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24/04/16
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Aliados do PT em Pernambuco voltam a atacar Paulo Câmara, por dar apoio ao impeachment de Dilma

24 / abr
Publicado por jamildo em Notícias às 17:46

Ao Povo Pernambucano, a nossa resposta ao PSB

Frente Brasil Popular Pernambuco

1. Recebemos com grande surpresa a carta endereçada pelo PSB à Frente Brasil Popular – FBP, no último sábado, dia 16. A Frente nunca procurou o referido partido para conversas acerca de sua posição de apoio ao golpe de Estado, levado a cabo pelas forças mais retrógradas de nossa sociedade, visando afastar do cargo a Presidenta Dilma Roussef, democraticamente eleita, com grande apoio do povo pernambucano. O que fizemos, no último 15 de março, foi procurar o Governador do Estado, Paulo Câmara, para entregar uma carta na qual o questionávamos sobre a posição que assumiria diante da conjuntura nacional. Nosso forte movimento em prol da democracia havia levado mais de 200 mil pessoas às ruas nos últimos dois atos contra o golpe, realizados nos dias 18 e 31 de março. Nada mais justo, portanto, do que nos dirigirmos ao governador do estado para chama-lo ao compromisso de dar uma resposta aos anseios do povo pernambucano por democracia. Um governador deve governar para o conjunto do povo e não apenas para o seu partido. Ao terceirizar a resposta à nossa carta, se recusando a nos responder em nome de seu mandato e entregando essa tarefa ao PSB, o governador Paulo Câmara demonstra conhecer pouco a responsabilidade de seu cargo.

2. Ficou evidente para toda a sociedade após a votação do último domingo a posição da maioria do PSB de associar-se aos setores mais retrógrados da política nacional. Ao governador Paulo Câmara havia a opção de ouvir não somente a voz que ecoava nas ruas de Pernambuco, mas de escutar parte considerável da militância de seu próprio partido: os mais de 800 signatários da carta entregue à direção nacional do PSB no último dia 15 de abril. Entre eles estavam militantes, parlamentares, governadores e prefeitos do PSB que protestaram contra o abandono, por parte da direção nacional de seu partido, de um projeto de esquerda “em nome do pragmatismo e fisiologismo eleitoreiros que assolam os partidos atualmente” nas palavras da carta. Foi também a própria militância do PSB que reivindicou, à revelia das opções da direção nacional de seu partido, o legado de Lula e dos governos do PT para o desenvolvimento do estado de Pernambuco, legado que, segundo os signatários da carta, sempre orgulhou a militância do PSB e entusiasmava Eduardo Campos. Este é mais um motivo pelo qual a Frente Brasil Popular não teve e não tem nenhuma intenção de alertar o PSB do significado de sua posição de apoio ao golpe em curso no Brasil, sua própria militância já o havia feito. O PSB ignora não somente os anseios da maioria do povo pernambucano, mas também se recusa a dar ouvidos à sua própria militância.

3. A memória de Miguel Arraes é um patrimônio do povo pernambucano, assim como a de todos àqueles e àquelas que lutaram bravamente por democracia em nosso país. E nós dos movimentos populares e sindicais da Frente Brasil Popular em Pernambuco a reivindicamos no momento correto: momento em que os mesmos interesses do capital financeiro internacional que articularam um golpe de Estado há 52 anos atrás voltam a atentar contra a nossa democracia, visando a entrega de nossas riquezas ao estrangeiro e a retirada de direitos duramente conquistados pelo povo brasileiro. Infelizmente, a opção do PSB e de seus deputados federais, bem como a do Governador Paulo Câmara, foi a de associar-se àqueles que conspiram contra os interesses nacionais, que já negociam com o estrangeiro a venda das riquezas do pré-sal e da privatização do Estado, a ser levada à cabo num possível Governo de Michel Temer. Quem desonra a memória de Arraes são as opções do PSB em comportar-se como linha auxiliar dos mesmos setores que o encarceraram e caçaram seu mandato em 1964.

4. A nota do PSB endereçada à Frente Brasil Popular é mais uma tentativa de justificar o injustificável. Quem assistiu à votação no último domingo viu às claras a falta de qualquer justificativa plausível para o afastamento da Presidente Dilma. A justificativa apresentada pelo PSB para reivindicar coerência com sua história exibe o mais puro desconhecimento de nossa constituição, na tentativa de imputar à crise econômica o motivo para o impeachment. O que o PSB defende é jogar, através de um golpe contra a democracia, a conta da crise econômica nas costas da classe trabalhadora. Seguiremos em luta pelos direitos do povo pernambucano, entretanto nunca utilizamos os descasos do governo para exigir o afastamento do governador.

5. Não bastasse isso, utilizam-se do argumento contra a corrupção (argumento largamente utilizado também pelos militares em 64) para justificar sua posição. Não há crime de responsabilidade fiscal, muito menos qualquer investigação por atos de corrupção que paire sobre Dilma Roussef. O argumento serve para acobertar os verdadeiros responsáveis pela corrupção em nosso sistema político: as grandes empresas financiadoras de campanhas e que cobram a conta por suas doações. São os interesses do grande capital que financiam os deputados que agora votam a favor do golpe contra nossa democracia.

6. Por fim, gostaríamos de afirmar que seguiremos em luta pela democracia, inspirados pela bravura do povo pernambucano, pela riqueza e diversidade de nossa cultura, pelo conjunto dos trabalhadoras e trabalhadores que constroem a riqueza desse estado. Já não nos dirigimos à direção do PSB (nunca o fizemos) nem ao Governador Paulo Câmara, mas chamamos à todas e todos aqueles militantes históricos que se inspiram na memória de resistência de Miguel Arraes a se somarem na luta contra o golpe em curso. Não recuaremos das ruas e não abandonaremos o compromisso com um projeto popular para o Brasil e para o estado de Pernambuco.

Não vai ter Golpe! Vai ter luta!


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