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20/06/18
Luciana Browne (Foto: Divulgação)
Luciana Browne (Foto: Divulgação)

Assédio moral ou estresse no trabalho?

20 / jun
Publicado por Artigo em Opinião às 20:01

Por Luciana Browne*

Um mercado globalizado e digital, em permanente competitividade, com metas e resultados cada vez mais desafiadores, toma conta do ambiente de trabalho das empresas. Executar tarefas de forma criativa, inteligente, a baixo custo e com rapidez tornou-se condição prioritária para todo o empregado que pretende permanecer no mercado. Essa contemporânea pressão no ambiente de trabalho pode conduzir para elevar ainda mais o estresse tão comum nos grandes centros.

Todavia, essa sobrecarga de tensão deve ser conduzida de modo a evitar um possível sentimento coletivo de assédio, no sentido equivocado da palavra. Mal-estar, nervosismo e conflitos corriqueiros no ambiente de trabalho são esperados e não podem ser confundidos com assédio moral. É preciso lembrar que a competitividade e o aumento do nível de exigência nas empresas são inerentes ao mundo corporativo. Por isso, nem todas as pessoas que se declaram vítimas de assédio moral o são de fato. É preciso cautela na distinção entre assédio e estresse ou pressão no trabalho.

O estímulo direto para resultados feito pela gestão não visa prejudicar o empregado, mas, sim, motivá-lo, melhorando o desempenho das equipes. E isso não pode ser confundido com assédio moral. Para que tal prática seja identificada, é preciso a presença de intencionalidade e prejudicialidade, através de uma conduta voltada a perseguir um ou vários empregados.

Em termos gerais, o assediador não está focado em melhorar a produtividade da equipe. E não se preocupa se tal violência é maléfica para o ambiente de trabalho.

Outro aspecto a ser analisado com cuidado pela empresa é a possível acusação falsa de assédio. É o caso de quando o assediador é o assediado. Não são incomuns situações em que o indivíduo tido como responsável pelo assédio é publicamente exposto, de forma prematura e midiática. Se a crise toma grande proporção, a gestão da empresa pode acabar, precipitadamente, afastando o profissional por presunção para evitar o agravamento da exposição.

Nessas situações, cautela para a empresa e para a imprensa é sempre recomendável. Vale lembrar que as empresas não estão livres de indivíduos perversos, que, disfarçadamente, podem tentar desmoralizar um bom profissional, procurando atrair a simpatia do grupo. As falsas acusações de assédio trazem ainda outro problema grave: podem colocar em descrédito a realidade de verdadeiras vítimas de assédio.

Para as empresas, é aconselhável que se observe atentamente o comportamento dos funcionários e, especialmente, o isolamento de determinado colaborador, ou ainda movimentos fora do padrão. Atenção máxima às discretas atitudes maldosas, aparentemente despretensiosas, que podem se propagar na empresa. As gestões devem estimular o diálogo dos setores, acabando com os não ditos, mantendo o foco dos projetos, motivando as equipes e dando coesão aos objetivos e missões da empresa.

*Luciana Browne é advogada, mestre em direito pela Universidade Federal de Pernambuco e doutoranda em história pela Universidade de Lisboa. Leciona na Faculdade Damas



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