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30/05/19
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Procurador diz que recondução de Dodge causaria ‘instabilidade’ no MPF

30 / maio
Publicado por Douglas Fernandes em Notícias às 10:49

Candidato à lista tríplice para a sucessão na Procuradoria-Geral da República (PGR), o procurador regional José Robalinho Cavalcanti criticou a atual PGR, Raquel Dodge, por, segundo ele, estar tentando chegar à recondução no cargo “passando por cima” da lista da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Em entrevista à Rádio Jornal nesta quinta-feira (30), José Robalinho disse que a manutenção de Raquel Dodge no posto causaria “muita instabilidade porque teria uma falta de confiança do Ministério Público na sua chefia”.

“É muito ruim para o País, para o Ministério Público Federal (MPF), essas cogitações que, infelizmente, eu acho que tem base da procuradora-geral tentando chegar à recondução sem passar pela lista. Raquel é procuradora-geral da República, escolhida dentro da lista tríplice há dois anos atrás. Há quatro anos atrás também já fez parte da lista tríplice. Sempre foi uma defensora da lista”, disse Robalinho, que foi presidente da ANPR por dois mandatos.

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O procurador disse esperar que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tenha a mesma avaliação sobre a eventual recondução de Raquel, que termina seu mandato em setembro.

“Esperamos que o presidente Bolsonaro e mesmo todas as forças políticas enxerguem isso de maneira muito clara. Raquel tinha todas as condições não apenas normativas, legais, mas de vontade se ela quisesse a recondução dentro da lista de concorrer pela lista tríplice como ela fez nas últimas vezes. Se ela assim não o fez, é porque ela deveria estar dando por encerrado seu ciclo, que é perfeitamente natural, era direito dela”, afirmou. 

Para o ex-presidente da ANPR, uma indicação de qualquer pessoa fora da lista não teria independência e liderança e que no caso da atual procuradora-geral o cenário “seria ainda pior”. “Porque alguém que já foi da lista, depois rasga essa sua convicção e se candidata fora da lista, provavelmente, nos teríamos o inverso da estabilidade. Nós teríamos muita instabilidade porque teria uma falta de confiança do Ministério Público na sua chefia. Significaria um Ministério Público mais errático, com atitudes que não estariam coordenadas, que com isso daria em um serviço menos bom ao País”, disse.

Confira a entrevista com José Robalinho na íntegra:

Histórico

O presidente já deu declarações que não tem compromisso em indicar um nome da lista tríplice para o cargo. Em 2001, quando foi promovida pela primeira vez, a lista não foi acolhida na indicação para a PGR pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Desde 2003, no governo Lula (PT), o primeiro nome da lista é escolhido para o cargo. O que acabou virando uma tradição.

A tradição acabou quebrada pelo ex-presidente Michel Temer (MDB), que preferiu indicar a atual procuradora-geral Raquel Dodge, que ficou na segunda posição na lista, ao invés do primeiro colocado na ocasião, o subprocurador Nicolau Dino. Dino é irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), adversário de José Sarney (MDB), o que pesou na decisão.

Já há 10 candidatos ao posto, entre eles está o pernambucano José Robalinho Cavalcanti, procurador da República e ex-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Com direito a disputar a recondução, Raquel Dodge preferiu não participar da eleição interna, mas isso não significa que ela não esteja disposta a continuar no cargo. Ela já sinalizou estar disposta a permanecer no posto caso Bolsonaro a indique.


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