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19/11/18
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Mais Médicos: a atitude de Cuba demonstra ranço ideológico

19 / nov
Publicado por Artigo em Opinião às 9:25

Por Aldemir Teles, professor da Universidade de Pernambuco (UPE), em artigo enviado ao Blog de Jamildo

A polêmica em torno da retirada dos médicos cubanos do programa Mais Médicos no Brasil merece uma análise mais racional do que aquelas contaminadas por razões ideológicas, protagonizadas, principalmente, pela militância de esquerda.

Em primeiro lugar, está claro que foi o governo ditatorial de Cuba que determinou a saída, unilateralmente, antes de qualquer conversação com o governo atual brasileiro. As declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) foram de que aceitaria manter o acordo com Cuba para o Mais Médicos se os profissionais aceitassem realizar e passar na prova do Revalida. “Se fizerem o Revalida, salário integral, poder trazer a família, eu topo continuar com o programa”, afirmou.

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Outras questões defendidas por Bolsonaro incluíam o tratamento humanitário dos profissionais, a concessão de asilo a aqueles que o desejassem, o direito a receber e/ou trazer familiares para o Brasil e o direito à isonomia salarial, além de outros direitos trabalhistas. Evidente que tais possibilidades provocaram um verdadeiro choque, senão, propostas escandalosas para o regime ditatorial dos Castro.

O Ministério da Saúde Pública de Cuba tratou a questão como “triste realidade”, e partiu para a narrativa de que Jair Bolsonaro “ameaçava a presença de nossos médicos”. Diante de tais argumentos, consta na declaração oficial que “o Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do programa Mais Médicos e assim foi comunicado ao diretor da Organização Pan-Americana da Saúde e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam essa iniciativa.”

Com relação à questão dos pedidos de asilo, em 2017, o governo de Cuba chegou a suspender o envio de um grupo de médicos devido ao aumento no número de ações judiciais de profissionais daquele País que buscavam a permanência no Brasil e no Mais Médicos. Estima-se que 150 ações aguardam julgamento pelos tribunais brasileiros.

A atitude das autoridades cubanas demonstra muito mais sinais de ranço ideológico, do que por parte das autoridades brasileiras. Acredito numa estratégia chantagista ou vingativa apoiada por setores da esquerda nacional, para criar uma “saia justa” ao próximo governo, dificultar a vida dos brasileiros e jogar a população contra o futuro presidente.

Na declaração, já citada, do Ministério da Saúde Pública, consta que o povo brasileiro “será capaz de entender sobre quem recai a responsabilidade que nossos médicos não possam continuar fornecendo sua contribuição de solidariedade naquele país”.

Ou seja, o governo cubano ao jogar a responsabilidade da saída dos seus profissionais para o governo brasileiro, age politicamente numa evidente afronta e interferência política no nosso País. Assim, é impossível não relacionar tal posicionamento aos sórdidos interesses ideológicos.

Por iniciativa do Ministério da Saúde do Brasil, entre 2016 e este ano, houve redução da quantidade de médicos cubanos, que caiu em torno de 3.000 profissionais. Enquanto isso, o número de brasileiros e estrangeiros de outras nacionalidades subiu de 3033 para 7818.

Pelo menos mais duas das narrativas da declaração do governo de Cuba nos chama atenção. A primeira diz que “não é aceitável questionar a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de suas famílias, prestam atualmente serviços em 67 países.” E aí cabe a pergunta: Como um país com uma longa história de repressão, crimes políticos, desrespeito aos direitos humanos e cerceamento de liberdade pode reivindicar dignidade?

A segunda trata o impeachment de Dilma como golpe, usando a mesma narrativa petista, repetida à exaustão pela militância onde houvesse uma “fala”. “Em 27 de setembro de 2016… em meio dos eventos em torno do golpe de Estado legislativo, Judiciário contra a presidenta Dilma Rousseff. Certamente, este tema e muitos outros, irão alimentar as narrativas dos petistas e comunistas no Brasil. O futuro presidente e seus aliados não vão ter vida fácil, assim como não teve FHC e Temer.


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