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09/01/19
Foto: Alepe/Divulgação
Foto: Alepe/Divulgação

Oposição aproveita prisão de Lula Cabral para tentar se viabilizar em 2020

09 / jan
Publicado por Amanda Miranda em Notícias às 10:36

Com a prisão do prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral (PSB), a oposição no município iniciou uma articulação para tentar quebrar a hegemonia do grupo do socialista nas eleições, que vem há 15 anos. Pelo menos quatro nomes buscam se viabilizar para o pleito de 2020, três no grupo dos Gomes e um que pretende acompanhar a onda do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

A última vez que a oposição venceu no Cabo foi em 2000, quando o hoje tucano Elias Gomes, ainda no PPS, obteve 46.507 votos e superou Lula Cabral com 59,06%. Então no PFL, Lula Cabral ficou com 32.230 votos, o equivalente a 40,93%.

Quatro anos depois, em 2004, o atual socialista foi eleito pela primeira vez para a prefeitura, pelo PTB, com 41.597 votos, ou seja, 43,46%. Desde então, ele ou o seu grupo saíram vitoriosos. Em 2008, Lula Cabral foi reeleito também pelo PTB, com 62.858 votos.

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Já em 2012, quando não poderia se candidatar, o prefeito conseguiu eleger Vado da Farmácia (PV), com 63.336 votos. Os dois depois romperam e passaram a ser adversários políticos. Já em 2016, Lula Cabral voltou à prefeitura, eleito com 66.970 votos.

Nas duas últimas eleições, o candidato derrotado foi o deputado federal Betinho Gomes (PSDB), filho de Elias Gomes. O tucano não conseguiu também renovar o mandato na Câmara.

Apesar disso, o nome dele é um dos cotados para 2020.

“É muito cedo tomar essa decisão”, afirma Betinho Gomes.

Acusações de corrupção

Para ele, a oposição deve ficar unida contra o projeto de Lula Cabral e adotar a estratégia de pregar um discurso de mudança.

“A oposição sairá muito fortalecida. Os alertas que fizemos durante 13 anos estão se confirmando. O Cabo virou um antro de corrupção e isso significa tirar dinheiro de áreas essenciais. Coisa mais criminosa que isso não existe”, opina. “A partir desse momento a gente tem o principal adversário nessa situação (preso), uma cidade sem comando. Apesar de ter o vice no cargo temporariamente tomando a frente, as ordens continuam vindo do Cotel”. 

Foto: Ananda Borges/Câmara dos Deputados

Minimizando atritos com aliados, Betinho Gomes enfatiza que não é o único candidato possível no grupo, mas que tem interesse na disputa. Além disso, frisa que as reuniões individuais e coletivas vão começar esta semana para traçar uma estratégia da oposição.

“Perdi a eleição, mas continuo tendo influência. Fui atingido por um fator nacional que tirou da Câmara muitos deputados bons, mas não significa que há ojeriza ao meu nome. Estive longe dos dois polos (de Bolsonaro e Lula) e isso também tem influência, porque você perde o ‘fator onda’ para surfar nela. E fiz parte de um projeto que teve fragilidades grandes”, justifica Betinho Gomes.

De acordo com o tucano, outras opções são os vereadores Ricardinho (SD) e José Arimateia (PSDB). 

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“É natural que surja especulação sobre nomes que estão tendo papel importante neste momento. Foi a oposição que levou esse assunto à Polícia Federal e ao Ministério Público, que alertou sobre essa questão (supostas irregularidades cometidas no fundo de previdência municipal, o Caboprev, investigação que levou Lula Cabral à prisão). Foi Ricardinho que puxou esse assunto”, afirma ainda o tucano.

Arimateia, outro nome especulado para a disputa da prefeitura, também trata como “natural” a especulação. “Isso é uma coisa que se especula na cidade em função da nossa atuação na prisão do prefeito. A gente, como oposição, teve papel fundamental tanto na denúncia quanto no processo e tem combatido e brigado para que a justiça seja feita”, diz. “Foi uma coisa natural, embora eu particularmente ache que não é tempo ainda de estar se falando em nome. Se lá na frente for meu nome, tudo bem, estou pronto e preparado”.

Tanto Arimateia quanto Betinho dão, assim, o tom que deve ser usado pela oposição nesse período: chamar atenção para as denúncias de corrupção. Eles enfatizam que no passado três operações chamaram atenção no Cabo: a Ghost, que levou ao afastamento de vereadores; a Ratatouille, para investigar a contratação de merenda escolar, e a Abismo, que levou à prisão de Lula Cabral.

“É sabido que a gente precisa tirar a cidade das mãos dessa quadrilha”, acusa Arimateia. 

O Blog de Jamildo não conseguiu contato com o vereador Ricardinho.

Onda Bolsonaro

Outro lado da oposição é o do empresário Eduardo Cajueiro. “Existe um interesse da minha parte. Venho participando de reuniões”, admite. Ele diz ter admiração pelo PSL, partido de Jair Bolsonaro, mas que tem conversado com lideranças do Novo, em um projeto de candidatura que surgiu há cerca de três meses. “O cenário que tem hoje na política pede um nome novo que não seja político profissional”, defende. 

Em relação a Lula Cabral, Cajueiro diz que “o cenário político está um pouco fragilizado”, mas que a questão deve ser resolvida na Justiça.

Além disso, caminha distante da oposição formal ao prefeito. “Se a oposição quiser discutir com o nosso grupo político de uma forma republicana, estamos à disposição para sentar e conversar”, diz. 

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Eduardo Cajueiro propõe buscar parcerias com o governo federal. Ligado à área de transporte de combustíveis, defende a retomada do segundo trem da Refinaria Abreu e Lima e o incentivo à indústria naval. Quer ainda, na campanha, tentar estreitar relações com os municípios vizinhos, tanto Jaboatão dos Guararapes quanto Ipojuca. Enquanto no primeiro o prefeito é Anderson Ferreira (PR), aliado de Bolsonaro, no segundo a prefeita Célia Sales (PTB) foi eleita com apoio de Lula.

“Precisamos dialogar com o setor produtivo no Cabo, coisa que nos últimos dois anos não temos visto”, critica Cajueiro. “Quero ter um compromisso com o Cabo, que volte a crescer de forma sustentável, respeitando o meio ambiente e a legislação. Acima de tudo, facilitando a vida dos empresários e de quem queira investir no Cabo e não colocando barreiras e dificultando”.

Prisão de Lula Cabral

Lula Cabral foi preso no dia 19 de outubro, na Operação Abismo. Desde então, o vice-prefeito Keko do Armazém (PDT) está no comando da prefeitura. Entre acusações da oposição de que ele estaria recebendo ordens do socialista de dentro da prisão, propôs uma reforma administrativa.

De acordo com as investigações, que correm em segredo de Justiça, Lula Cabral teria supostamente ordenado a transferência de mais de R$ 90 milhões do Caboprev – que antes se encontravam investidos em instituições sólidas – para fundos de investimento que colocavam em em risco o pagamento da aposentadoria dos servidores. Esses fundos eram geridos pela empresa Terra Nova.


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