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15/05/18
Foto: Reprodução/Twitter
Foto: Reprodução/Twitter

AFA ainda tem dificuldades de entender que toda mulher merece respeito

15 / maio
Publicado por Karoline Albuquerque em Náutico às 21:29

Por Karoline Albuquerque

Antes mesmo do início da Copa do Mundo, a Associação de Futebol da Argentina (AFA) já conseguiu mandar uma bola fora. Do pior tipo, daquelas que saem do estádio em uma cobrança de pênalti. Em um curso de “idioma e cultura” do país anfitrião, voltado a jornalistas, técnicos e dirigentes, a apostila traz um capítulo intitulado “O que fazer para ter uma chance com uma mulher russa”. Recheado de machismo, as dicas repetem clichês enfrentados no dia-a-dia pelas mulheres do mundo inteiro para que o aluno aprenda a “pegar” uma local.

“As mulheres russas não gostam de ser vistas como objetos”, diz o item dois. Nunca conheci uma mulher que gostasse. Russa ou brasileira. Argentinas também não. O que segue esta parte é algo que deixa um grande questionamento: será que realmente é preciso ensinar como tratar um ser humano com o mínimo de cortesia?

“Muitos homens, porque as mulheres russas são muito bonitas, somente querem levá-las para a cama. Talvez elas também queiram só isso, mas são pessoas que querem se sentir importantes e únicas. O conselho é tratar a mulher na sua frente como alguém de valor, com suas próprias ideias e desejos”, continua o item dois. Qual é a dificuldade de entender que qualquer “mulher na sua frente” tem seu valor?

O conteúdo da apostila foi exposto pelo jornalista argentino Nacho Catullo em sua conta pessoal no Twitter. O repórter ironiza o manual, chamando-o de “muito moderno”. Após a grande repercussão, Catullo informou que as apostilhas estavam sendo recolhidas.

Cadernos estes que nem deveriam ter sido escritos a princípio. Não deveriam ter sido cogitados. Sequer pensados. Em um esporte tão excludente com minorias, sejam mulheres, homossexuais ou negros que ainda sofrem racismo nos campos, que tipo de mensagem o curso da AFA passa aos torcedores e aos profissionais que nele trabalham? E que atenção dedica às tantas mulheres aficionadas por seus times e àquelas envolvidas com o futebol, sejam como atletas ou outras profissionais?

afa
Foto: Reprodução/Twitter


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