publicidade
10/06/19
Foto: Reprodução/TV Jornal
Foto: Reprodução/TV Jornal

Moro era ‘acusador disfarçado’, diz advogado de investigados na Lava Jato

10 / jun
Publicado por Douglas Fernandes em Notícias às 11:23

Defensor de nomes investigados na Operação Lava Jato, o advogado Ademar Rigueira avalia, que as conversas vazadas entre o hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, mostram uma “relação de promiscuidade” entre a acusação e órgão julgador. Em entrevista, nesta segunda-feira (10), ao programa Passando a Limpo, na Rádio Jornal, o advogado pernambucano disse ainda que o caso revelou que o ex-juiz da operação “era um acusador disfarçado e com interesses claramente distantes da função da magistratura”.

Segundo ele, já havia uma desconfiança entre todos os criminalistas que atuaram na defesa de nomes alvos da força-tarefa de “relação de proximidade, uma relação de intimidade entre o Ministério Público e o juízo que conduzia os processos da Lava Jato”.

“Nós não sabíamos que havia essa relação de promiscuidade. Na verdade, o que se desvenda agora nessas interceptações com a divulgação dessa mensagens trocadas, principalmente, entre Dallagnol e o (ex-) juiz Sergio Moro é de que havia uma cumplicidade, uma relação simbiótica da acusação e órgão julgador. Na verdade, nós não tivemos juiz nesses casos. A Lava Jato foi infelizmente conduzida e se teve decisões sem juiz da causa”, disse Ademar Rigueira.

De acordo com o defensor, as conversas vazadas revelam que “havia uma organização de uma acusação formada pelo Ministério Público e pelo (ex-) juiz Sergio Moro” nos processo da operação. O advogado avaliou que Moro “infringiu claramente os deveres de imparcialidade do julgador”. “E isso traz consequências graves porque me parece que na maioria dos casos, essa parcialidade na condução dos processos os maculou”, disse.

“Para que houvesse uma prova, assinaram uma justificativa à opinião pública e aos tribunais superiores. Mas juiz da causa não houve. Juiz da causa que deveria pautar pela imparcialidade, por se tornar equidistante entre a acusação e a defesa trocar mensagens de estratégias, arrumar acusação, preparar acusação, anuir antecipadamente um pedido do Ministério Público, retrucar ações do Ministério do Público. Isso para mim não é juiz. Infelizmente, o (ex-) juiz Sergio Moro que a população acostumou a aplaudir na verdade era um acusador disfarçado e com interesses claramente distantes da função da magistratura do nosso país”, afirmou.

Confira a entrevista na íntegra


FECHAR