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10/06/19
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Oposição vai tentar convocar Moro após conversas vazadas

10 / jun
Publicado por Douglas Fernandes em Notícias às 10:45

Após o site The Intercept Brasil revelar uma série de conversas de procuradores da Lava Jato e também entre o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, e o hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, os partidos de oposição ao governo Jair Bolsonaro (PSL) vão entrar com um pedido de convocação para que o ex-juiz compareça ao Congresso para dar explicações.

O requerimento precisa ser votado pelo plenário pela Câmara dos Deputados ou Senado, ou ainda pelos integrantes de umas das comissões das Casas, onde foi feito o pedido. E é necessário que seja aprovado por maioria simples em ambos os casos. Se passar, o ministro é obrigado a comparecer sob pena de crime de responsabilidade em caso de ausência sem justificativa aceita pela Casa ou pelo colegiado, segundo informa o regimento interno da Câmara.

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Os deputados e senadores estão antecipando suas viagens a Brasília para se reunirem ainda nesta segunda-feira (10) para bater o martelo sobre o requerimento de convocação do ministro. O encontro deve acontecer à tarde, já que os parlamentares estão tentando pegar voos em cima da hora. Os parlamentares vão se reunir para definir a estratégia.

Segundo o colunista Tales Faria, do UOL, líderes do Centrão ouvidos sob reserva por ele já indicaram que vão apoiar a convocação de Sergio Moro.

O líder do PSOL na Câmara dos Deputados, deputado federal Ivan Valente (RJ), chegou a anunciar, em seu perfil no Twitter logo após o caso ter vindo à tona, que o partido iria entrar com o pedido na Casa. Além disso, psolista disse que Deltan Dallagnol seria alvo de uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A equipe jurídica do PSOL já começou a trabalhar no documento que embasará o pedido de convocação. Segundo uma fonte no partido, há a possibilidade dele ser assinado por todos os partidos de oposição.

Conversas

Entre as mensagens que foram reveladas pelo site The Intercept, está um diálogo entre Moro e Dallagnol sobre operações da Lava Jato que iriam ser deflagradas. O então ministro sugere a inversão de ordem das operações.

O coordenador argumenta que a medida seria inviável pela logística das ações. Entre outra passagem, o ex-juiz teria indicado qual deveria ser sua decisão sobre o processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em seu perfil no Twitter, o ministro disse que há “muito barulho” na revelação das conversas.

“Sobre supostas mensagens que me envolveriam publicadas pelo site Intercept neste domingo, 9 de junho, lamenta-se a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores. Assim como a postura do site que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo. Quanto ao conteúdo das mensagens que me citam, não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato”, diz em nota o ministro.

 

Em seu perfil no Twitter, o ministro disse que há “muito barulho” na revelação das conversas.

O Ministério Público Federal (MPF) também se manifestou por nota.

“A violação criminosa das comunicações de autoridades constituídas é uma grave e ilícita afronta ao Estado e se coaduna com o objetivo de obstar a continuidade da Operação, expondo a vida dos seus membros e famílias a riscos pessoais. Ninguém deve ter sua intimidade – seja física, seja moral – devassada ou divulgada contra a sua vontade. Além disso, na medida em que expõe rotinas e detalhes da vida pessoal, a ação ilegal cria enormes riscos à intimidade e à segurança dos integrantes da força-tarefa, de seus familiares e amigos”, afirmam.


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