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24/05/19
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Foto: José Cruz/Agência Brasil

Guedes diz que pode renunciar em caso de não aprovação da reforma

Notícia

24 / maio
Publicado por Douglas Fernandes em Notícias às 9:10

Em meio à relação tensa entre o governo Jair Bolsonaro (PSL) e o Congresso na tramitação da reforma da Previdência, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que se a proposta não for aprovada, “não dá para permanecer no cargo”. A declaração foi dada em entrevista à revista Veja. Nela, o ministro também citou a possibilidade de abandonar o cargo se “sentir” que o presidente não quer a reforma e a mídia e a oposição estiverem a fim de “bagunçar”. 

“Deixa eu te falar um negócio que é importante. Eu não sou irresponsável. Eu não sou inconsequente. Ah, não aprovou a reforma, vou embora no dia seguinte. Não existe isso. Agora, posso perfeitamente dizer assim: ‘Olha, já fiz o que tinha de ter sido feito. Não estou com vontade de ficar, vou dar uns meses, justamente para não criar problemas, mas não dá para permanecer no cargo’. Se só eu quero a reforma, vou embora para casa. Se eu sentir que o presidente não quer a reforma, a mídia está a fim só de bagunçar, a oposição quer tumultuar, explodir e correr o risco de ter um confronto sério… pego o avião e vou morar lá fora”, disse Paulo Guedes.

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Segundo Guedes, a não aprovação da reforma poderá levar o Brasil a um estado de “convulsão” e provocar um “caos” no setor público da União, dos Estados e municípios. “Não vamos ter nem dinheiro para pagar aos funcionários”, disse. Na avaliação do ministro, o cenário poderá levar à aposta em um impeachment e o país poderá virar “uma Argentina”, que hoje sofre com uma grave crise econômica.

“A Previdência é hoje um buraco negro, que engole tudo ao redor. O déficit tem crescido cerca de 40 bilhões de reais por ano. A reforma é urgente, porque os mercados não vão esperar muito mais. Eles fogem antes. A engolfada pode vir em um ano, um ano e meio. Quando os mercados sabem que o negócio vai quebrar daqui a três ou quatro anos, eles antecipam os movimentos. O dólar já começa a subir, a bolsa começa a afundar e a classe política, que poderia estar trabalhando numa agenda construtiva de descentralização de recursos, começa a se afastar dessa pauta para apostar num impeach­ment. Esse é o diagnóstico: a curto prazo, podemos virar uma Argentina, com 30% a 40% de inflação. A médio prazo, antes de o governo acabar, uma Venezuela, com desabastecimento, inflação alta, dólar explodindo, zero investimento, desemprego elevado, atraso de salário, atraso de pagamentos a aposentados e pensionistas”, afirmou o ministro.


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