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23/11/16
Biópsia de próstata é indicada quando surge suspeita de câncer de próstata após exames de imagem, toque retal e/ou dosagem do PSA (Foto ilustrativa: André Nery / JC Imagem)
Biópsia de próstata é indicada quando surge suspeita de câncer de próstata após exames de imagem, toque retal e/ou dosagem do PSA (Foto ilustrativa: André Nery / JC Imagem)

Biópsia da próstata causa receio entre os pacientes. Especialista esclarece as principais dúvidas

23 / nov
Publicado por Cinthya Leite em Blog - 23/11/2016 às 8:00

Barra - Novembr Azul - CS

Exame indicado quando há a suspeita de câncer de próstata após avaliação clínica e laboratorial, a biópsia da próstata retira amostras do tecido prostático para identificar possíveis células cancerígenas na glândula. Como o procedimento é feito pela via transretal, inserindo pelo ânus uma sonda de ultrassom com uma agulha de biópsia acoplada, ainda causa muito receio entre os pacientes. É certo que complicações após o exame são possíveis, como infecções urinárias e eventuais sangramentos, mas os especialistas ressaltam que, se todas as recomendações forem seguidas, o risco de problemas não chega a ser preocupante.

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Procedimento que dura normalmente cerca de dez minutos, a biópsia pode ser feita de duas maneiras: com anestesia local ou, para aqueles pacientes mais ansiosos, com sedação. Por causa dessa preparação, muitos pacientes têm medo de sentir dor na hora de realizar o exame, principalmente aqueles que realizarão a biópsia apenas com anestesia local. “Existe o mito que realizar o exame sem sedação pode doer, mas não é verdade. A biópsia da próstata é muito parecida com o toque retal, o único desconforto que o paciente pode vir a sentir é na hora que o aparelho é introduzido no reto”, explica a médica radiologista Beatriz Maranhão, do Lucilo Maranhão Diagnósticos.

Arte da biópsia da próstata
Sonda de ultrassom é inserida pelo ânus/reto com uma agulha de biópsia acoplada. A agulha é exteriorizada apenas na hora de coletar os fragmentos da próstata

Outra queixa recorrente é o sangramento após o exame. “Os relatos de sangramento após a biópsia são muito baixos, chegam apenas a 1% dos casos. De fato podem ocorrer, mas cessam normalmente em poucos dias”, ressalta a especialista. Assim como o sangramento, alguns pacientes podem relatar retenção urinária. “Após realizar a biópsia, o paciente passa, no mínimo, 30 minutos em observação, sem liberado depois que o local é checado e não há presença de sangramento. O paciente também deve urinar após sair do repouso, pois pode acontecer da próstata ficar inchada e o homem reter urina. Se isso acontecer, realizamos uma sondagem de alívio para desinchar a bexiga”, esclarece.

Fator desencadeante para surgimento de hemorroidas e risco de disfunção erétil também surgem entre as dúvidas na marcação do procedimento. “Não há nenhuma relação entre a biópsia da próstata e a impotência. É apenas um exame de investigação, não mexe em nenhuma função motora da glândula. O exame também não causa hemorroidas. Alguns pacientes podem ter lesões no reto ou no ânus, como por exemplo fissuras anais. O que pode acontecer são os pequenos sangramentos e o paciente achar que é uma lesão na mucosa do ânus”, desmistifica a radiologista.

Vale lembrar que há o risco de, mesmo com a suspeita do câncer constatada após toque retal e/ou dosagem do PSA (sigla para antígeno prostático específico, substância produzida pelas células da próstata) e outros exames de imagem, do resultado da biópsia ser negativo para câncer. “Como são retirados 12 fragmentos randomicamente para a amostragem, existe a possibilidade de identificarmos apenas áreas sadias para o diagnóstico. Mas se a biópsia for negativa e o PSA continuar alterado, será necessário realizar uma nova biópsia, desta vez ampliada, ou uma ressonância para avaliar outras áreas da glândula”, ressalta a médica.

Cuidados antes e depois da biópsia

Como em outros procedimentos, há risco de infecção urinária após a retirada de fragmentos da próstata. Por isso, a orientação é fazer a prevenção com antibióticos antes da biópsia. Para aqueles que vão realizar o exame com sedação, é necessário também cumprir jejum de 12 horas e apresentar parecer cardiológico. Quem toma medicações controladas não deve interromper seu uso.

“Também indicamos que o paciente, após o procedimento, passe 48 horas em repouso, termine a prevenção com o antibiótico e, caso sinta dores na região, tome analgésicos. Todas as orientações são passadas ao paciente na marcação do exame e é extremamente importante seguir todas as recomendações”, finaliza a radiologista.
Se qualquer problema persistir muitos dias após realização da biópsia, o médico deve ser consultado.


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