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07/10/18
Fotos: JC Imagem
Fotos: JC Imagem

Operação montada pelo Palácio dá certo e Raul Henry e Renildo Calheiros são eleitos

07 / out
Publicado por Douglas Fernandes em Eleições 2018 às 23:08

Após a apuração dos votos, o Palácio do Campo das Princesas pode comemorar o sucesso da “Operação RR”, antecipada pelo Blog de Jamildo, e que conseguiu eleger o atual vice-governador de Pernambuco, Raul Henry (MDB), e o ex-prefeito de Olinda Renildo Calheiros (PCdoB) deputados federais. Os dois voltam à Câmara Federal depois de, nos bastidores, uma força-tarefa ter sido montada para “salvar” a eleição deles. A vitória dos dois era considerada prioridade para o governador Paulo Câmara (PSB) por se tratarem de aliados de primeira hora do Palácio, que contribuíram para a reeleição do socialista.

Com 87.585 mil votos, o presidente estadual do MDB, Raul Henry, retorna a um mandato de deputado após quatro anos como vice-governador, fator que foi apontado no meio político como uma das barreiras para sua vitória pelo fato de estar tanto tempo longe das suas “bases”. O atual vice-governador não tinha “espaço” para mais uma vez integrar a chapa de Paulo Câmara porque o MDB já estava “contemplado” na majoritária com a candidatura do seu aliado e deputado federal Jarbas Vasconcelos ao Senado. Integrando a chapa proporcional da Frente Popular, nomeada por alguns aliados como “chapão da morte” (o mínimo de votos para se eleger nela era estipulado em 100 mil), a sua volta à Câmara era vista como ameaçada.

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Para o Palácio, o emedebista não poderia ficar sem mandato porque junto com Jarbas lutou para que o MDB continuasse no palanque do governador, fazendo com que o socialista não perdesse um precioso tempo de TV e rádio para a oposição.

O partido virou alvo de uma disputa judicial que se arrastou por meses até as convenções estaduais em agosto deste ano. A briga opôs os dois contra o senador Fernando Bezerra Coelho – que havia saído do PSB e se filiou ao MDB em um acordo costurado com o presidente nacional da sigla, o senador Romero Jucá (RR). Jucá prometeu entregar o comando do diretório estadual do MDB e a oportunidade da tão sonhada candidatura ao governo do Estado. Jarbas e Raul resistiram e, após idas e vinda na Justiça estadual, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Supremo Tribunal Federal (STF), conseguiram manter o comando do MDB e a aliança com Paulo.

Raul Henry, o presidente do TJPE, Leopoldo Raposo, e Fernando Bezerra Coelho (Foto: Dayvison Nunes/JC Imagem)

Eleito com 57.919 mil votos, Renildo Calheiros tinha outra missão difícil mesmo após a deputada federal e ex-prefeita de Olinda Luciana Santos (PCdoB) ter sido indicada como vice na chapa de Paulo Câmara. O movimento abriu a oportunidade para o ex-prefeito concorrer à Câmara. O motivo: não havia “espaço” para os dois na disputa, algo que era assumido pelo próprios aliados. Com a sua principal base em Olinda – cidade que governou por dois mandatos -, Renildo teria que superar o retrospecto ruim das últimas eleições municipais. Em 2016, o ex-prefeito encerrava sua gestão com uma grande rejeição entre os olindenses, o que acabou resultando na derrota de Luciana, sua antecessora que teve seus mandatos bem avaliados, ainda no primeiro turno. Ela acabou ficando em quarto lugar atrás do Professor Lupércio (Solidariedade), do advogado Antônio Campos – filho do ex-governador Eduardo Campos – e de Izabel Urquiza (PSDB) – filha da ex-prefeita de Olinda Jacilda Urquiza.  Lupércio saiu vitorioso em um segundo turno contra Antônio Campos.

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Após deixar a Prefeitura, Renildo virou um importante conselheiro político de Paulo Câmara. Neste ano, o ex-prefeito se tornou um dos principais articuladores do projeto de reeleição do socialista. O comunista passou mais de 15 dias em Brasília costurando o acordo entre o PCdoB, o PT e o PSB, que resultou na aliança entre petistas e socialistas em Pernambuco. A costura acabou rifando a candidatura da vereadora Marília Arraes (PT) ao Palácio e selando o apoio do ex-presidente Lula à reeleição de Paulo.

Renildo Calheiros (Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem)

Foi então que o Palácio entrou em ação para “salvar” a eleição de Raul e Renildo. A “Operação RR”, das iniciais dos nomes dos dois aliados, foi montada e executada em plena campanha. No dia 27 de agosto, o editor deste Blog revelou a força-tarefa para garantir a vitória dos aliados. A operação envolvia o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alepe), o deputado estadual Eriberto Medeiros (PP), que estava concorrendo à Câmara Federal. Ele teria que abrir mão da disputa para a Câmara e concorrer à reeleição para a Alepe para dividir suas bases eleitorais com Raul e Renildo. O movimento teria sido aceito pelo deputado federal Eduardo da Fonte, presidente estadual do PP. Havia dúvidas, contudo, se a troca de cargo poderia ser feita após o registro das candidaturas.

“Não é verdade. Nunca existiu isso. Não tem nenhum sentido. Não posso sequer falar sobre isso. Nunca foi sequer ventilado. Veja quem lhe disse isso e fique sabendo que é alguém sem nenhum compromisso com nada. Talvez pretendendo desestabilizar algum candidato. Palavra de escoteiro”, negou à época Renildo.

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No dia 3 de setembro, veio a confirmação da operação com o anúncio do próprio Eriberto Medeiros da sua desistência da candidatura à Câmara e a sua postulação à reeleição para deputado estadual. Por meio de nota, a assessoria do deputado disse que “decidimos atender à convocação para darmos continuidade ao mandato de deputado estadual e reafirmar nosso trabalho mais próximo ao povo de Pernambuco”.  

A jogada não trouxe prejuízos para Eriberto, que é próximo do Palácio o que facilitou a costura. Com 36.574 votos, o pepista garantiu sua reeleição. A contrapartida do seu “gesto”, conforme circulou nos bastidores, é a promessa de que ele teria apoio irrestrito do Palácio para ser reeleito presidente da Alepe no próximo biênio. Hoje o mandato é tampão, depois da morte do ex-presidente Guilherme Uchoa.

O sucesso da operação fortalece o Palácio e os laços dele com os aliados Raul, Renildo e Eriberto.


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