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28/08/18
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Foto: Guga Matos/JC Imagem

Paulo e Armando buscam polarização no debate da Rádio Jornal

28 / ago
Publicado por Douglas Fernandes em Eleições 2018 às 12:22

Líderes nas pesquisas de intenção de votos, o governador Paulo Câmara (PSB) e o senador Armando Monteiro Neto (PTB) tentaram polarizar o primeiro debate entre os candidatos a governador, realizado pela Rádio Jornal nesta terça-feira (28). Ao mesmo tempo em que tentaram conduzir a disputa que reedita a disputa de 2014, os dois tiveram que responder aos questionamentos do ex-deputado federal Maurício Rands (Pros) e da historiadora Dani Portela (PSOL).

Em confronto direto, Armando Monteiro e Paulo Câmara tentaram se afastar da figura do presidente Michel Temer (MDB), que tem baixa popularidade principalmente no Nordeste, tentando apontar contradições um do outro. Em suas falas, os dois reafirmaram o voto no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder das intenções de voto em Pernambuco.

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Questionado por Armando Monteiro sobre o voto do PSB no impeachment de Dilma Rousseff (PT), Paulo Câmara afirmou que o partido não defende a gestão de Temer e alfinetou: “diferente do seu palanque, que defende as políticas que Temer implantou no Brasil junto com seus ministros”. Os dois candidatos ao Senado na chapa de Armando, os deputados federais Bruno Araújo (PSDB) e Mendonça Filho (DEM), foram ministros das Cidades e da Educação, respectivamente. “Não cabe escapismo. Eu sou leal, votei contra o impeachment. Sempre me pautei por uma postura de lealdade, não mudo de posições ao sabor do palco eleitoral. Você constituiu o governo Temer, o seu partido participou do governo Temer, você tem, sim, compromisso na origem com o governo Temer”, rebateu Armando, que foi ministro de Dilma, e votou contra o impedimento da petista no Senado.

Já Dani Portela optou por cutucar os três adversários logo em sua primeira fala, ao lembrar que Maurício Rands e o petebista já integraram ou eram aliados à gestão do PSB. “Nós temos aí 12 anos do governo do PSB. Todos que estão aqui já foram governo antes em algum momento. Eu sou a única que nunca foi governo. A gente precisa governar Pernambuco de mão dada com o povo e pelo poder popular, por mais justiça social. E em nome disso, que queremos um Pernambuco independente para todas e todos”, disse.

Rands foi secretário de governo do ex-governador Eduardo Campos e chegou a ser cotado para compor a chapa majoritária de Paulo Câmara, indicado pelo Pros, que até este ano integrava o governo. O PDT, partido que indicou a vice dele, Isabella de Roldão, continua com cargos na gestão socialista. Armando foi eleito senador na chapa de Eduardo em 2010 e rompeu com o governador para ser candidato ao Palácio do Campo das Princesas.

Ex-deputado federal pelo PT, Maurício Rands criticou Armando e Paulo por, segundo ele, pegarem “carona” na imagem do ex-presidente Lula. “Tanto você (Armando) quanto Paulo ficam tentando pegar carona na popularidade de Lula e montam palanques conservadores e com essas contradições todas”, disse. “Quando vem querendo surfar e manipular a realidade, não está respeitando o eleitor”, completou Rands, que na segunda-feira (27) anunciou apoio ao ex-governador Ciro Gomes (PDT). O ex-parlamentar já havia criticado a estratégia de manter a candidatura de Lula, que deve ser barrada pela Lei da Ficha Limpa. Para o ex-petista, o candidato é o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), que foi registrado como vice na chapa do ex-presidente.

No quarto e último bloco, com as perguntas dos jornalistas do Sistema Jornal do Commercio aos candidatos e as considerações finais, Paulo Câmara voltou a ser questionado sobre as promessas de campanha nas eleições de 2014 e, novamente, usou a crise econômica para justificar o atraso, além de ter criticado Temer mais uma vez. “Nós temos compromisso com o povo de Pernambuco, continuar trabalhando pela educação, para reduzir a violência, ampliar os serviços de saúde como estamos trabalhando muito e ao mesmo tempo concluir as obras que a crise não deixou e gerar os empregos que a crise também não permitiu. Pernambuco não pode andar para trás e estamos trabalhando muito para Pernambuco ficar na frente”.

Armando Monteiro foi perguntado qual era sua proposta para resolver a superlotação do sistema penitenciário no Estado e cutucou a gestão do PSB por, de acordo com ele, ter feito a Parceria Pública Privada (PPP) do presídio de Itaquitinga ter dado “n’água”. “As PPPs não funcionaram porque não houve critério adequado na escolha do parceiro privado”, disse o petebista, que sugeriu a criação de agências reguladoras para garantir o “interesse público e equilíbrio” nas parcerias com a iniciativa privada.

Confira o debate na íntegra

Como proposta para combater a superlotação do sistema carcerário, o petebista defendeu a criação de mini-presídios municipais para evitar a cooptação dos detentos pelo crime organizado já que ficariam perto da família. Na visão do senador, a medida ainda favorece a ressocialização dos presos.

Maurício Rands foi indagado sobre a sua proposta de criar uma “moeda comunitária” para enfrentar o problema dos municípios atingidos pelas explosões de caixa eletrônicos, que ficam sem o funcionamento dessas agências bancárias. A medida, segundo ele, seria semelhante ao que já se tem regulamentado com a moeda virtual, como o “bitcoin”.

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Já Dani Portela foi perguntada sobre como combateria o aumento na taxa de mortalidade infantil no Estado. A candidata defendeu a implantação de uma reforma administrativa na gestão para conseguir recursos para resolver o tema que, segundo ela, vem sendo afetado pelo fato do governo não repassar de forma igual os recursos necessários para os municípios. Para a candidata do PSOL, algumas cidades que são comandadas por prefeitos que não pertencem à base do governo são prejudicadas.


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