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30/05/17
Até os cinco anos, é comum que as crianças tenham certa dificuldade para segurar o xixi  à noite (Foto: Pixabay)
Até os cinco anos, é comum que as crianças tenham certa dificuldade para segurar o xixi à noite (Foto: Pixabay)

Uma em cada dez crianças em idade escolar faz xixi na cama. Saiba quando é preciso procurar um médico

30 / maio
Publicado por Cinthya Leite em Blog - 30/05/2017 às 12:21

Até os cinco anos, as crianças ainda podem ter alguma dificuldade para segurar o xixi durante a noite. Trata-se de uma fase normal do desenvolvimento infantil. Quando os pequenos continuam a urinar na cama após essa idade, os especialistas orientam que é preciso investigar as causas. Isso porque pode se tratar de uma condição de saúde chamada de enurese noturna, que tem impacto físico e emocional e, dessa maneira, deve ser tratada com ajuda de um especialista.

É importante falar sobre o assunto neste Dia Mundial da Enurese (World Bedwetting Day), uma iniciativa da International Children Continense Society (ICCS) e da European Society for Pediatric Urology (ESPU). A campanha chega ao 3º ano consecutivo, com o tema Time to Take Action (Hora de Agir). O objetivo é orientar as famílias sobre como lidar com o xixi na cama sem traumas, alertando sobre a importância do diagnóstico correto e da busca por tratamento médico adequado.

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“A enurese é o nome dado à incontinência urinária intermitente, durante o sono, após os cinco anos de idade. A diferença de intermitente e contínua é que, nesta última, a pessoa permanece o tempo todo urinando, gotejando, enquanto a primeira ocorre em intervalos específicos de tempo”, explica a pediatra Eliane Fonseca, membro executivo do board da International Children Continent Society (ICCS).

A enurese noturna, que não tem uma causa psicológica, acomete uma em cada dez crianças em idade escolar. O problema leva os pequenos a se sentirem envergonhados e há impactos negativos em sua vida social, como evitar convites para dormir na casa de amigos. “A enurese também pode influenciar a qualidade do sono, que piora, e pode prejudicar o rendimento escolar”, acrescenta a especialista.

É importante que as famílias não subestimem o problema porque, se a condição não for tratada, poderá persistir na adolescência e na vida adulta. “A maioria dos pais tem dificuldade para entender que a criança precisa de ajuda. Muitas sofrem, apanham e são vítimas de bullying, mas não seguem tratamento com um especialista”, reforça Eliane.

O olhar do urologista

O Dia Mundial da Enurese Noturna também é abraçado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). A entidade alerta que os pais não devem reprimir seus filhos que ainda deixam escapar urina durante a noite. Para esses casos, a orientação da SBU é procurar ajuda médica. “Punir a criança pode piorar ainda mais seus sintomas e sua qualidade de vida”, explica o chefe do Departamento de Uropediatria da SBU, José Murillo Bastos Netto.

A enurese também pode influenciar a qualidade do sono (Foto: Pixabay)

Tipos de enurese notura

– Primária: Quando a criança sempre teve enurese
– Secundária: Quando a criança ficou pelo menos 6 meses sem apresentar enurese e voltou a apresentar

Sintomas

– A criança pode apresentar apenas a enurese, mas também urgência para fazer xixi e incontinência urinária

Tratamento

– Se, após os 5 anos, a criança ainda apresentar enurese, recomenda-se procurar um médico

Causas

– Genética: 44% das crianças cujo um dos pais tiveram enurese e 77% daquelas que ambos os pais tiveram enurese geralmente deixarão escapar urina à noite
– Poliúria Noturna: Algumas crianças com enurese apresentam uma alteração na secreção noturna do ADH (hormônio antidiurético) e terão a produção de urina aumentada durante a noite
– Hiperatividade vesical noturna: Algumas crianças apresentam contrações involuntárias da bexiga durante o sono, que causam a perda de urina
– Distúrbios do Sono: Criança com enurese tem dificuldade de despertar, não acordando com os sinais da bexiga cheia ou com a contração da mesma (hiperatividade vesical)

Os pais não devem reprimir seus filhos que ainda deixam escapar urina durante a noite (Foto: Pixabay)

Cada caso é um caso

O tratamento ser individualizado. É importante lembrar que a resposta ao tratamento da enurese é lenta, e o envolvimento e participação da criança e da família são importantes. A terapêutica comportamental se baseia na mudança de alguns hábitos, como a redução da ingestão de líquidos à noite e aumento da ingestão no início do dia, orientação para urinar em intervalos regulares de cerca de três horas durante o dia, reduzir o consumo de alimentos com cafeína e alimento cítricos, diminuir a ingesta de sal, principalmente no fim do dia. O médico por indicar, se necessário, tratamento medicamentoso.

Vida adulta

Já entre os adultos, estima-se que 1 em cada 100 pessoas sofre de enurese. “É importante que os adultos também busquem ajuda, pois há tratamento”, frisa a pediatra Eliane Fonseca.

Saiba mais

Espaço para o diálogo sobre a enurese noturna: www.semxixinacama.com.br.


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