publicidade
13/04/19
Foto: Gleyson Ramos/Divulgação
Foto: Gleyson Ramos/Divulgação

Gleide Ângelo vê risco para mulheres com flexibilização da posse de armas

13 / abr
Publicado por Amanda Miranda em Notícias às 19:55

A deputada estadual Gleide Ângelo (PSB) avalia que aumenta o risco às mulheres com a flexibilização da posse de armas, feita em decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) em janeiro. “Geralmente, o agressor assassino é aquele homem que tem profissão definida, é uma pessoa considerada de bem, é um bom funcionário e amigo, e vai ter o direito ao registro da arma de fogo. É essa pessoa que vai matar a mulher”, argumentou em entrevista ao cientista político Antônio Lavareda no programa 20 Minutos que foi exibido neste sábado (13), na TV Jornal.

A entrevista vai ao ar novamente neste domingo (14), às 11h40, na Rádio Jornal.

Gleide Ângelo enfatizou que o instrumento mais usado no feminicídio já era a arma de fogo, antes mesmo do decreto. “O feminicídio é um crime de ódio, de rompante, não é um crime em que o agressor diz: ‘eu vou matá-la tal dia’. Não, é durante uma briga em casa, na hora da raiva, com o que ele tiver. Quando eu vou para local de crime, o que eu vejo? A mulher com 20, 30 facadas no rosto. Ele tenta desconfigurar a mulher”, afirmou. “Se ele tiver uma arma de fogo em casa, não tenha dúvida do risco que ela está correndo, ele vai pegar a arma e atirar”.

O decreto de Bolsonaro torna possível comprar até quatro armas, dobra o prazo de validade do registro para dez anos e estabelece critérios para comprovar a efetiva necessidade, requisito para garantir a posse de armas. Entre eles está residir em áreas urbanas com elevados índices de violência, considerando as que tenham índices anuais de mais de dez homicídios a cada 100 mil habitantes em 2016 de acordo com o Atlas da Violência 2018.

Prevenção da violência doméstica

Gleide Ângelo defende que, mais importante do que o trabalho de repressão feito pela polícia, sejam implantadas políticas públicas que aumentem a autonomia financeira e deem condições psicológicas para auxiliar as vítimas de violência doméstica a interromper esse ciclo. “Podem ter 500 leis Maria da Penha, 500 delegacias com 500 Gleides, mas muitas mulheres que estão sofrendo violência não estão conseguindo chegar lá para buscar ajuda porque estão sofrendo o ciclo da violência”, apontou.

Foto: Gleyson Ramos/Divulgação

A deputada defendeu um projeto de lei de sua autoria que indica ações prioritárias para os 5% do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Municipal (FEM) destinados a políticas para as mulheres. Para ela, devem ser garantidos centros de referência e creches, além de ações para estimular o empreendedorismo e com atendimento psicológico para as mulheres. “Uma mulher psicologicamente e financeiramente bem resolvida não vai aguentar mais nenhum grito de nenhum agressor”, afirmou.

A deputada estadual vê ainda na educação de crianças e adolescentes uma das soluções. “A gente precisa trabalhar na sociedade o fim dessa cultura do machismo, tem que ter o trabalho de conscientização. Ninguém vai acordar e dizer: ‘não sou mais machista'”, disse a Lavareda. “Quem muda a cultura é a sociedade. Polícia não muda cultura”, opinou. “O nosso grande problema é a forma que as famílias estão criando seus filhos. A gente reproduz o que aprende: ‘se com minha avó foi assim, com minha mãe também, comigo, meu menino pode tudo e minha menina não pode nada'”, exemplificou.

 

Chegada à política e eleições 2020

A possibilidade de trabalhar na formulação dessas ações foi o que, segundo ela, foi decisivo para que deixasse a Polícia Civil e buscasse a política. Delegada há cerca de dez anos, Gleide Ângelo atuou nas unidades especializadas em roubos e furtos e em homicídios, entrando em evidência em Pernambuco pela resolução de casos como os assassinatos da turista alemã Jennifer Kokler, em 2010, e Maria Alice Seabra, em 2015. Em abril de 2017, assumiu a chefia do Departamento de Polícia da Mulher de Pernambuco.

Gleide Ângelo deixou o cargo um ano depois, por exigência da legislação eleitoral. Foi eleita em 2018 com 412.636 votos, recorde histórico na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A parlamentar assumiu a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Casa e comemora que, agora, as dez integrantes do colegiado são mulheres, tanto as cinco titulares quanto as cinco suplentes.

 

“As mulheres precisam, sim, ir ocupando o seu espaço em lugares de poder e decisão”, afirmou. “Sentamos na primeira bancada da Alepe e é uma forma de dizer: nós estamos aqui e vamos pensar, sim, para a mulher. Porque mulher também precisa e tem que ocupar esse espaço, que não é masculino, é de todos”.

Após o resultado recorde nas urnas, a delegada passou a ser cotada para a disputa municipal em 2020, principalmente em Jaboatão dos Guararapes, onde o prefeito, Anderson Ferreira (PR), é opositor do governador Paulo Câmara (PSB). Em 2016, ela atuou na campanha do deputado estadual Cleiton Collins (PP) na cidade, que é o segundo maior colégio eleitoral de Pernambuco. Na entrevista a Antonio Lavareda, afirmou que são especulações.

“O que eu posso dizer é que tive 412 mil votos para ir para a Assembleia Legislativa e eu preciso trabalhar. Se eu pensar 2020, não faço nada em 2019. Vamos trabalhar 2019, colocar meus projetos em prática. Quando chegar 2020, e está longe ainda porque tenho muito o que fazer, a gente fala de 2020. É muito prematuro ainda. Vamos pensar no presente e depois a gente constrói o futuro”, desconversou sobre a possibilidade de ser candidata.


FECHAR