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04/06/19
Romero Jucá (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Romero Jucá (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Lava Jato: Jucá é denunciado por corrupção e propina de R$ 1 milhão

04 / jun
Publicado por Douglas Fernandes em Notícias às 12:03

A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Paraná, denunciou o ex-senador Romero Jucá (MDB) por corrupção em contratos da Transpetro, subsidiária da Petrobras, e lavagem de dinheiro no valor R$ 1 milhão de reais doados de forma oficial. Delator do esquema, o ex-presidente da empresa Sérgio Machado também foi denunciado pela operação.

Segundo o MPF, Machado teve sua indicação ao cargo na Transpetro e a sua manutenção no posto graças a Jucá e a outros integrantes do MDB. A função dele era “de arrecadar propinas para seus padrinhos políticos”, de acordo com a denúncia da Lava Jato. O pagamento de R$ 1 milhão de reais teria ocorrido em 2010 e destinado à campanha do ex-parlamentar, hoje presidente nacional do MDB, à reeleição, de acordo com força-tarefa. O pagamento teria sido enviado por meio de doação eleitoral oficial em junho de 2010 ao Diretório do MDB  de Roraima, estado do ex-senador. “As propinas, assim, irrigaram a campanha de reeleição de Jucá ao Senado, bem como as campanhas do filho e de ex-esposa para o Legislativo”, diz o MPF.

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Foto: Agência Petrobras

O MPF afirma que o valor teria sido pago por causa da celebração de quatro contratos e sete aditivos entre a empreiteira Galvão Engenharia e a Transpetro.

“Em datas não precisadas, entre 06 de janeiro de 2009 e 21 de junho de 2010, SÉRGIO MACHADO, na condição de Presidente da TRANSPETRO, e ROMERO JUCÁ, então Senador do PMDB (agremiação partidária responsável pela manutenção de SÉRGIO MACHADO no cargo), solicitaram, para si e para integrantes do partido, vantagem indevida de DARIO GALVÃO, presidente da GALVÃO ENGENHARIA, por 11 (onze) vezes, em razão de 4 (quatro) contratos e 7 (sete) aditivos de valor firmados entre a GALVÃO ENGENHARIA e a TRANSPETRO, no importe de 5% dos contratos”, diz trecho da denúncia.

 

Defesa de Jucá

O advogado de Romero Jucá, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, rebateu, em nota, a denúncia e desqualificou a delação de Sergio Machado. “Acreditar, a esta altura, que o sr Sergio Machado falava em nome do ex-senador Romero Jucá só pode ser imputado a esta sanha punitiva que tem desmoralizado o trabalho da Operação Lava Jato nos últimos tempos”, diz trecho da nota.

Confira a nota da defesa do ex-senador na íntegra

“A defesa do ex-Senador Romero Jucá vem a público consignar a absoluta falta de cuidado técnico por parte do MP na recente denúncia apresentada. O Ministério Público Federal tem a ousadia de apresentar o sr. Sérgio Machado como sendo uma pessoa que falava em nome do ex-senador Jucá. Ora, o sr. Sérgio Machado já deu provas nos últimos tempos que sua palavra não tem nenhuma credibilidade, sendo que houve até um pedido pela perda dos benefícios de sua delação por entender a autoridade policial que ele não dizia a verdade em seus depoimentos.

Acreditar, a esta altura, que o sr Sergio Machado falava em nome do ex-senador Romero Jucá só pode ser imputado a esta sanha punitiva que tem desmoralizado o trabalho da Operação Lava Jato nos últimos tempos. Ademais afirmar que a contrapartida para a corrupção foi a indicação deste senhor para o cargo de presidente da Transpetro é, mais uma vez, a clara tentativa de criminalizar a política. Atividade esta que os membros da força tarefa se empenharam com vigor, e que é um dos motivos da canibalização das estruturas políticas que levaram o Brasil a enfrentar esta quadra difícil, deprimente e punitiva.

Sem deixar de consignar que, mesmo aceitando o raciocínio do MP, que é não verdadeiro, em respeito à decisão recente do Supremo esta Denúncia teria que ter sido oferecida junto à Justiça Eleitoral pois se trata de imputações referentes a questões eleitorais, doações de campanha. A Defesa se reserva o direito de fazer os questionamentos técnicos no processo reiterando a absoluta confiança no Poder Judiciário e lamentando, mais uma vez, a ânsia abusiva de poder por parte do Ministério Público”, diz a nota assinada pelo advogado de Jucá.


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