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24/04/19
Foto: Roberto Soares/Alepe
Foto: Roberto Soares/Alepe

Grupos LGBT repudiam falas da bancada evangélica da Alepe sobre concurso

24 / abr
Publicado por Douglas Fernandes em Notícias às 12:01

Após a sessão plenária na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) marcada pelo debate sobre o concurso de fotografias promovido pela Secretaria estadual da Mulher, entidades LGBT do Estado repudiaram, em nota, as declarações de integrantes da bancada evangélica que criticaram a iniciativa. Sem citar nomes, os grupos afirmam que as falas foram preconceituosas e chamaram de “excelência fundamentalista” um dos deputados mais críticos à à ação da secretaria do governo Paulo Câmara (PSB).

“O Concurso Marylucia Mesquita não é um incentivo à lesbianidade como afirmou grosseiramente uma “excelência” fundamentalista. O objetivo do Concurso é promover a reflexão sobre o amor e o respeito às lésbicas e mulheres bissexuais”, diz trecho da nota.

Essa resposta foi direcionada ao deputado estadual Joel da Harpa (PP). Em fala no plenário nessa terça (23), o parlamentar disse que o concurso “é um política de incentivo ao homossexualismo (sic), algo que a bancada evangélica, que defende a família, jamais pode concordar”.

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Na manifestação, assinada pelo Comitê Interinstitucional Pró-Lésbicas e Mulheres Bissexuais de Pernambuco (CIPLMB-PE) e o Coletivo de Lésbicas e Mulheres Bissexuais de Pernambuco (COMLESBI-PE), também são criticados o que chamam de “cinismo oportunista” de alguns parlamentares e o governo Jair Bolsonaro (PSL), a qual acusam de impor um “retrocesso aos direitos humanos”.

“Importa destacar que esse não é o nosso primeiro enfrentamento ao preconceito, mas enxergamos aí um cinismo oportunista de determinadas figuras de atuação parlamentar inexpressiva que tentam a todo custo alçar alguma visibilidade criando falsas polêmicas para saírem da sombra do anonimato, encorajadas pela caquistocracia que dirige atualmente o país, impondo retrocesso aos direitos humanos”, afirmam os grupos.

Confira a nota na íntegra 

“Nós, lésbicas e mulheres bissexuais, que integramos o Comitê Interinstitucional Pró- Lésbicas e Mulheres Bissexuais de Pernambuco (CIPLMB-PE) e o Coletivo de Lésbicas e Mulheres Bissexuais de Pernambuco (COMLESBI-PE) , vimos a público expressar nosso repúdio às declarações lesbofóbicas registradas, nessa terça-feira (23), na Assembleia Legislativa de Pernambuco pela bancada “evangélica”.

Há na Secretaria da Mulher de Pernambuco diversos Comitês, entre eles o das Mulheres Idosas, Mulheres Negras e Mulheres com deficiência, entre outros. O diálogo entre os movimentos de lésbicas e mulheres bissexuais e a Secretaria da Mulher existe desde 2007 e o Comitê foi formalizado no ano de 2015. É necessário compreender que o Concurso de Fotografia Marylucia Mesquita é uma construção do Comitê desde o início de 2018, cuja iniciativa objetiva visibilizar a pauta da lesbianidade e do amor entre mulheres, como instrumento de promoção do respeito à diversidade e à promoção de uma cultura de paz.

Desde o ano de 2015, o referido Comitê realiza diversas atividades a exemplo da construção, reprodução, divulgação e distribuição da Cartilha de Atenção a Saúde das Lésbicas; os Seminários sobre a saúde das lésbicas e mulheres bissexuais; Curso sobre a História do Movimento de Lésbicas no Brasil; intervenção em unidades prisionais femininas para garantir as mulheres reeducandas tratamento humanitário e o máximo de ressocialização; criação da ala das lésbicas e mulheres bissexuais na parada da diversidade garantindo visibilidade para a pauta, dentre várias outras, nas diversas áreas de atuação do Estado, uma vez que temos representantes de todas as secretarias atuando no comitê.

A opinião desses parlamentares é de tamanho preconceito que ações de outros Comitês encabeçados pela Secretaria da Mulher, como por exemplo, o Prêmio Literário da Mulher Idosa Anita Paes Barreto, não sofreu esse bombardeio mesmo “segmentando” (como argumenta a bancada em questão) as mulheres pela questão geracional; ou o Programa Chapéu de Palha Mulher, que desenvolve atividades específicas para mulheres rurais.

O Concurso Marylucia Mesquita não é um incentivo à lesbianidade como afirmou grosseiramente uma “excelência” fundamentalista. O objetivo do Concurso é promover a reflexão sobre o amor e o respeito às lésbicas e mulheres bissexuais.

Importa destacar que esse não é o nosso primeiro enfrentamento ao preconceito, mas enxergamos aí um cinismo oportunista de determinadas figuras de atuação parlamentar inexpressiva que tentam a todo custo alçar alguma visibilidade criando falsas polêmicas para saírem da sombra do anonimato, encorajadas pela caquistocracia que dirige atualmente o país, impondo retrocesso aos direitos humanos.

Já somos forjadas na luta pela sobrevivência diante do machismo estrutural que ameaça a nossa existência com mecanismos diversos de repressão e violência extrema e não será uma bravata que nos fará vacilar.

A revolução é sapatão e não permitiremos que neguem nossa existência ou invisibilizem nossa luta pautados em fundamentos religiosos, enquanto estivermos em um estado laico e democrático de direito que tem obrigação de garantir igualdade de direitos e oportunidade para todas e todos!

COMLESBI-PE

Compõem este coletivo e assinam essa Carta:
Fórum LGBT de Pernambuco
Candaces
Leões do Norte
Luas
Bloco da Diversidade”


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