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08/04/17
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Acusado de racismo, Bolsonaro diz que quilombolas são massa de manobra de petistas

08 / abr
Publicado por Amanda Miranda em Notícias às 15:37

Alvo de representações na Procuradoria-Geral da República (PGR) por racismo, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) reiterou os comentários que o levaram a ser acusado em um vídeo publicado na sua conta no Facebook nessa sexta-feira (7). Em um evento no Rio de Janeiro no início da semana, o parlamentar havia feito comentários preconceituosos e jocosos sobre quilombolas. Desta vez, alegou que estaria falando a verdade e ainda acrescentou: “Você já viu como os afrodescendentes dessas terras são tratados? São objetos, massa de manobra, servem para muitos petistas ganhar dinheiro em cima deles”.

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O deputado ainda criticou a demarcação de reservas indígenas no País, o que chamou de “indústria”. “Demarcações completamente descomunais e sem qualquer razoabilidade. Demarcando terras indígenas no Brasil todo, brancos e negros foram expulsos dessas terras, cujas famílias ocupavam aquela área por 100, 200, 300 anos. Terra rica? Reserva indígena. Fazem o mesmo com quilombolas”, afirmou. “Esse sacrifício de pessoas expulsas, quer seja de áreas indígenas, quer seja de áreas demarcadas para quilombolas, é terrível.”

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De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), desde 1500 até a década de 1970 a população indígena brasileira decresceu acentuadamente e muitos povos foram extintos. Estima-se que a população passava de 3 milhões antes da colonização do País. Segundo dados do Censo Demográfico realizado pelo IBGE em 2010, hoje há 896,9 mil indígenas, após duas décadas de retomada do crescimento. Em 1957, o número foi tão reduzido que chegou a 70 mil.

Atualmente existem 462 terras indígenas. A política de demarcação começou na década de 1980 e tem o objetivo de preservar costumes e tradições desses povos.

A denúncia contra Bolsonaro

Na representação entregue à PGR, os parlamentares afirmam que, durante uma palestra no Clube Hebraica, no Rio, Bolsonaro disse que tinha ido a um quilombo e que o “afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas”. “Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais”, falou ainda o deputado. O deputado teria dito ainda que o governo gastava mais de R$ 1 bilhão por ano com os quilombos, e que, se ele fosse eleito presidente da República, não iria “ter nenhum centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola” – grupos que ele voltou a criticar no vídeo.

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Para a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que participou da entrega da representação ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o parlamentar precisa sofrer uma “punição severa”, já que Constituição torna o crime de racismo um crime inafiançável. “Ele é racista, preconceituoso, machista, ele é tudo isso. Como a gente vai aceitar que um parlamentar, que está investido de autoridade, de imunidade, que tem que representar o interesse da população, possa dizer uma coisa dessa impunemente”, denunciou.

O deputado também foi alvo de uma representação da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e da organização Terra de Direitos. “Bolsonaro se referiu à condição da escravidão vivida por negros e negras no Brasil por quase quatro séculos para inferiorizar, ridicularizar e discriminar quilombolas”, dizem as entidades. “Ao se manifestar publicamente desta forma, o deputado corrobora o discurso racista de ódio onde quilombolas não teriam lugar ou função na sociedade brasileira, sem nem mesmo terem condições de perpetuar suas famílias. Ainda, o parlamentar desvirtua as políticas públicas destinadas às comunidades quilombolas, sugerindo que seriam um gasto desnecessário do orçamento público.”

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Bolsonaro já é processado no Supremo Tribunal Federal (STF) por incitação ao estupro. O deputado foi acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) e em queixa-crime da deputada Maria do Rosário (PT-RS) por ter dito, durante discurso no plenário da Câmara, há pouco mais de dois anos, que a petista “não merecia ser estuprada”. Em entrevista no dia seguinte, além de manter a afirmação, acrescentou: “É muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria”.


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