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10/06/19
Foto: Beto Dantas/Portal de Prefeitura
Foto: Beto Dantas/Portal de Prefeitura

Celular do ladrão. Por Charbel Maroun

10 / jun
Publicado por Douglas Fernandes em Opinião às 9:40

Por Charbel Maroun, procurador do Recife e integrante do Partido Novo

Você já tentou explicar a um amigo estrangeiro por que é tão comum o pernambucano ter dois celulares? E que um deles “é para o ladrão”?!

Posso confirmar, não é fácil. É difícil para os estrangeiros entenderem como convivemos com a violência.

Ser roubado no Recife, infelizmente, se tornou algo tão comum, temos tanta certeza que um dia este momento chegará, que passamos a nos preparar para este evento.

O ladrão quer nosso celular? Compramos dois.

Ele já levou um? O celular vira telefone fixo e não sai de casa.

Quando perguntei no meu Instagram (@charbelnovo) quem andava com o “celular do ladrão”, a resposta veio uníssona: todos os que comentaram eram adeptos da prática. Os que não andavam, só não o faziam porque já tinham sido assaltados e o ladrão levou o celular “dele”.

Sim, este é o ponto em que chegamos. Naturalizamos a ideia de que o ladrão tem algo que é dele. Vivemos num estado em que acordamos cedo, trabalhamos, compramos nossas coisas e temos que pagar impostos não apenas ao estado, mas também ao ladrão que vai exigir uma parte do que você conquistou com muito suor!

Todos nós sabemos quem são os culpados. Todos nós sabemos quem deixou de investir em inteligência, em equipamentos de segurança, em laboratórios e melhores investigações porque as prioridades sempre foram outras.

Da esquerda à direita, do defensor do estado mínimo ao defensor do estado máximo, todos concordam que a função primordial de qualquer governante é garantir a segurança dos seus cidadãos. Então porque em Pernambuco segurança ainda não virou prioridade?


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