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16/10/18
Nos dez primeiros meses de 2018, 22 mil pessoas adoeceram com sintomas de doenças transmitidas pelo Aedes em Pernambuco  (Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem)
Nos dez primeiros meses de 2018, 22 mil pessoas adoeceram com sintomas de doenças transmitidas pelo Aedes em Pernambuco (Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem)

Arboviroses avançam em PE; incidência é superior a 200 casos por 100 mil habitantes de 5 a 9 anos

16 / out
Publicado por Cinthya Leite em Blog - 16/10/2018 às 10:25

O mais recente “mapa das arboviroses” em Pernambuco revela uma ascensão na incidência de dengue, chicungunha e zika nos nove primeiros anos de vida. Com quase 22 mil notificações das arboviroses ao longo de dez meses este ano, o Estado tem taxa de 196 registros (considerando a soma dos casos prováveis das três doenças) por 100 mil habitantes entre 0 e 4 anos. Na faixa etária seguinte, de 5 a 9 anos, esse índice chega a ser maior: 204,7. Os dados estão no boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES), que considera os dados até o último dia 6. Em meses anteriores, a curva de adoecimento já dava indícios de aumento na população infantil: no fim de maio, a incidência atingiu a taxa de 107,3 (0 a 4 anos) e 113 (5 a 9 anos). O índice subiu ainda mais em agosto, alcançando 177 para cada uma desses dois grupos.

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“Mais importante do que considerar o número total de casos de arboviroses é observar onde e em que faixa etária os registros têm sido mais expressivos. Atualmente chama a nossa atenção a incidência aumentada nas crianças até os nove anos”, destaca a gerente do Programa de Vigilância das Arboviroses da SES, Claudenice Pontes. Em números absolutos, o retrato atual (dados até o último dia 6) do adoecimento provocado possivelmente pelo Aedes aegypti é mais significativo em idade produtiva (dos 20 aos 39 anos), cuja incidência é menor do que na população infantil. Entre os adultos desse grupo etário, são 112 novos casos a cada 100 mil habitantes.

“A maior circulação dos vírus entre as crianças pode levar a um risco aumentado de casos graves nessa faixa etária. Como a dengue, por exemplo, já circula há muito tempo, existem várias pessoas imunes (aos sorotipos da doença). Mas há mais pessoas compondo a população (aquelas nascidas após as epidemias, por exemplo), que nunca foram expostas ao vírus e permanecem suscetíveis ao adoecimento”, esclarece a médica pediatra Cynthia Braga, pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública do Instituto Aggeu Magalhães, unidade da Fiocruz em Pernambuco. Ela é coordenadora do Inquérito de Arboviroses do Recife, pesquisa em andamento cujo objetivo é traçar um panorama inédito dos casos novos e antigos, em diferentes níveis socioeconômicos e faixas etárias, das três doenças transmitidas pelo Aedes.

Inquérito de Arboviroses do Recife vai traçar um panorama inédito dos casos novos e antigos, em diferentes níveis socioeconômicos e faixas etárias, das três doenças transmitidas pelo Aedes aegypti (Foto: Diego Nigro/JC Imagem)

Para Cynthia, apesar de os números oficiais mostrarem que existem uma cocirculação dos vírus das arboviroses no Recife, os pesquisadores ainda não sabem com precisão como está o status imunológico (especialmente em relação à zika) da população que vive na capital. Neste ano, até o dia 22 de setembro, o município notificou 2.308 casos de arboviroses (1.815 de dengue, 426 de chicungunha e 67 de zika). Entre esses casos suspeitos, foram confirmados 736 casos de dengue, 231 de chicungunha e 6 de zika. Os bairros que despontam com maior incidência (por 100 mil habitantes) são: Ilha do Leite (187), Bairro do Recife (159), Morro da Conceição (101) e Mangabeira (98).

Prevenção

A incidência geral das três arboviroses, na população pernambucana, é de 116 – menor do que a taxa usada como parâmetro pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para sinalizar uma situação de epidemia (ao menos 300 casos a cada 100 mil habitantes). “Não estamos num surto (das três doenças), mas precisamos cuidar antes dos casos atingirem essa proporção, especialmente pelo fato de assistirmos agora a um cenário de aumento dos casos fora do padrão esperado para este período, considerado mais tranquilo, se levarmos em consideração a série histórica (da dengue) dos últimos dez anos”, alerta Claudenice.

Aedes aegypti é o mosquito transmissor de zika, dengue e chicungunha (Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem)

Ela ressalta que a ascensão tem sido observada especialmente nos municípios do Sertão, onde foi detectado alto índice de infestação do Aedes. “Os municípios das Regionais de Saúde 7 e 10 (cujas sedes ficam, respectivamente, em Salgueiro e em Afogados da Ingazeira) são os que mais têm registrado aumento no número de casos, em comparação com o mesmo período do ano passado.” Até o último dia 6, por exemplo, a Regional 7 (Belém do São Francisco, Cedro, Mirandiba, Salgueiro, Serrita, Terra Nova, Verdejante) teve 321 notificações de dengue e 136 de chicungunha. No mesmo período de 2017, considerando, respectivamente, as mesmas doenças, o número de casos foi de 99 e 41. Ou seja, houve aumento de 224% (dengue) e de 231% (chicungunha) nessa regional.


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