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20/06/18
Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR
Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR

Na Copa e na política nem tudo é loteria. Por Luciano Siqueira

20 / jun
Publicado por Artigo em Opinião às 15:58

Por Luciano Siqueira, vice-prefeito do Recife pelo PCdoB

Peraí, gente! Tudo bem que a Copa na Rússia ocupe grandes espaços na mídia: porque realmente desperta o interesse de milhões e porque há muito dólar investido em merchandising.

Mas é um saco amanhecer ouvindo uma enquete acerca de quantos gols o português Cristiano Ronaldo faria hoje contra o Marrocos; e se Neymar melhorou ou não a aparência com o novo corte de cabelo!

Há muito mais assunto importante para a vida das pessoas sobre o solo conturbado do Planeta!

Natural que a principal estrela do selecionado brasileiro, Neymar, esteja no foco da reportagem. Mas há outros craques igualmente importantes e um dado que chama a atenção na atual versão da canarinho: a intimidade dos jogadores com as variações táticas adotadas pelo técnico Tite.

Eu me sentiria contemplado se houvesse mais atenção a esse item.

Quanto às apostas sobre a artilharia do principal jogador português, até as crianças sabem que numa competição dessa natureza ninguém vence de véspera e o Marrocos poderia até surpreender.

Soa meio arrogante imaginar que para o R7 o jogo seja um simples passeio.

Parece com palpites na luta eleitoral. Muita gente não enxerga além das aparências e teima em analisar as coisas esquematicamente.

Agora mesmo, quem será capaz de prever o desenlace do pleito presidencial? E nos estados, salvo em um ou outro como a Bahia, onde a vantagem do atual governador, o petista Rui Costa parece estar consolidada, tudo pode acontecer.

Pelo sim, pelo não, é preciso dosar a emoção e conter o subjetivismo. Para evitar apostas exageradamente arriscadas.

A análise criteriosa de dados e cenários — no futebol, na política e na vida — dá trabalho, mas faz muito bem.

Não é à toa que a milenar sabedoria oriental ensina que a subestimação do adversário e o desconhecimento do campo da luta são meio caminho andado para a derrota. E que na luta política, assim como na guerra, a correta avaliação da correlação de forças e dos fatores de risco é essencial para definir estratégias.

Na Insurreição Pernambucana, nossas forças eram carentes de armamentos, mas fartas em astúcia e hábeis na guerra de guerrilha; enquanto os holandeses, fortemente armados e superiores em efetivos, moviam-se rigidamente orientados pelos conceitos da guerra de posições, em terreno plano.

Nos Montes Guararapes, atraindo o inimigo para a mata fechada e para as veredas, na base de emboscadas, vencemos.

O terreno das eleições de outubro ainda não é plenamente conhecido.

Então, acompanhemos a Copa e as démarches pré-eleitorais com menos chute e mais critério. Do contrário, tudo vira loteria.


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