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12/04/19
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Ministério da Justiça nega ter pedido cessão de delegada Patrícia Domingos

12 / abr
Publicado por Douglas Fernandes em Notícias às 15:26

Após quase um mês da notícia sobre o pedido de transferência da ex-titular da Delegacia de Crimes contra a Administração e Serviços Públicos (Decasp) Patrícia Domingos para a pasta do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, a assessoria do próprio ministério, por meio de nota oficial, negou ao Blog de Jamildo que a solicitação tenha sido enviada para o governo de Pernambuco.

Em uma nova nota enviada na noite desta sexta-feira (12), a pasta explicou que analisou o nome de Patrícia Domingos e de representantes de outros estados. “No entanto, não foi formalizado ofício solicitando ao governo do estado a mobilização da servidora ao MJSP”, reafirmou.

A negativa vem em um momento em que circula nas redes sociais a notícia de que o governador Paulo Câmara (PSB) teria negado o pedido de Moro. “Informamos que a Senasp não enviou ofício referente à mobilização da delegada Patrícia de Oliveira Domingos”, disse, em resposta por e-mail, a assessoria do Ministério da Justiça.

A delegada já havia dito, inclusive, ter aceitado o convite para integrar a Diretoria de Políticas Públicas na Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e chegou a afirmar, em entrevista à Rádio Jornal, aguardar a resposta da Secretaria de Defesa Social (SDS) para assumir o novo cargo como cedida pelo governo do Estado.

A articulação para essa possível transferência tinha sido anunciada e assumida pelo secretário de Ecoturismo do Ministério do Meio Ambiente, Gilson Machado Neto, em vídeo enviado ao Blog de Jamildo. Amigo do presidente Bolsonaro, Machado Neto é um dos novos líderes da direita em Pernambuco e chegou a tentar disputar um mandato ao Senado, na chapa do coronel Meira.

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No mês passado, um suposto ofício com o pedido de transferência da delegada Patrícia para a pasta de Moro chegou a ser enviado ao blog, sem autorização da fonte para apresentação.

Diante da negativa sobre o convite, o blog questionou o Ministério da Justiça sobre o suposto documento oficial, também enviado ao órgão, mas não obteve resposta. No texto que aparece na imagem do documento, o secretário nacional de segurança pública-adjunto, Fernando Almeida Riomar, fazia um pedido para a cessão de Patrícia e solicita uma resposta até o dia 15 de março, conforme publicado anteriormente pelo blog.

Até a publicação desta matéria, a assessoria do ministério não havia enviado resposta sobre a veracidade do documento reproduzido na imagem. O ofício tem a data de 12 de fevereiro, mas só teria sido assinado eletronicamente um mês depois, no último dia 13 de março, pelo secretário nacional de segurança pública-adjunto. O Blog acessou, então, uma seção do próprio site da pasta de Moro para tentar ver a autenticidade do documento.

Ao consultar o sistema com os códigos de verificação do arquivo, aparece a mensagem de que o ofício com esses números de identificação foi cancelado no mesmo dia do prazo para a resposta da Secretaria de Defesa Social (SDS). Procuramos também a própria Senasp, mas fomos orientados a encaminhar o pedido à assessoria do ministério.

Consultado, o governo do Estado, por meio de sua assessoria de imprensa, também negou que o documento com o pedido cessão de Patrícia Domingos tenha chegado à administração. A SDS também reafirmou que nenhum ofício com esse teor foi recebido pelo secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua. 

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Em entrevista à Rádio Jornal no dia 15 de março, a delegada comentou sobre o convite.”Eu aceitei o convite. Foi uma honra receber esse convite. E significa para gente a possibilidade de continuar atuando e poder fazer um pouco mais pelo nosso País. Inclusive, também continuar atuando, mas em outro nível em relação ao combate à corrupção, que é um das bandeiras adotadas pelo ministério”, afirmou Patrícia.

A delegada afirmou estar feliz com a repercussão da notícia e voltou a falar da polêmica extinção da Decasp, onde ela foi responsável por operações como a Ratatouille e a Castelo de Farinha, que investigaram supostas irregularidades na contratação de merenda escolar nas prefeituras do Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca, respectivamente.

“Mais uma vez para gente é uma alegria perceber que o povo pernambucano reconheceu a relevância do trabalho da Decasp e ainda tem interesse nesse assunto para que essa história tenha realmente um desfecho feliz para todos nós”, disse.

Em entrevista ao Resenha Política da TV JC no dia 9 de novembro, a delegada afirmou que não tem pretensão política. “Eu não sou de Pernambuco (sou do Rio ), não tenho parente nenhum no Nordeste, vínculo nenhum. Não tenho nenhuma pretensão política. Quero somente ser uma delegada de polícia. Fiz concurso para isso”, disse Patricia.


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