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29/02/20
Epidemia de coronavírus nos leva a alertar que as fake news têm uma gravidade incalculável, pois podem matar (Foto: AFP)
Epidemia de coronavírus nos leva a alertar que as fake news têm uma gravidade incalculável, pois podem matar (Foto: AFP)

Fake news sobre coronavírus: um crime contra a saúde pública

29 / fev
Publicado por Cinthya Leite em Blog - 29/02/2020 às 20:37

Em tempo de epidemia, decorrente principalmente da expansão geográfica de novos agentes infecciosos, há um problema de saúde pública que merece ser banido da mesma forma que vírus e bactérias. Estamos falando das fake news, que infelizmente surgem para produzir efeitos deletérios capazes de trazer consequências sérias ao bem-estar individual e coletiva. Elas são responsáveis por uma gigantesca onda de conteúdos falsos, imprecisos ou distorcidos (veiculadas sobretudo em redes sociais) e que lamentavelmente tendem a ser replicadas como se fossem verdades.

Assistimos a esse cenário enquanto o novo coronavírus se dissemina para múltiplos países. Autoridades sanitárias e a sociedade em geral precisam, de mãos dadas, combater com veemência o leque de informações maldosas ou equivocadas. Sim, é difícil, especialmente se pensarmos na força que tem a facilidade de compartilhamento de mensagens por aplicativos como WhatsApp. Mas é preciso fazer alguma coisa e deixar de testemunhar de braços cruzados esse risco (ou certamente uma “emergência” em saúde pública) denominado de fake news.

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Na última sexta-feira (28), a Prefeitura do Recife tomou uma atitude que merece ser registrada como extremamente importante para não apenas desmascarar as notícias falsas, mas também para punir quem compartilha mentiras que envolvem a saúde. A Procuradoria Geral do Município prestou queixa contra um internauta que divulgou, em redes sociais, a informação falsa de que existem “61 casos confirmados” de coronavírus no Recife. O cidadão, que mora em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, já foi localizado e prestará depoimento nesta semana. O requerimento se baseou no artigo 41 da Lei de Contravenções Penais, que tipifica como ilícito: “Provocar alarme, anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de produzir pânico ou tumulto”.

“Diante do coronavírus, a população está cheia de incertezas. Por isso, precisamos passar com informações adequadas para evitar boatos que só prejudicam a situação”, diz o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo (Foto: Miva Filho/SES)
“As fake news são grave. Elas representam um problema de saúde pública que tem drenado energia e recursos públicos para desmenti-las”, destaca o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia (Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem)

O caso de fake news que levou a uma reação da Prefeitura do Recife não é o primeiro nem será o último. Por isso, precisamos cada vez mais trabalhar para tirar máscaras das notícias falsas e certificar as verdadeiras. Por quê? Simplesmente pelo fato de, no caso da saúde, a notícia falsa ter uma gravidade incalculável porque mata. Basta lembrar um estudo, de 1998, que levantou preocupações sobre possível relação entre a tríplice viral (vacina contra sarampo, caxumba e rubéola) e o autismo. A pesquisa foi posteriormente considerada seriamente falha. Mas o estrago já estava feito: a publicação desencadeou um pânico que levou à queda das coberturas de vacinação. Consequentemente, vieram os surtos e as mortes por sarampo. E a verdade é que não há evidência de uma ligação entre essa vacina e o autismo.

No caso do coronavírus, listamos aqui uma série de fake news que circula em redes sociais: “chá de erva doce cura coronavírus”; “coronavírus veio do inseticida”; “paciente com coronavírus curada em 48h com medicamentos contra aids”; “coronavírus pode ser curado com tigela de água de alho recém-fervida”. São todas mensagens falsas e que vêm sendo compartilhadas a torto e a direito, com o intuito de manipular, enganar, iludir e prejudicar. Elas são uma praga do mundo digital. Precisam ser combatidas, e os responsáveis por criá-las e compartilhá-las devem ser punidos.


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