publicidade
10/10/14
Foto: Marcela Balbino/BlogImagem
Foto: Marcela Balbino/BlogImagem

Em plena campanha eleitoral, transposição fará primeiros testes

10 / out
Publicado por Blog de Jamildo em Eleições às 19:45

Obras da transposição em Floresta. Foto: Marcela Balbino/BlogImagem

Em plena campanha eleitoral, a obra de transposição do Rio São Francisco começa a sair do papel. O prazo, inicialmente previsto para setembro de 2011, venceu em julho, mas o Ministério da Integração, à frente do projeto, informou que as primeiras bombas serão ligadas esta semana.

No fim de agosto, o Ministério da Integração informou que o trecho de 16 km, localizado em Floresta (PE), havia entrado na fase pré-operacional com o enchimento dos canais, mesmo período em que a presidente Dilma Rousseff (PT) visitou as obras para gravar imagens do guia eleitoral. Os testes prosseguem agora com a fase do bombeamento – considerado o pontapé inicial da obra.

Os primeiros seis quilômetros estão preenchidos com água no canal de aproximação, que vai da barragem do Lago de Itaparica até a estação de bombeamento EBV1. Neste sábado, depois de a Chesf ter ligado as primeiras subestações de suporte ao projeto da Transposição do São Francisco, em Floresta, ocorrerá o primeiro teste dos canais, com a água captada do Lago de Itaparica, às margens da cidade de Petrolândia.

Enchimento do Canal da Transposição. Época da viagem de Dilma Rousseff. Foto: Marcela Balbino/ BlogImagem
Enchimento do Canal da Transposição. Época da viagem de Dilma Rousseff. Foto: Marcela Balbino/ BlogImagem

Técnicos do Ministério da Integração estão neste momento no local analisando o projeto. A obra, orçada em R$ 8,2 bilhões, tem dois longos canais. O Eixo Leste beneficiará Pernambuco e Paraíba e o Norte levará água para esses Estados, o Ceará e Rio Grande do Norte.

O governo espera beneficiar 12 milhões de pessoas. A obra começou em 2007, na gestão Luiz Inácio Lula da Silva, orçada em R$ 4,5 bilhões. O Eixo Leste deveria sair em 2010 e o Norte, em 2012.

Lago de Itaparica. Foto: Marcela Balbino/Blog Imagem.
Lago de Itaparica. Foto: Marcela Balbino/Blog Imagem.

Nessa quinta-feira (9), o prefeito de Petrolândia, Lourival Simões, demonstrou preocupação com o esvaziamento do Lago de Itaparica durante o teste das bombas. “Muitos estão preocupados com a situação, já que muitas pessoas necessitam das águas do Itaparica para sobreviver”, disse o gestor.

Segundo ele, o lago está hoje com apenas 17,23% da capacidade total. O Reservatório de Sobrandinho está com 27,29%.

“Essa medida operativa de esvaziamento do Lago de Itaparica é duvidosa do ponto de vista de otimização energética, dada a situação atual de nível de água dos reservatórios do Brasil, grau de geração eólica e térmica na região Nordeste. Só me pergunto para que ligar se não há destino para essa água e onde nós estamos em beira de um colapso”, questionou o prefeito.

Trecho da Transposição em Floresta. Foto: Marcela Balbino/BlogImagem
Trecho da Transposição em Floresta. Foto: Marcela Balbino/BlogImagem

Em conversa com o Blog, o diretor de energia e construção da Chesf, José Ailton de Lima, explicou que a vazão atual do Rio São Francisco é de 1.100 m/s e as bombas vão puxar 7m/s. “Isso é irrisório”, comentou.

De acordo com Ailton, o Lago de Itaparica tem capacidade inferior a Sobradinho. “As pessoas têm dificuldade para obter água, mas não impedimento”, observou, em rebatimento às críticas do prefeito de Petrolândia.

O diretor da Chesf atribui o esvaziamento ao período de seca enfrentado pela região, que deve se prolongar até o início de novembro. Normalmente, a vazão é de 2 mil m/s. “Mas está tudo perfeitamente dentro da normalidade”.

Com relação às críticas feitas pelo prefeito de Petrolândia à Chesf, Ailton rebateu afirmando que em nenhum momento a companhia afirmou que prioridade das águas do São Francisco seria a geração de energia elétrica.

“A Chesf entende que a água do São Francisco atende a múltiplos usos e que essas questões são discutidas no Comitê da Bacia do São Francisco. A Chesf não tem independência para definir sozinha essas questões, e nem deveria ter, assim como não o tem nenhum agente específico”, frisou.

“É no mínimo estranho tirar algo de onde se está precisando e levando para onde não se tem o que abastecer. Que se pese o interesse em se levar água aos irmãos do sertão brasileiro, porém o momento não é adequado porque nós não temos nem para nós mesmos. O perímetro irrigado das fruteiras já estão abortando seus frutos, teremos uma queda muito grande na produção e aqui não se trata de grandes empresários, se tratam de pequenos agricultores como tantos e tantos outros espalhados por esse Brasil afora”, lamentou o prefeito.

 


FECHAR