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19/06/19
Enurese, a perda involuntária de xixi durante o sono, atinge cerca de 15% das crianças após os 5 anos (Foto ilustrativa: Pixabay)
Enurese, a perda involuntária de xixi durante o sono, atinge cerca de 15% das crianças após os 5 anos (Foto ilustrativa: Pixabay)

Castigo não ajuda na solução do xixi na cama, orienta Sociedade Brasileira de Urologia

19 / jun
Publicado por Cinthya Leite em Blog - 19/06/2019 às 16:31

A Sociedade Brasileira de Urologia orienta os pais e responsáveis para não reprimirem as crianças que ainda deixam escapar xixi durante a noite. Esse escape tem nome (enurese) e tratamento. Cerca de 15% das crianças com 5 anos apresentam essa condição. Aos 10 anos, o percentual é de 5%; aos 15 anos, 1% ainda urina na cama.

“A enurese ocorre de forma involuntária, e quem mais sofre com essas perdas de urina durante o sono é a criança. Qualquer punição verbal ou física aumenta a ansiedade e pode piorar a chance de resolver o problema. Infelizmente, encontramos taxas altíssimas de punição nestes casos. Os pais, por falta de informação e por se sentirem de alguma forma responsáveis, tendem a recorrer a métodos que não funcionam e pioram o quadro”, afirma o coordenador do Departamento de Urologia Pediátrica da SBU, Atila Rondon.

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O urologista reforça ainda que a escolha do tratamento mais adequado é feita em conjunto entre o médico e os responsáveis, dependendo das características da criança e do perfil familiar. Nem sempre o que funciona para uma criança está indicado para as outras. Há casos em que os especialistas recomendam tratamento medicamentoso, que age diminuindo a produção de urina durante a noite.

A SBU ressalta que a punição e o bullying não ajudam na solução do problema e podem causar traumas na criança. “Cada etapa do tratamento, que envolve pais e médicos, deve ser comemorada”, afirma Rondon.

Tira-dúvidas

A enurese é hereditária? 

Crianças cujos pais tiveram esse problema têm 77% de chance (de acordo com a literatura médica) de sofrer com a enurese.

Quais são as causas da enurese?

A associação de três fatores podem causar a enurese: poliuria noturna, explicada por uma possível ausência do pico da vasopressina (hormônio antidiurético), que deveria ocorrer à noite; distúrbios do sono, que impedem que a criança tenha a reação natural de despertar quando a bexiga está cheia; bexiga de baixa capacidade ou com contrações involuntárias, que não é capaz de armazenar a quantidade produzida de urina no período noturno.

Como é feito o diagnóstico?

Por meio do exame físico e do diário miccional, registro dos líquidos consumidos e do volume a cada micção, que permite uma avaliação objetiva dos hábitos da criança.

Quais são os tratamentos existentes hoje em dia para o problema?

O tratamento da enurese deve ser individualizado, sendo que cada criança, dependendo do tipo de enurese que apresenta, responderá melhor a um tipo de tratamento. É importante lembrar que a resposta ao tratamento da enurese é lenta e o envolvimento e participação tanto da criança quanto da família são extremamente importantes para o sucesso.

Orientações comportamentais

São orientações que valem para todas as crianças com enurese. Baseiam-se na mudança de alguns hábitos, como a redução da ingestão de líquidos à noite e aumento da ingestão no início do dia, orientação para urinar em intervalos regulares de cerca de quatro horas durante o dia, ao acordar e antes de dormir, reduzir o consumo de alimentos que contêm cafeína e alimento cítricos e reduzir o consumo de sal, principalmente no fim do dia. Além disso, usa-se um instrumento chamado de diário de noites secas, em que os episódios de enurese são anotados. Esse diário, além de estimular a criança, serve para controle do tratamento.


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