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07/01/19
Secretário de Saúde de Pernambuco diz que reproduzirá, em outras maternidades, iniciativa que reduziu em 54%, de maio de 2017 a maio de 2018, a taxa de mortalidade materna no Hospital Agamenon Magalhães (Foto: Igo Bione)
Secretário de Saúde de Pernambuco diz que reproduzirá, em outras maternidades, iniciativa que reduziu em 54%, de maio de 2017 a maio de 2018, a taxa de mortalidade materna no Hospital Agamenon Magalhães (Foto: Igo Bione)

Qualidade da assistência materno-infantil será prioridade em nova gestão estadual da Saúde em PE

07 / jan
Publicado por Cinthya Leite em Blog - 07/01/2019 às 12:47

Num momento em que profissionais de saúde e gestores manifestam preocupação diante do aumento da mortalidade infantil e materna no Brasil, o novo secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, garante que a assistência materno-infantil será uma prioridade na gestão da qual estará à frente nos próximos quatro anos. Para o Estado permanecer no declínio sustentado dos coeficientes de mortalidade no primeiro ano de vida, Longo informa que reproduzirá uma iniciativa que reduziu em 54%, de maio de 2017 a maio de 2018, a taxa de mortalidade materna no Hospital Agamenon Magalhães (HAM), no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife.

“Teremos uma atenção com alguns projetos que estão dentro de maternidades. Observamos uma verdadeira revolução no Agamenon Magalhães, que começou quando eu estava na ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar, presidida por André Longo entre 2012 e 2015), graças ao projeto Parto Adequado. Fizemos parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein (SP) e o Institute for Healthcare Improvement (EUA). Estávamos preocupados com o índice de cesariana na saúde suplementar e tivemos cases de sucesso em vários hospitais com a implantação desse projeto”, disse Longo, logo após a solenidade de transmissão do cargo de secretário estadual de Saúde, realizada no último dia 3.

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Agora o plano de ação é replicar as boas práticas de pré-natal e parto seguro sem consequências negativas para as mães e os bebês em demais unidades de saúde do Estado. “Temos a expectativa de que o processo de colaboração, inclusive internacional como foi feito com o Agamenon, possa trazer resultados de impacto na mortalidade materno-infantil. Queremos que o modelo seja reproduzido. Resultados mostram redução na quantidade de cesarianas (desnecessárias) e consequentemente queda na mortalidade. Então, esperamos reproduzir essa experiência no Estado inteiro. Recentemente, o Cisam (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, na Encruzilhada, Zona Norte do Recife) passou a se envolver com esse projeto”, destacou Longo.

“Na assistência materno-infantil, o Estado deveria estar responsável pela alta complexidade. Mas estamos cumprindo o papel de cuidar da assistência como um todo, inclusive da baixa complexidade. É fundamental uma melhor articulação com os municípios, desde o pré-natal até o momento do parto”, frisa André Longo (Foto: Miva Filho/SES)

O secretário acrescentou que, para mudar a atenção ao parto, é necessário ainda apostar na estruturação da rede de assistência à saúde através de uma cooperação com os municípios para a população resolver seus problemas de saúde sem se deslocar do interior para as maternidades da capital. “Há a superlotação (das maternidades localizadas no Recife) porque não se consegue fazer o parto de baixa complexidade nos municípios (de origem da paciente), o que acaba gerando uma sobredemanda nas unidades de alto risco que ficam na capital.”

Entre as missões do projeto Parto Adequado, está o reconhecimento do risco existente para as mães, a melhoria no tratamento oferecido e a adequação do pré-natal para que os períodos de gestação, parto e pós-parto sejam assistidos de maneira segura. No caso do Hospital Agamenon Magalhães, em maio de 2017, as mudanças institucionais começaram a ser colocadas em prática, como a implantação de protocolos assistenciais para as principais condições ameaçadoras à vida das gestantes (sepse, prevenção de tromboembolismo venoso, hemorragia e hipertensão). Entre maio de 2016 e abril de 2017, período anterior ao projeto, o Agamenon realizou 3.783 partos. Já de maio de 2017 a abril de 2018, foram 4.167 – ampliação de 10%. Em relação aos óbitos, foram 11 no período anterior ao projeto e 6 durante a iniciativa.

Depoimentos

A dona de casa Cláudia Campelo, 25 anos, é uma das pacientes que foram contempladas com as iniciativas do Parto Adequado. Ela foi encaminhada para o Hospital Agamenon Magalhães ainda no início da gestação, que era de alto risco, pois estava com hipertensão arterial. “Na unidade, não fiz só o acompanhamento pré-natal. Também fui vista por cardiologista e nutricionista. Sempre saía das consultas com os exames marcados. Isso fez toda a diferença, já que corria o risco de perder o meu bebê”, conta. Com 39 semanas de gestação, Cláudia começou a ter dores fortes de cabeça. Assim, o parto precisou ser induzido. Benjamim, hoje com dois meses, nasceu no dia 12 de outubro. “É meu primeiro filho. O apoio que tive no hospital, com palestras e toda a atenção da equipe, foram fundamentais, pois eu já sabia o que esperar. Foi uma experiência muito tranquila para mim.”

A advogada Gabriella Sena, 32, também deu à luz Isabela, hoje com cinco meses, no Agamenon. Em julho do ano passado, aos sete meses de gestação, ela teve eclâmpsia (condição de pressão arterial elevada que coloca mãe e bebê em risco) e precisou ser socorrida às pressas. Ao todo, foram 34 dias de internamento, sendo sete na UTI. “Nunca tinha utilizado o SUS (Sistema Único de Saúde) e me surpreendi com o atendimento. Quando dei entrada no hospital, a única preocupação era me levar o mais rápido possível para a sala de cirurgia. Fui atendida por fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos. Recebi um apoio muito grande”, recorda Gabriela, com a certeza de que a assistência adequada salva vidas.


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