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13/06/19
Foto: Rosinei Coutinho/STF
Foto: Rosinei Coutinho/STF

Para Gilmar, conversas entre e Moro e Deltan anulam condenação de Lula

13 / jun
Publicado por Douglas Fernandes em Notícias às 12:37

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou, em entrevista à revista Época, que as conversas vazadas entre o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, procurador Deltan Dallagnol, podem anular a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no processo do tríplex do Guarujá (SP).

“Eu acho, por exemplo, que, na condenação do Lula, eles anularam a condenação”, disse o ministro, referindo-se ao impacto do conteúdo dos diálogos entre os dois nas investigações. Gilmar Mendes já havia sito que provas conseguidas de forma lícita poderia ser usadas. 

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Gilmar citou trecho das mensagens publicadas pelo site The Intercept Brasil para dizer que houve “crime” cometido por Moro e Deltan quando trataram sobre uma informação repassada pelo ex-juiz. “Entao. Seguinte. Fonte me informou que a pessoa do contato estaria incomodado por ter sidoa ela solicitada a lavratura de minutas de escrituras para transferências de propriedade de um dos filhos do ex Presidente. Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou entao repassando. A fonte é seria”, escreveu o então juiz.

“Obrigado!! Faremos contato”, respondeu Deltan Dallagnol. “E seriam dezenas de imóveis”, acrescentou Moro. 

Ao não conseguir sucesso com o contato com a fonte, Deltan enviou a seguinte mensagem: “Estou pensando em fazer uma intimação oficial até, com base em notícia apócrifa”, escreveu. “Melhor formalizar entao”, respondeu Moro. “Simular uma denúncia não é só uma falta ética, isso é crime.”, disse Gilmar Mendes à revista Época.

Na entrevista, o ministro do STF chamou Deltan Dallagnol de “bobinho” e apontou Moro como o “chefe da Lava Jato”. “O chefe da Lava Jato não era ninguém mais, ninguém menos do que Moro. O Dallagnol, está provado, é um bobinho. É um bobinho. Quem operava a Lava Jato era o Moro”, afirmou o ministro.

Conversas

Entre as mensagens que foram reveladas pelo site The Intercept, está um diálogo entre Moro e Dallagnol sobre operações da Lava Jato que iriam ser deflagradas. O então ministro sugere a inversão de ordem das operações.

O coordenador argumenta que a medida seria inviável pela logística das ações. Entre outra passagem, o ex-juiz teria indicado qual deveria ser sua decisão sobre o processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em seu perfil no Twitter, o ministro disse que há “muito barulho” na revelação das conversas.

“Sobre supostas mensagens que me envolveriam publicadas pelo site Intercept neste domingo, 9 de junho, lamenta-se a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores. Assim como a postura do site que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo. Quanto ao conteúdo das mensagens que me citam, não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato”, diz em nota o ministro.

 

Em seu perfil no Twitter, o ministro disse que há “muito barulho” na revelação das conversas.

O Ministério Público Federal (MPF) também se manifestou por nota.

“A violação criminosa das comunicações de autoridades constituídas é uma grave e ilícita afronta ao Estado e se coaduna com o objetivo de obstar a continuidade da Operação, expondo a vida dos seus membros e famílias a riscos pessoais. Ninguém deve ter sua intimidade – seja física, seja moral – devassada ou divulgada contra a sua vontade. Além disso, na medida em que expõe rotinas e detalhes da vida pessoal, a ação ilegal cria enormes riscos à intimidade e à segurança dos integrantes da força-tarefa, de seus familiares e amigos”, afirmam.


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