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07/10/18
Foto: Arthur Marrocos/Divulgação
Foto: Arthur Marrocos/Divulgação

Rifada pelo PT, Marília Arraes é petista mais votada e leva partido de volta à Câmara em PE

07 / out
Publicado por Amanda Miranda em Eleições 2018 às 22:06

Opositora do PSB desde 2014, a vereadora do Recife Marília Arraes viu o PT minar a sua candidatura ao governo de Pernambuco e se aliar ao partido, entrando na chapa majoritária do governador Paulo Câmara. Com a decisão da cúpula petista, que, segundo dirigentes, incluiu o ex-presidente Lula (PT), se colocou para a disputa a deputada federal. Quatro anos após o Partido dos Trabalhadores não eleger sequer um nome para a Câmara dos Deputados, Marília foi a mais votada da sigla, com 193.108 votos com todas as urnas apuradas. Desta vez em chapa puro sangue após a militância e os postulantes se dividirem por causa da aliança fechada no Estado, o PT elegeu também Carlos Veras, aliado de Marília, com 72.005.

Marília foi a segunda mais votada de Pernambuco, atrás apenas do primo João Campos (PSB), que obteve 460.387 votos.

Foto: Divulgação

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Após meses de negociações e vai e vem entre Brasília, Recife, São Paulo e Belo Horizonte, a executiva nacional do PT anunciou no dia 1º de agosto o acordo com o PSB, em que retiraria a candidatura de Marília em Pernambuco e apoiaria a reeleição de Paulo Câmara. Em Minas, o PSB retirou Márcio Lacerda para apoiar o petista Fernando Pimentel, jogo que se repetiu em outros estados. Apesar disso, os socialistas não garantiram apoio formal inicialmente a Lula e depois a Fernando Haddad por divergências locais. Interessava ao PT, porém, impedir o apoio a Ciro Gomes (PDT).

MARILIA E HUMBERTO
Marília Arraes e Humberto Costa após encontro de delegados em Pernambuco (Foto: Leo Motta/JC Imagem)

A petista tentou resistir à decisão nacional, determinação amparada pela presidente da sigla, senadora Gleisi Hoffmann (PR). Um dia depois do anúncio nacionalmente, o PT local manteve a votação dos delegados no Estado – em que defensores da aliança com os socialistas foram vaiados e chamados de golpistas por militantes que estavam do lado de Marília. A vereadora venceu a votação e usou a vitória como argumento em dois recursos apresentados ao diretório e ao encontro nacional do partido. A aliança com o PSB, no entanto, foi mantida e o PT indicou o senador Humberto Costa à reeleição na chapa.

Marília Arraes disse desde o início que não subiria no palanque de Paulo Câmara. E não subiu. Também não teve mais relações políticas com Humberto Costa. A dois dias da eleição, anunciou o apoio à candidata do PSOL ao governo, Dani Portela.

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Em 2014, Marília quase foi candidata a deputada federal.

Foi o único ano desde 1990 que a família de Arraes não teve um integrante disputando – e garantindo entre os primeiros lugares – uma cadeira na Câmara dos Deputados. A ministra do Tribunal de Contas da União Ana Arraes, tia de Marília, foi a deputada federal mais votada em 2010, com 387.581 votos. O resultado foi 20 anos depois que o pai dela, o ex-governador Miguel Arraes, avô da vereadora, obteve o mesmo resultado, chegando à Câmara com 339.158 votos. Antes de ser a mais votada em 2010, Ana Arraes havia ficado em terceiro lugar em 2006, com 178.467 votos, atrás dos 205.212 votos de Armando Monteiro Neto – adversário de Paulo Câmara este ano – e dos 181.126 de Inocêncio Oliveira; Miguel Arraes em quarto em 2002, com 181.235 votos, menos que os 211.864 de Cadoca, os 204.768 de Roberto Magalhães e os 196.474 de Inocêncio Oliveira. Eduardo Campos foi o mais votado em 1998, com 173.657, e o segundo em 1994, com 133.347.

Desde a pré-campanha deste ano, Marília usou os nomes de Lula e de Miguel Arraes, reeditando, inclusive, em suas viagens ao interior o jingle “Arraes tá aí, Arraes tá aí de novo”.

No segundo mandato como vereadora do Recife, Marília Arraes estava se preparando para disputar em 2014. Ela havia deixado o cargo de secretária de Juventude e Qualificação Profissional na gestão de Geraldo Julio (PSB) para cuidar da pré-campanha à Câmara, mas uma briga com o ex-governador Eduardo Campos (PSB), primo dela, fez com que desistisse da disputa. A principal justificativa oficial para a retirada da pré-candidatura, foi de que as decisões sobre o partido estariam sendo impostas pela cúpula, formada pelo primo, que naquele ano tentava a presidência.

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O racha começou com a indicação, por Eduardo Campos, do filho João Campos para presidir a Juventude do PSB em Pernambuco. Marília também pleitearia o cargo, mas, depois do conflito, passou a ser dissidência no partido. Este ano, João também se candidatou a deputado federal, e foi eleito com 460.387 votos.

Marília Arraes passou a criticar as posições do partido e aderiu à campanha petista. Naquele ano, o PSB havia rompido com o PT nacionalmente e, com a candidatura de Marina Silva após a morte de Eduardo Campos no primeiro turno, apoiou Aécio Neves (PSDB) no segundo turno. A vereadora ficou do lado de Dilma Rousseff, que apoiava Armando Monteiro Neto (PTB) – adversário de Paulo Câmara há quatro anos e agora. Naquele ano, foram pichados muros com o nome da vereadora associado à palavra “traidora”.

Em fevereiro de 2016, antes de disputar reeleição na Câmara do Recife, Marília Arraes pediu desfiliação do PSB para concorrer pelo PT.


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