitimidade”, disse no protesto.

“É quando as pessoas começam a compreender melhor o que está por trás da prisão de Lula e da operação Lava Jato, que teve muitos méritos, mas ela não pode ser jogada a baixo agora porque a gente percebeu que o seu líder estava envolvido em conversas ilegais, não tem outra palavra, com um juiz do caso. Imagine se essas conversas tivessem sido entre Sérgio Moro com o advogado de Lula, teria sido um grande escândalo como é hoje”, afirmou Ivan Moraes sobre o caso.

*Com informações de Renata Monteiro, do Jornal do Commercio


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