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08/11/18
Foto: JC Imagem
Foto: JC Imagem

MPF abre investigação sobre ameaças a professores na UFPE

08 / nov
Publicado por Amanda Miranda em Notícias às 17:56

O Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco abriu nesta quinta-feira (8) duas investigações para apurar a ocorrência de ameaças e insultos contra professores e estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Essa semana, circularam no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) panfletos sem assinatura que afirmam que docentes e estudantes serão banidos do centro, alegando posicionamentos políticos, pelo gênero ou pela orientação sexual.

A Polícia Federal afirmou que vai iniciar os procedimentos cabíveis, mas que não vai se pronunciar sobre investigações em andamento.

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Uma apuração foi instaurada na esfera cível, sob responsabilidade da procuradora Carolina de Gusmão Furtado, e outra na criminal, pelo procurador Fábio Holanda Albuquerque. 

Em ambas, o MPF pediu à reitoria da UFPE mais informações sobre o caso.

O Ministério Público quer saber, por exemplo, se foram identificados eventuais responsáveis pelos panfletos e se ainda há materiais expostos ou sendo distribuídos na universidade. Além disso, a UFPE foi questionada se será oferecido acolhimento e suporte institucional aos discentes e docentes intimidados e se adotou medidas em relação às ameaças.

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Os núcleos de direitos humanos das defensorias públicas da União e do Estado divulgaram uma nota afirmando que viram com preocupação a divulgação dos panfletos. “A citada manifestação anônima vai de encontro aos princípios básicos do ensino no ordenamento jurídico brasileiro, dentre os quais a ‘liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber’, do ‘pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas’ e o ‘respeito à liberdade e apreço à tolerância'”.

Panfletos

No texto de um dos panfletos, um professor é apontado como “comunista” e “esquerdista”. Outro é descrito: “esse doutrinador é uma ameaça à moral e aos bons costumes cristãos. O mesmo possui um exército de viados, travecos, feminazis, prostitutas e todos os tipos de degenerados que atentam contra a família”. Em seguida, orientandos são citados com o uso desses termos.

Resposta da UFPE

A universidade disse repudiar “ameaças e insultos” feitos por panfletos e nas redes sociais. “A UFPE não admite, sob qualquer hipótese, que a violência ameace as liberdades de cátedra e individuais. A Universidade defende a academia como o espaço para o pluralismo de ideias. Denúncias de casos como esses podem ser encaminhadas para a Ouvidoria-Geral da UFPE, por meio do site da Universidade”, disse ainda, em nota.

Nessa quarta-feira (7), foi aberta uma sindicância interna para apurar a autoria dos panfletos. A universidade procurou o Ministério Público e a Polícia Federal para pedir a investigação do caso.


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