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18/11/17
O sorriso de Guilherme, no colo da mãe, Natally, aos 23 dias de vida (Foto: Deborah Ghelman/Divulgação)
O sorriso de Guilherme, no colo da mãe, Natally, aos 23 dias de vida (Foto: Deborah Ghelman/Divulgação)

‘A melhor incubadora é o útero materno’, diz médica sobre combate ao parto prematuro

18 / nov
Publicado por Cinthya Leite em Blog - 18/11/2017 às 14:22

As famílias dos bebês que nasceram antes do tempo previsto não têm dúvidas: a experiência da prematuridade é repleta de emoções. A onda de sentimentos já se inicia quando a gestante pensa na possibilidade de passar por um parto antecipado, mesmo que não existam sinais de que ele possa ocorrer. O fato é que a condição de dar à luz um bebê prematuro (aquele que nasce com menos de 37 semanas de gestação) pode vir acompanhada de desafios, medo e insegurança. Além disso, os pais alimentam uma ansiedade que parece não ter fim ao observar suas crianças travarem uma luta pela sobrevivência nas incubadoras das unidades de terapia intensiva (UTIs).

Esse cenário levou a uma mobilização mundial, batizada de Novembro Roxo, que sensibiliza a população sobre a prematuridade. “Precisamos combater o parto prematuro. A melhor incubadora é o útero materno. Na falta dele, devemos lutar pela vida dessas crianças, que nascem em desvantagens, mas brigam pela vida e dignidade”, destaca a neonatologista Danielle Brandão, da diretoria da Sociedade de Pediatria de Pernambuco (Sopepe).

Assista ao programa Casa Saudável, na TV JC, sobre o assunto:

É um tema que deve ser tratado com muita seriedade no Brasil, onde a taxa de bebês prematuros é quase o dobro do que em países da Europa, segundo a pesquisa Nascer no Brasil: inquérito nacional sobre parto e nascimento, divulgada em 2016 pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fiocruz.

O levantamento, realizado com 23.894 mulheres, mostra que a taxa de prematuridade brasileira é de 11,5%. Desse total, 74% são prematuros tardios – ou seja, nasceram entre 34 e 36 semanas de gestação. O Estado de Pernambuco acompanha a realidade nacional: anualmente mais de 16 mil bebês vêm ao mundo antes do tempo previsto, representando 11% do total de nascimentos, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde.

Mortalidade

Também médica do Hospital João Murilo de Oliveira, em Vitória de Santo Antão (Zona da Mata do Estado), Danielle Brandão tem se preocupado com um dado: 70% dos óbitos até 1 ano, no Brasil, ocorrem no período neonatal. “Ou seja, são mortes entre o nascimento e o 28º dia de vida. E a maioria delas acontece entre os bebês que nascem antes do tempo adequado. Por isso, temos que lutar contra a prematuridade”, acrescenta a neonatologista.

O pequeno Guilherme, que fez 2 anos ontem, nasceu ao completar a 34ª semana de gestação. O parto antecipado foi inesperado para a mãe do menino, a engenheira Natally Fritz, 32, que passou a ser monitorada semanalmente pelo obstetra quando começou a apresentar inchaço. Em uma das consultas, a pressão arterial estava alta: 19 por 13 (o esperado é geralmente 12 por 8). “O médico me encaminhou para o cardiologista no mesmo dia e, à noite, eu já estava no hospital. Minha ficha só caiu quando fui para a UTI. Fui medicada para, no dia seguinte, o parto ser realizado”, conta Natally.

Ela teve pré-eclâmpsia, que acomete cerca de 5% das grávidas e pode levar a uma restrição do crescimento do bebê. “Guilherme passou seis dias na UTI e não teve complicações no desenvolvimento. Quando teve alta, chorei muito. Para mim, a prematuridade é uma lição de fé”, declara Natally sobre a crença na vida, mesmo quando ela parece (praticamente) impossível.

Leite materno

Neste ano, a campanha Novembro Roxo da Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros se volta para um alimento que vale ouro. “O leite de uma mãe prematura é ideal para um bebê prematuro. O alimento diminui o tempo de internamento das crianças, que passam a complicar menos nas unidades de terapia intensiva (UTIs)”, informa a neonatologista Danielle Brandão.

A médica acrescenta que é preciso criar ações para se abrigar a mãe no hospital, onde ela pode ordenhar o leite fresco. “É uma boa estratégia para a sobrevida desses recém-nascidos.” No Hospital João Murilo de Oliveira, em Vitória de Santo Antão (Zona da Mata Norte de Pernambuco), essa é uma realidade. “Temos lá uma casa onde as mães tiram o leite para o bebê”, diz. Um exemplo inspirador e que pode ser replicado para salvar vidas.


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