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07/04/18
Estudo mostrou que remédios anti-hipertensivos apresentaram efeitos mais intensos sobre a frequência cardíaca de pacientes que ouviram música após a medicação (Foto ilustrativa: Pixabay)
Estudo mostrou que remédios anti-hipertensivos apresentaram efeitos mais intensos sobre a frequência cardíaca de pacientes que ouviram música após a medicação (Foto ilustrativa: Pixabay)

Ouvir música intensifica efeito de medicamentos contra a hipertensão, diz estudo

07 / abr
Publicado por Cinthya Leite em Bem-estar - 07/04/2018 às 20:06

É bem provável que ouvir música já faça parte da prescrição médica para pessoas com hipertensão. A ciência comprova: os sons melhoram a frequência cardíaca e os efeitos de anti-hipertensivos.

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Uma das hipóteses é que, ao ativar o sistema parassimpático, a música aumenta a atividade gastrointestinal, acelerando a absorção de medicamentos anti-hipertensivos e intensificando efeitos na frequência cardíaca. Confira:

Da Agência Fapesp 

Além de se programar para tomar corretamente os medicamentos anti-hipertensivos prescritos pelos cardiologistas nos horários indicados e adotar hábitos e estilos de vida saudáveis, os pacientes com hipertensão arterial podem incluir uma atividade prazerosa – e benéfica – na rotina do tratamento da doença: ouvir música logo após a medicação.

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Marília, em colaboração com colegas da Faculdade de Juazeiro do Norte, da Faculdade de Medicina do ABC e da Oxford Brookes University, da Inglaterra, constatou que a música intensifica os efeitos benéficos de anti-hipertensivos em um curto prazo de tempo após a medicação.

Os resultados do estudo, realizados no âmbito de um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foram publicados na revista Scientific Reports.

“Observamos que a música melhorou a frequência cardíaca e os efeitos de anti-hipertensivos no período de até uma hora após a medicação”, disse, à Agência Fapesp, o professor do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Marília, Vitor Engrácia Valenti, coordenador do estudo.

Os pesquisadores da Unesp de Marília começaram a estudar, nos últimos anos, o efeito da música sobre o coração em situações de estresse. Uma das constatações que fizeram é que principalmente a música erudita tem o efeito de diminuir a frequência cardíaca.

“Constatamos que a música erudita ativa o sistema nervoso parassimpático (responsável por estimular ações que permitem ao organismo responder a situações de calma, como desaceleração dos batimentos cardíacos e diminuição da pressão arterial e da adrenalina e açúcar no sangue) e reduz a atividade do sistema simpático (que pode acelerar os batimentos cardíacos)”, explicou Valenti.

Com base nessa constatação, eles decidiram avaliar o efeito da estimulação musical por meio de um método chamado de “variabilidade da frequência cardíaca” durante situações cotidianas, como no tratamento da hipertensão, em que a terapia musical tem sido estudada como uma intervenção complementar.

“Já existiam estudos relacionados aos efeitos da musicoterapia sobre a pressão arterial em pacientes hipertensos, que apontaram que ela teve efeitos positivos significativos. Mas ainda não estava claro se a música pode influenciar o efeito da medicação sobre a variabilidade da frequência cardíaca, pressão arterial sistólica e pressão arterial diastólica”, disse Valenti.

Assista ao programa sobre hipertensão na TV JC (exibido em 9/3/18):

Testes

Os pesquisadores realizaram um experimento em que avaliaram, durante dois dias aleatórios e com um intervalo de 48 horas, os efeitos do estímulo auditivo musical associado à medicação anti-hipertensiva nessas variáveis cardiovasculares em 37 pacientes com pressão arterial controlada, que realizaram tratamento de hipertensão por um período de seis meses e um ano.

No primeiro dia do experimento, após tomarem medicamentos anti-hipertensivos de rotina, os pacientes, sem serem previamente avisados, ouviram músicas instrumentais por meio de um fone de ouvido durante 60 minutos após a medicação e com a mesma intensidade. No segundo dia do estudo, passaram pelo mesmo protocolo de pesquisa, mas permaneceram com o fone de ouvido desligado.

Os pesquisadores examinaram os pacientes em repouso, em intervalos de 10, 20, 40 e 60 minutos após a medicação, e analisaram parâmetros cardiovasculares durante os dois dias do teste por meio do método de variabilidade da frequência cardíaca. Pelo método, pode-se detectar com maior precisão e sensibilidade alterações no coração ao analisar matematicamente diferenças entre intervalos de batimentos cardíacos.

As análises dos dados indicaram que a frequência cardíaca dos pacientes diminuiu 60 minutos após serem medicados e ouvirem música. Já quando tomaram o anti-hipertensivo de rotina e não ouviram música na sequência, a frequência cardíaca deles não sofreu alteração tão intensa.

As respostas dos medicamentos também foram mais intensas sobre a pressão arterial dos voluntários quando ouviram música após serem medicados, em termos de desaceleração dos batimentos cardíacos e diminuição da pressão arterial, apontou o estudo.

“Detectamos que a medicação anti-hipertensiva apresentou efeitos mais intensos sobre a frequência cardíaca dos pacientes quando ouviram música”, disse Valenti.

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que, ao ativar o sistema parassimpático, a música causa um aumento na atividade gastrointestinal dos pacientes hipertensos, acelerando a absorção de medicamentos anti-hipertensivos e intensificando os efeitos na frequência cardíaca.


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