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Coçar os olhos pode agravar deformidade na córnea e aumentar grau de astigmatismo

27 / jun
Publicado por Cinthya Leite em Blog - 27/06/2016 às 16:25

Imagem de homem coçando os olhos (Foto: Free Images)
Hábito de coçar os olhos pode agravar ceratocone, deformidade na córnea, e favorecer aumento de grau de astigmatismo e miopia (Foto: Free Images)

Por Malu Silveira

Sabe aquele hábito tão corriqueiro que temos de coçar os olhos? Pois bem, essa mania que parece inofensiva além de ser um perigo para infecções pode agravar uma deformidade da córnea conhecida como ceratocone, acelerando também o grau daqueles que têm astigmatismo ou miopia. Em alguns casos mais graves da doença, é preciso recorrer inclusive ao transplante de córnea.

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“O olho é formado por fibras e quando a gente coça muito é como se estivéssemos esticando essas fibras, causando o afinamento da córnea. O ceratocone já é uma alteração na córnea que faz com que a pessoa desenvolva astigmatismo ou miopia. E com esse hábito, a tendência é aumentar ainda mais o grau do paciente que tem algum desses problemas na visão”, explica a oftalmologista Roberta Ventura, especialista em córnea, cirurgia refrativa e catarata.

Ilustração de olho e divisões

Entre os principais sintomas do ceratocone estão visão borrada, imagens duplas, deformação de luzes e fotofobia. “Em alguns casos, o grau fica tão irregular que o óculos não resolve. A medida que a doença evolui, passamos a tentar as lentes de contato. Quando é mais grave, a córnea fica tão pontuda que a lente pula do olho e é preciso passar para as cirurgias. Em alguns casos, a doença pode evoluir tanto que será necessário um um transplante de córnea”, pontua a especialista.

Os procedimentos mais conhecidos são o crosslinking – técnica que consiste no enrijecimento de fibras do colágeno corneano, protegendo as membranas e evitando a progressão da doença – e o anel de ferrara, órtese que visa regularizar a superfície corneana com formato irregular, característico do ceratocone.


O diagnóstico da doença é feito através de exames oftalmológicos feitos na consulta rotineira com especialista e exames de imagem (paquimetria e a tomografia da córnea). Vale ressaltar que a doença tem um fator hereditário muito forte. “É importante saber que coçar os olhos agrava a deformidade da córnea, mas o ceratocone também tem uma carga genética muito grande. Por isso, uma vez diagnosticada a doença, o ideal é que os familiares do paciente também sejam avaliados. Quanto mais cedo descobrimos a doença, mais cedo conseguimos acompanhar o paciente no intuito de evitar a progressão do problema”, alerta.

Claro que, para quem tem esse costume, é difícil evitar a mania. Algumas medidas simples, no entanto, podem ser adotadas no cotidiano. “Quando a pessoa coça os olhos, quebra as membranas de mastócitos na região. A degradação dessas células vai causar uma vontade de coçar a região ainda mais. Por isso, o paciente deve eliminar as causas da coceira. O primordial para evitar a vontade de coçar os olhos é não ter contato com produtos que causem alergia”, explica a médica.

Conjuntivite

A conjuntivite, inflamação da membrana que reveste a frente do globo ocular e o interior dos olhos, já é uma infecção conhecida por muitos. O hábito de coçar os olhos também pode ser o agente causador da doença. “Coçar os olhos não é ruim apenas para agravar o ceratocone, mas também para causar infecções, como a conjuntivite, uma vez que a mão contaminada leva bactérias e corpos estranhos para a região”, explica a oftalmologista Roberta Ventura.

Usar compressas geladas nos olhos é um das recomendações da especialista e pode aliviar ou diminuir a vontade de coçar os olhos (Infográfico: Guilherme Castro / NE10)
Usar compressas geladas nos olhos é um das recomendações da especialista e pode aliviar ou diminuir a vontade de coçar os olhos (Infográfico: Guilherme Castro / NE10)

Há a crença, inclusive, de que o número de casos da doença aumenta em determinados períodos. “A conjuntivite existe em qualquer época, mas terão momentos que observamos um volume maior de pacientes. Geralmente a maior incidência de casos é no verão e no inverno. Na primeira estação, porque existe um contato muito grande de pessoas em festas. Já no inverno, pelo fato das pessoas se aglomerarem em locais fechados”, finaliza.


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