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Além de consciência, respeito aos negros se aprende desde cedo; veja dicas de livros infantis que valorizam a cultura afro e combatem o racismo

20 / nov
Publicado por Julliana de Melo às 9:47

Foto: reprodução/ @livrotecastorytime

Todos os anos, na escola, o dia 20 de novembro levanta com os pequenos um debate que, na verdade, deveria ser diário e extrapolar os muros da escola. Porque Consciência Negra – e respeito – se aprende nas ruas e, principalmente, dentro de casa. E desde cedo. Entre crianças de todas as cores. Mas vamos lá começar pelo bê-á-bá:

Em 1695, num dia como hoje, Zumbi dos Palmares, um dos primeiros ícones de resistência negra, morria defendendo o Quilombo que levava seu nome e sua luta contra a escravidão. A data serviu como marco para o Dia da Consciência Negra, projeto idealizado pelo professor porto-alegrense Oliveira Silveira (1941-2009), reconhecido legalmente apenas em 2011.

Da história do Brasil para nossa realidade cotidiana, o desafio segue gigante. Por isso que, além de ampliar a consciência sobre a situação da negritude no Brasil e no mundo, a literatura infantil se torna uma excelente ferramenta para desenvolver a autoestima das crianças negras e a tolerância e o respeito às diferenças nas demais. De forma lúdica e linguagem leve, os autores conseguem trabalhar assuntos complexos, a exemplo do racismo. Como no ótimo Amoras,  primeiro livro infantil do rapper Emicida.

A obra de Emicida, ilustrada por Aldo Fabrini, é inspirada na música homônima, que ele compôs para a filha Estela, para falar sobre negritude, representatividade, preconceito e autoconfiança: “Como o pensar infantil fascina/De dar inveja, ele é puro, que nem Obatalá/A gente chora ao nascer, quer se afastar de Alla/Mesmo que a íris traga a luz mais cristalina/Entre amoras e a pequenina eu digo ‘As pretinhas são o melhor que há”.

Cheio de referências positivas, o livro – e a música – é um presente para os pais, auxiliando na educação das crianças para que elas cresçam saudáveis, mais seguras e independentes. De quebra, ainda ensina sobre paternidade presente e afetiva. Chegou na lista dos mais vendidos e é indicado para todos e todas. E ganhou uma versão animada:

Existem inúmeras obras que destacam a importância da representatividade, com personagens principais negros, que colaboram com a identificação de crianças negras e a construção de um mundo mais diverso e tolerante. “Uma das formas de iniciar essa reflexão é através da literatura, que nos traz obras marcantes para a compreensão da história e do contexto atual da população negra. Buscar e disseminar esse conhecimento é um ato de resistência e de transformação social”, aponta Paulo Sergio Gonçalves, Coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Estácio no Rio Grande do Sul.

O docente, que também é doutorando em Literaturas Africanas, indica 6 livros infantis para ler em família, e não apenas no 20 de novembro, heim?

Meu avô africano, de Carmen Lúcia Campos – um livro maravilhoso, onde o pequeno Vitor descobre a verdade sobre a venda de seus antepassados para o Brasil. Um livro que valoriza a preservação da história dos antepassado e o respeito aos mais velhos.

Kiriku e o colar da discórdia – Michel Ocelot | Kiriku e a feiticeira – Michel Ocelot – a série Kiriku é extensa e muito indicada para as crianças conhecerem e irem desmistificando as culturas e modos de viver africanos.

Koumba e o Tambor de diambê, de Madu Costa – faz parte de uma série que tem como objetivo trabalhar a identidade afrodescendente a partir da imaginação infantil. Baseia-se na valorização dos griots, que são contadores de histórias.

A menina que abraça o vento, de Fernanda Paraguassu – conta a história de uma menina que se separou dos seus pais após fugirem dos conflitos na República do Congo.

Meu crespo é de rainha, de Bell Hooks – está obre é interessantíssima, apresenta para as meninas formas de penteados e cortes de cabelos de forma positiva, alegre e com bastante elogios.


Domingo dos Pequenos com Consciência Negra

O Educativo do Museu do Homem do Nordeste (Muhne) realizará a 5ª edição do Domingo dos Pequenos neste ano, com ações educativas para além do Dia Nacional da Consciência Negra.  A programação conta com oficina de confecção de um jogo africano e contação de história – autoria de Gercilga de Almeida, com manipulação do educador do Muhne Emerson Santos e narração da educadora do Muhne Olga dos Santos. As atividades para a criançada serão publicadas no Instagram do museu, neste domingo (22).

Para a realização do jogo, separe uma caixa de ovos de meia dúzia, tesoura, 48 grãos de feijão e dois potinhos plásticos ou sobras da caixa de ovo, caso ela seja para mais ovos. ”O jogo africano chama-se Mancala, que é um dos brinquedos africanos mais conhecidos. A palavra se refere ao nome de uma planta rara cujas sementes são utilizadas para o jogo e o seu nome significa mover. O jogo varia de nome conforme a região onde é jogado, passando por exemplo por Aware, no Burkina, Adi, no Benin, Baulé, na Costa do Marfim”, explica Olga, também apresentadora desta oficina.

“Já a contação de história é sobre Bruna e sua galinha d’angola. Ela era uma menina que se sentia muito sozinha e que gostava quando sua avó, que veio da África, lhe contava histórias. Na atividade, o público poderá conhecer sobre a cultura afro, seus costumes e valores, especialmente do país de Angola, onde se desenrola a narrativa”, completa.


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