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01/04/19
Davi está entre as 10 crianças beneficiadas e que passarão por 16 sessões, uma vez por semana, durante 30 minutos (Foto: Izabele Brito/Divulgação)
Davi está entre as 10 crianças beneficiadas e que passarão por 16 sessões, uma vez por semana, durante 30 minutos (Foto: Izabele Brito/Divulgação)

Equoterapia estimula desenvolvimento de crianças com síndrome congênita do zika

01 / abr
Publicado por Cinthya Leite em Blog - 01/04/2019 às 11:26

O contato com os cavalos e as atividades realizadas na montaria passam a ser, no Grande Recife, mais um recurso terapêutico para promover a reabilitação das crianças que nasceram com a síndrome congênita do zika, cuja manifestação mais conhecida é a microcefalia. Ontem dez crianças que recebem tratamento na Fundação Altino Ventura (FAV) iniciaram sessões de equoterapia no Centro Hípico Zona Sul, no bairro de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes. A ação faz parte do Projeto EquoSolidário, uma parceria entre a instituição e a EquoAmar, um espaço que oferece a equoterapia como recurso de reabilitação capaz de promover o desenvolvimento físico, cognitivo, social e afetivo das pessoas que convivem com deficiências e também com transtornos do desenvolvimento.

Paralelamente ao tratamento oferecido no Centro Hípico Zona Sul de forma voluntária, será realizado um estudo para avaliar os efeitos da equoterapia nas crianças que apresentam comprometimentos associados ao zika. “Elas passarão por 16 sessões, uma vez por semana, durante 30 minutos, para que possamos analisar o desenvolvimento após as atividades. A nossa hipótese é que as montarias promovem a reorganização postural, com a ativação do controle cervical e do tronco. Além disso, as sessões podem melhorar a percepção visual e auditiva das crianças”, esclarece a fonoaudióloga e doutora em linguística Ana Paula Nóbrega Samico, que trabalha com equoterapia há cerca de 20 anos.

Uma das coordenadoras da pesquisa, a especialista destaca que, para avaliar os possíveis benefícios das sessões, foi feito um mapeamento prévio, através de técnicas específicas, para analisar as ondas cerebrais dos dez pacientes. “Ao final das 16 sessões, vamos verificar se houve alguma ativação ou uma melhor resposta no padrão das ondas cerebrais”, acrescenta.

Entre os pacientes que participam do EquoSolidário, está o pequeno Davi da Paixão, 3 anos e 6 meses, que recebe acompanhamento de equipe multidisciplinar no Centro Especializado em Reabilitação (CER) da FAV, localizado no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife, e também no Centro de Reabilitação e Valorização da Criança (Cervac), na Zona Norte da cidade. Ontem ele teve, pela primeira vez, contato com o cavalo – e adorou a montaria. “Foi uma experiência muito boa e que me deixou encantada. Davi não teve medo e até alisou o cavalo. Ficou bem esperto e atento durante a terapia. Espero que a equoterapia traga benefícios para a parte motora, que foi a mais atingida pelo zika. Estou com esperança que vai melhorar”, contou a mãe de Davi, a dona de casa Milena da Paixão, 31 anos.

A fonoaudióloga Pollyanna Carvalho, coordenadora terapêutica do projeto Semear, da FAV, que acompanha cerca de 200 crianças que nasceram com a síndrome congênita do zika, destaca que as dez crianças participarão do EquoSolidário por um ano. A intenção é que mais pacientes da instituição sejam beneficiados com as sessões de equoterapia. Para isso, a FAV e a EquoAmar convocam a sociedade para ajudar a manter as crianças na atividade. “Para quem é acompanhado pela FAV, o custo da terapia no Centro Hípico é de R$ 450 por mês. Precisamos de pessoas que possam apadrinhar outros pacientes e custear o investimento mensal”, frisa Pollyana. Para ajudar: 3469-3990 e 99889-7662 (WhatsApp).


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