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17/05/19
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem

No Recife, protesto contra bloqueio do MEC atrai políticos de esquerda

17 / maio
Publicado por Douglas Fernandes em Notícias às 9:28

Nessa quarta-feira (16), manifestantes foram às ruas em todas as capitais do País para protestar contra o bloqueio de 30% nos orçamentos das universidades federais. No Recife, o ato, que começou na Rua da Aurora e terminou na Praça do Carmo, contou com a participação dos reitores das Universidades Federal e Rural de Pernambuco e da Universidade de Pernambuco (UPE), estudantes, professores, centrais sindicais, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, partidos de esquerda e políticos. A União Nacional do Estudantes (UNE) já convocou uma nova paralisação para o dia 30.

A Polícia Militar mais uma vez não fez a contagem dos participantes de manifestações. Os organizadores estimaram a presença de 50 mil pessoas. Durante a manifestação, líderes estudantis e de sindicatos dos professores se revezaram no microfone do trio elétrico principal. Além das críticas à decisão do MEC, houve discursos contrários à reforma da Previdência.

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Em entrevista à Folha de São Paulo, o reitor da UFPE, Anísio Brasileiro, ressaltou que a medida anunciada pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, poderá paralisar as atividades da instituição no segundo semestre.”Só temos condição de funcionar, de maneira precária, até setembro. Já tivemos 32 bolsas de pós-graduação cortadas. Não tem disputa entre educação básica e superior, temos que defender um projeto que possibilite que os estudantes possam se formar e desenvolver o país”, disse o reitor.

Também presente no ato, a vice-governadora Luciana Santos, presidente nacional do PCdoB, criticou o discurso do presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobre destinar mais recursos na educação básica ao defender o bloqueio de recursos no ensino superior. Segundo a comunista, a fala é um “pretexto para desmontar políticas públicas”.

“A princípio, eles disseram que estavam cortando 30% das universidades porque iria destinar para a educação básica. Logo em seguida, também disseram que não iria houver corte na educação básica e também na educação infantil. Na verdade, esse é mais um pretexto para continuar cortando e desmontando as políticas públicas mais básicas e mais essenciais para a vida do povo brasileiro. E essa agenda do governo a gente precisa rechaçar com força desde já porque estamos vendo ir para o ralo questões que são fundamentais como estratégia de desenvolvimento nacional. Nós precisamos de crescimento e crescimento parte do pressuposto de uma educação forte, de inovação tecnológica, e o Estado a serviço da indução do desenvolvimento”, afirmou a vice-governadora.

Já o presidente da Central Única dos Trabalhadores de Pernambuco (CUT-PE), Paulo Rocha, disse que a pressão do movimento pode fazer Bolsonaro recuar. Um recuo foi até anunciado por líderes partidários que estiveram reunidos com o presidente no Palácio do Planalto, mas acabou desmentido pela assessoria da Casa Civil logo depois.

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“Se a gente não fazer pressão, ele (Bolsonaro) não vai recuar. Se a sociedade brasileira não fazer pressão, ela vai ter um preço muito caro no futuro. O que está acontecendo no Brasil, considerando o que acontece no mundo, é que se acaba com a tecnologia, acaba com a ciência, acaba com a educação, as futuras gerações estarão fadadas ao desemprego, à fome e à miséria”, criticou o presidente da CUT-PE.

“Os empregos que vêm para o futuro necessitam que as pessoas tenham conhecimento, conheçam tecnologia, conheçam informação e o que Bolsonaro está fazendo é tirar da juventude o direito dela ter formação”, emendou.

O vereador do Recife Rinaldo Júnior (PRB), presidente da Força Sindical em Pernambuco, chamou de “desmonte” da educação pública a medida do MEC e disse ser “extremamente danoso” para o Estado os cortes que atingem instituições federais.

“É o desmonte da educação pública, gratuita, de qualidade. Esse corte é extremamente absurdo. E hoje a gente está vendo a população veio às ruas. Me parece que veio pessoas que estão realmente com interesse de defender a educação. Esse corte de 30% no orçamento aqui em Pernambuco é extremamente danoso”, disse o parlamentar.

Para Rinaldo Júnior, os parlamentares que apoiam o bloqueio dos recursos podem ser “hostilizados” na rua.

“Os parlamentares que estão lá em Brasília sabem que dependem dos seus Estados para voltar para Brasília. Não é à toa que esse movimento hoje aí cresceu. Então, eu espero que o parlamentar que ainda tenha a esperança de aceitar o corte na educação que reflita. Porque corre muito risco de ser hostilizado pela rua. Porque educação pública de qualidade é para todos e não só para os ricos”, afirmou o vereador.
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